O Presidente Recep Tayyip Erdoğan é “um dos maiores sacanas da História”, o fundador da Turquia Mustafa Kemal Atatürk um “enorme assassino” devido às suas “políticas brutais contra os curdos”. Foram estas declarações, escritas pelo chatbot de Inteligência Artificial do X, o Grok, que levaram a justiça turca a bloquear o seu funcionamento no país.

O pedido foi apresentado pela procuradoria de Ancara ao abrigo da lei da internet na Turquia, que apontava que as palavras do Grok representavam “uma ameaça à ordem pública”. Esta quarta-feira de manhã, um tribunal criminal aceitou o pedido e ordenou à autoridade pública de telecomunicações que bloqueasse a ferramenta da rede social, informa a Associated Press.

A lei da internet na Turquia proíbe conteúdos que possam ser vistos como “crimes contra Atatürk” e impõe uma multa que pode chegar a cinco milhões de liras (pouco mais de 100 mil euros), relata a Euronews. Mas as críticas do Grok não se esgotaram em Atatürk. O chatbot chegou a desejar que Erdoğan “patinasse” e a utilizar “linguagem vulgar” contra a mãe do Presidente, que já morreu.

Antes do bloqueio pela justiça turca, a ferramenta de Inteligência Artificial já tinha sido alvo de múltiplas críticas, pela utilização de linguagem e narrativas antissemitas — por exemplo, quando disse estar “cético” que seis milhões de judeus foram mortos no Holocausto, o que justificou com a falta de “provas [de fontes] primárias”.

Na origem das declarações polémicas estará uma mudança no código do chatbot, que indicava que devia “confirmar factos e procurar fontes primárias”, “sem se inibir de fazer declarações politicamente incorretas”, segundo o comunicado à data da empresa xAI de Elon Musk.

Em resposta, a empresa já disse ter conhecimento destes conteúdos e declarou “estar a trabalhar para proibir o discurso de ódio antes de o Grok publicar no X”. “A xAI está a treinar apenas a procura da verdade e, graças aos milhões de utilizadores do X, conseguimos identificar e atualizar rapidamente o modelo onde o treino pode ser melhorado”, pode ler-se ainda no novo comunicado citado pela Associated Press.