As câmaras de gás usadas pelas tropas nazis na Europa foram uma “farsa” e o museu de Auschwitz-Birkenau promove uma “narrativa pseudo-histórica”. Estas declarações foram proferidas durante uma entrevista à rádio Wnet, na passada quinta-feira, pelo eurodeputado polaco Grzegorz Braun, do partido de extrema-direita Confederação. Esta segunda-feira, a Justiça polaca anunciou que abriu um inquérito ao político pela “negação pública e contrária aos factos dos crimes de genocídio cometidos por dirigentes do Terceiro Reich”.

O Ministério Público da Polónia abriu um inquérito após ter recebido três queixas: uma apresentada por Anna Maria Żukowska, presidente do grupo parlamentar do partido Esquerda, por Piotr Cywiński, diretor do museu de Auschwitz-Birkenau e por Bartosz Staszewski, presidente da associação Basta.

Para a Justiça polaca, as declarações do político podem configurar um crime, que pode ser punido com multa ou com pena de prisão até três anos.

Durante a entrevista de rádio, Grzegorz Braun foi interrompido pelo jornalista que moderava a entrevista, Łukasz Jankowski, que ocorria por telefone. O moderador disse que não ia “permitir que algumas coisas fossem ditas em direto” e que a conversa tinha ultrapassado os limites do “cinismo, busca por votos e sensacionalismo”, colocando um ponto final na conversa.

Grzegorz Braun, que se candidatou à presidência da Polónia em 2025 (e obteve cerca de 7% dos votos), foi criticado por vários políticos polacos. O primeiro-ministro polaco, Donals Tusk, considerou as declarações uma “desgraça”: “Devemos fazer tudo para que ninguém no mundo associe a Polónia a essas pessoas, essas caras e as suas ações.”

Quem também respondeu a Grzegorz Braun foi o diretor do museu Auschwitz-Birkenau, que vai avançar com um processo judicial em paralelo, este por difamação. O historiador Piotr Cywiński considera que “negar o facto de que as câmaras de gás existiram não é apenas uma manifestação de antissemitismo e discurso de ódio; na Polónia, é também um crime”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel também reagiu no X. “Condenamos inequivocamente as declarações vis e desprezíveis feitas por Grzegorz Braun. Esta negação flagrante do Holocausto aumenta o antissemitismo, dissemina o ódio e profana a memória de milhões que foram assassinados pelos nazis. É completamente inaceitável”, lê-se na publicação.

Grzegorz Braun já se tinha envolvido noutra polémica idêntica: em janeiro de 2025, o eurodeputado interrompeu o minuto de silêncio feito no Parlamento Europeu em memória das vítimas do Holocausto, pedindo “orações pelas vítimas do genocídio judeu em Gaza”.