O Júri Nacional de Exames (JNE) enviou um email aos diretores dos agrupamentos e escolas de todo o país a informar que as notas serão apenas enviadas durante o dia de quarta-feira, na sequência do atraso registado esta terça-feira na divulgação das classificações das provas finais de 9º ano.
O email, a que o Observador teve acesso, menciona que o objetivo é “serem produzidas e afixadas as pautas com os resultados assim que possível”. No mail do JNE a notificar sobre a alteração do prazo, nada foi mencionado sobre o motivo por detrás deste atraso.
Ao contrário do que aconteceu com os exames nacionais do Ensino Secundário — cujos resultados foram partilhados na segunda-feira, a fim de serem afixados na manhã de terça —, as notas das provas do 9º ano não chegaram às escolas conforme previsto e indicado pelo Ministério da Educação, que garantiu aos profissionais do setor e ao Observador que seriam publicadas ao longo do dia.
Cerca das 18 horas, o Ministério enviou uma nota às redações em que refere que o atraso na afixação das pautas deve-se a “dificuldades técnicas, decorrentes dos novos processos de classificação das Provas Finais do Ensino Básico”. Ambas as provas do 9º ano, de Português e de Matemática, foram realizadas pela primeira vez por meio digital.
O Ministério acrescenta que as dificuldades registadas estão “restringidas a um número residual de classificações de provas, que estavam ainda por concluir no momento previsto para envio dos resultados às escolas”. Ainda assim, apesar de atingir apenas um “número residual de provas”, a tutela menciona que decidiu não divulgar os resultados dos alunos “de forma faseada”, justificando a decisão com a “opção de preservar a integridade do processo de avaliação externa e de classificação das Provas Finais do Ensino Básico, assegurando a igualdade entre alunos no acesso à informação”.
Nesta mesma nota, admite que a realização das provas em formato digital foi “um desafio para todo o sistema educativo e a concretização de mais um importante passo no caminho para a digitalização na Educação em Portugal”. Não obstante, o Ministério diz “reconhecer e lamentar” os “constrangimentos óbvios” causados às escolas, alunos e famílias.
O Observador tentou obter mais esclarecimentos relativamente às dificuldades técnicas que ditaram o atraso na divulgação das classificações junto do Ministério da Educação, que remeteu para o comunicado anteriormente enviado.
Esta manhã, questionado sobre as preocupações apresentadas pelas escolas, o Ministério da Educação negou atrasos ao Observador e garantiu que as classificações serão divulgadas ainda esta terça-feira, conforme o prazo previsto — o que não se verificou.
Antes deste atraso, o Ministério havia estabelecido os dias 15 e 16 de julho como os prazos para a inscrição dos alunos nas provas de segunda época. Com este atraso na divulgação, não é claro se haverá uma alteração nestes prazos, dando mais tempo aos professores para se organizarem em Conselho de Turma, e aos alunos para se inscreverem, ou se se vão manter as datas atualmente em vigor. Recorde-se que a prova de Português tem data marcada para esta sexta-feira, dia 18 de julho, e a de Matemática para dia 22, próxima terça.
Durante a manhã, em declarações ao Observador, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, transmitiu alguma preocupação ao nível dos pais e dos alunos afetados, que passaram o dia a ligar “de forma insistente” para as escolas com o objetivo de tentar saber quando é que as classificação serão afixadas — enquanto as próprias instituições desconheciam de qualquer informação que pudesse aliviar os ânimos.
Ao mesmo tempo, Cristina Mota, porta-voz da Missão Escola Pública, aponta para os sucessivos adiamentos dos Conselhos de Turma, que foram convocados para segunda-feira a contar com o cumprimento dos prazos inicialmente definidos pelo Ministério da Educação, que passaram para esta manhã e, com a falta de desenvolvimentos do lado do Júri Nacional de Exames, foram novamente adiados para a tarde de terça-feira, e acabaram por não acontecer, com o encerramento das escolas e o email enviado pelo JNE aos diretores.