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A líder da IL, Mariana Leitão, indicou que pretende recandidatar-se à presidência do partido para poder disputar eleições legislativas e considerou que pode ter havido uma “excessiva aproximação” ao PSD nas eleições de maio.

Em entrevista à RTP, a primeira que deu desde que foi eleita líder da IL, este sábado, Mariana Leitão disse que quer “trazer alguma estabilidade” ao partido e tenciona manter-se “bastante tempo” na sua presidência.

“Quero pelo menos ter a possibilidade de fazer umas legislativas, com certeza que sim, e pelo menos esse desafio gostava de enfrentar. E, portanto, até aí certamente que trabalharei para ficar”, referiu.

Questionada se, independentemente dos resultados eleitorais que vier a ter, não tenciona abandonar a liderança do partido, Mariana Leitão observou que não estão previstas eleições legislativas no mandato de dois anos para o qual foi eleita à frente do partido.

“O que significa que, não estando previstas [nos próximos dois anos], pelo menos uma recandidatura à liderança do partido certamente farei”, referiu.

Nesta entrevista, Mariana Leitão foi questionada se, uma vez que defende um regresso às origens da IL, considera que houve uma aproximação ao PSD da parte da anterior liderança de Rui Rocha.

Na resposta, a nova líder da IL disse achar que houve, “na altura da campanha [para as legislativas], uma eventual excessiva aproximação à AD”, considerando que “a grande vantagem” que a IL tem é “conseguir ter um espaço único no espetro político”.

“E, portanto, sempre que nos desviamos de alguma forma desse espaço único, sempre que o deixamos de ocupar para nos aproximarmos a alguma coisa, no fundo, estamos a desviar-nos do nosso caminho”, defendeu, antes de garantir que irá defender o liberalismo, sem cedências.

“Acho que é muito importante manter este foco no espaço que ocupamos, no liberalismo, (…) com as nossas propostas, as nossas medidas, e sem haver qualquer tipo de cedências nessas matérias, porque, quanto mais cedências houver, mais nos diluímos perante os outros. E isso não acho que seja benéfico”, disse.

Sobre a postura que pretende manter perante o Chega, Mariana Leitão considerou que foi “um erro” alguns partidos terem defendido a teoria do cordão sanitário, porque permitiu ao partido vitimizar-se.

“O que é importante (…) é demonstrar o quão as propostas que eles vão apresentando são mal feitas, tecnicamente incorretas ou profundamente erradas, ao mesmo tempo que apresentamos as nossas soluções, e que têm aplicação prática”, disse, referindo que pretende tratar o Chega “como outro partido qualquer”.

Mariana Leitão recusou contudo que haja qualquer tipo de equiparação na maneira de fazer política entre a IL e o Chega, que acusou de “alimentar o discurso do ódio, do caos, quase apolítico e sem qualquer solução de futuro” e de procurar crescer fomentando divisões na sociedade portuguesa.

Já interrogada se considera que João Cotrim Figueiredo é um bom nome para a substituir numa eventual candidatura presidencial, Mariana Leitão respondeu: “Sem dúvida, será um extraordinário candidato“.

A líder da IL rejeitou que tenha sido apanhada de surpresa com a disponibilidade manifestada por Cotrim Figueiredo na convenção da IL, salientando que o atual eurodeputado já lhe tinha indicado que estava disponível para ser candidato.

“A coisa [o anúncio] aconteceu de forma natural, também não foi nada programado, foi o decurso natural das coisas”, disse.