Começou como um rumor sem grande fundamento para ser cavalgado, ganhou depois outras formas com o passar o tempo, passou a ser comentado como uma inevitabilidade entre elementos de outras listas. Hoje, é algo que ninguém sabe ao certo: poderá Luís Filipe Vieira ser candidato à liderança do Benfica nas eleições de outubro? Não sendo um caminho fácil, é uma possibilidade mediante aquilo que acontecer nas próximas semanas. Contactos existem, encontros nunca deixaram de existir mas ninguém sabe ao certo se existirá a força suficiente enquanto movimento para avançar com uma candidatura. Para já, o antigo líder do clube da Luz não se pronuncia sobre essa hipótese. Contudo, não deixa de aparecer – em forma de comunicado.

Uma semana depois do comunicado assinado pela Direção do Benfica, que “face a um conjunto informações imprecisas e especulativas publicadas” esclareceu que foi proposta a abertura de um “processo de inquérito” a Luís Filipe Vieira mas que o mesmo nunca seria concluído antes do final do ano, o antigo presidente dos encarnados enviou um comunicado à agência Lusa, que foi depois difundido por outros meios, onde fez a defesa de algo que considerou ser mais um ataque para desviar atenções do resto do que outra coisa.

“Tomei conhecimento, através de um comunicado do Benfica, difundido no passado 22 de junho, que existe a intenção de me instaurar um processo de inquérito para apurar responsabilidades sobre acontecimentos que terão ocorrido na Assembleia Geral de 27 de setembro de 2019. É percetível pelo teor do comunicado e de notícias e comentários públicos que o envolveram, que eu sou o visado – no limite – para tramitar um processo que culmine na minha expulsão de sócio do Benfica. É neste contexto que venho manifestar, publicamente, a minha indignação e revolta”, começou por referir o antigo líder das águias durante quase duas décadas, antes de pedir a demissão de todas as funções que ocupava no clube e em várias sociedades depois da operação Cartão Vermelho e das medidas de coação que foram aplicadas em 2021.

“Faço-o apenas hoje porque respeitei o momento competitivo que a equipa profissional de futebol protagonizou no Campeonato mundial de clubes e que terminou nos oitavos de final da competição. Faço-o como sócio a quem foi atribuída a distinção honorífica de ‘Águia de Ouro’, mas sobretudo na defesa de mais de 20 anos de trabalho e conquistas, incontornáveis e inesquecíveis, em prol do Benfica. Jamais permitirei ser usado como argumento expiatório de sucessivos fracassos desportivos e perdas patrimoniais e de credibilidade, que são a distinção que esta Direção, em final de mandato, tem para exibir. Ao contrário do que se observa no presente, posso invocar uma ‘obra’ reconhecida pelos Benfiquistas; devolvi, em conjunto com uma equipa de trabalho competente e coesa, a respeitabilidade financeira, institucional e desportiva ao Benfica. Atributos que voltam a estar em dúvida, nomeadamente com processos como este”, salientou.

“O processo de inquérito em causa é injusto e ilegal, desde logo pela longevidade dos factos, sem que nestes mais de cinco anos alguém me tenha questionado, interpelado, denunciado ou responsabilizado. Todos compreenderão que este processo é uma autêntica ‘fuga para a frente’! Fuga às responsabilidades, ao escrutínio da má gestão e ao debate esclarecido sobre o futuro do Benfica”, apontou, entre várias críticas que foi deixando ao elenco agora liderado por Rui Costa, a quem dirigiu depois cinco perguntas concretas.

“Questiono, então, a Direção promotora deste triste processo e principalmente o seu presidente mas também todos os sócios do Benfica: 1) a quem serve este processo de inquérito? 2) quem são os seus reais promotores? 3) que envolvimento existe por parte de titulares de outros órgãos sociais – Mesa da Assembleia Geral, Conselho Fiscal, plenário dos Órgãos Sociais, presidente do Benfica?; 4) qual a fundamentação jurídica do aproveitamento de factos ocorridos em 2019 para um processo de inquérito de intuito claramente persecutório contra um ex-presidente do Benfica? 5) estarão a ser respeitados os Estatutos, quanto ao respeito pelas competências e poderes dos vários órgãos do clube e na sua separação institucional com a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD?”, questionou Vieira no mesmo comunicado.

“Afirmo publicamente e garanto especificamente aos ‘ideólogos’ deste ataque cobarde e manipulador que vou zelar pela defesa do meu nome, passado e presente associativo no Benfica e no Desporto em Portugal. Podem contar com isso! É neste propósito que, enquanto sócio na plenitude dos seus direitos e poderes, irei pedir reuniões aos presidentes do Conselho Fiscal, da Direção e da Mesa da Assembleia Geral, para obter esclarecimentos sobre o alegado processo de inquérito, sobre a sua génese, fundamentação e compatibilidade com os estatutos e a lei. Aos milhares de sócios que me têm manifestado apoio e solidariedade, a partir de diversos pontos de Portugal e do Mundo, agradeço e afirmo que saberei estar à altura do complexo momento que atravessamos e sei o contributo que posso dar para responder a mais este desafio, como sempre fiz”, concluiu o antigo líder dos encarnados na resposta ao processo de inquérito.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 7.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui, o quinto aqui e o sexto aqui]