Preparou tudo, sondou (quase) todos, vai agora começar a entrar em ação num espaço que não se cinge só aos bastidores. Numa semana em que foi notícia pela alegada escolha de Sérgio Conceição como técnico em caso de vitória nas eleições do Benfica, Luís Filipe Vieira mantém o tabu em relação a uma candidatura há vários meses estudada e delineada entre muitos encontros com sócios e adeptos dos encarnados mas começa a confirmar um dos segmentos que marcarão as próximas semanas: os ataques ao sucessor, Rui Costa.

Como Luís Filipe Vieira olha para todo o xadrez das eleições (com ou sem Sérgio Conceição como treinador)

Em setembro, ainda na ressaca de um período mais conturbado em que o mau início de época da equipa de futebol levou à saída de Roger Schmidt (com uma derrota e um empate nas quatro jornadas iniciais) e ao regresso de Bruno Lage à Luz, Vieira quebrou o silêncio para contestar a escolha do líder dos encarnados que um dia descreveu como “delfim” e lamentar o caminho que o clube estava a tomar. “Sabia que o Rui poderia ter dificuldades em gestão e, por isso, disse-lhe que não poderia mexer nos quadros do Benfica. Ele entendeu mexer e teve consequências. Agora, surpreende-me a forma como geriu a parte desportiva. Delfim? Não era delfim… Peço desculpa aos benfiquistas porque enganei-me no que aconselhei. Ainda hoje me culpam pelo mesmo: ‘Foste tu que escolheste, foste tu que escolheste’”, apontou em entrevista à CMTV.

“Ao vir aqui hoje não é para lavar o que quer que seja. É para falar para os benfiquistas. Já que me fecharam a porta do Benfica tenho de ter um local para falar. Era proibido falar do meu nome no Benfica. Depois do célebre discurso nem uma palavra me deu. Sou benfiquista, não tenho de lavar roupa suja. O presidente do Benfica, eleito pelos sócios do Benfica, tem de estar sujeito à crítica. O Benfica está em crise, desportiva e financeira, principalmente desde que o Domingos Soares de Oliveira saiu. É natural que não exista capacidade de liderança. A experiência empresarial leva a isso. Se quer continuar a liderar o Benfica tem de mudar de posição dentro do Benfica. Não pode permitir que o tratem por Rui, nunca permiti que me tratassem por tu. Nunca chamei um diretor desportivo por ‘mano’. Sei de quem ouviu isso. Ele é presidente da maior instituição do país. Ele não tem a minha pedalada…”, foi referindo Vieira no mesmo espaço.

“Não era delfim. Peço desculpa aos benfiquistas porque enganei-me no que aconselhei.” Luís Filipe Vieira abre fogo contra Rui Costa

“Nem sei quantas mensagens já recebi a pedirem para avançar. As pessoas devem saber que eu sofri e que estou muito magoado. Quem me conhece e que trabalhava comigo… Voltando ao presidente. Não sei se aprendeu alguma coisa mas era o primeiro que tinha que dar o passo. ‘Nunca’ é uma palavra que nunca se diz. Se houvesse algo tinha que haver uma conversa muito profunda… Estou disponível para ajudar o Benfica em determinadas discussões, em ideias, contributos. Tudo o que fiz partiu muita coisa da minha cabeça. No início quem estruturou e resolveu fui eu. Isso sei fazer. Se fosse candidato? Ganhava, não tenho dúvidas nenhumas. Quem tem a obra feita? Quem ganhou os títulos que tenho? Quem recuperou o Benfica da falência? Quem profissionalizou? Por amor de Deus…”, acrescentou também em setembro Luís Filipe Vieira, entre lamentos sobre aquilo que passou na altura em que deixou a liderança do clube e da SAD.

Vieira vai avançar, Rui Costa ainda em reflexão: os bastidores da antecâmara das eleições do Benfica

Agora, as palavras começam a passar aos atos e, no mesmo dia em que fez um comunicado contra a forma como tinha sido instaurado um processo disciplinar ainda por factos ocorridos numa Assembleia Geral do passado, dizendo que jamais será usado como “argumento expiatório”, várias pessoas próximas de Vieira foram admitindo que o antigo líder iria mesmo avançar com uma candidatura para tentar regressar aos encarnados e retomar o caminho que o Benfica levava até sair. Esse “ganhar de espaço” prossegue, com mais uma entrevista agora ao CM onde volta a apontar a Rui Costa nos primeiros excertos já conhecidos.

“Jamais permitirei ser usado como argumento expiatório”: Vieira reage a processo de inquérito do Benfica (ainda sem falar de eleições)

“O Benfica precisa de uma liderança firme. O Benfica está sem rumo, sem liderança, com maus resultados e sem ambição. Rui Costa é uma referência do Benfica enquanto jogador e eu respeito isso – por isso o fui recuperar ao AC Milan. Mas ser uma referência enquanto jogador não chega para liderar o clube, e isso ficou à vista”, salienta Vieira, na primeira parte dessa entrevista que será publicada na íntegra no próximo sábado. Ao mesmo tempo, e sem confirmar ou desmentir a notícia da Sábado que dava conta de um alegado acordo com Sérgio Conceição para render Bruno Lage em caso de vitória no sufrágio, o ex-presidente e putativo candidato deixou elogios ao antigo treinador do FC Porto. “Conheço o Sérgio Conceição há anos. É um excelente técnico. Gosta de ganhar e sabe pôr as equipas a jogar bom futebol”, destacou.