O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, afirmou que teve reuniões “construtivas” com Volodymyr Zelensky, Vladimir Putin e líderes europeus, nos últimos dois dias, e que as negociações vão continuar a nível técnico entre Washington, Kiev e Moscovo.

“Em São Petersburgo, [eu e Jared Kushner] encontrámo-nos com o Presidente Putin para aproveitar o progresso feito em Oslo com o Presidente Zelensky, discutir uma estrutura de paz e agradecer ao Presidente Putin por libertar o cidadão americano Stephen Hubbard para voltar para casa com a sua família”, escreveu nas redes sociais.

Witkoff reconheceu que, ainda que haja “um trabalho importante a ser feito”, Donald Trump continua “comprometido” com o fim da guerra, e “alcançar uma paz abrangente e duradoura que proporcionará segurança e prosperidade para as próximas gerações”.

A proposta de um encontro trilateral foi apresentada por Witkoff, no encontro desta quarta-feira no Palácio de Constantino, em São Petersburgo, com Vladimir Putin, e foi aceite pelo líder russo, referiu o Kremlin à Reuters. No encontro, que durou cerca de três horas, também foi aceite a discussão sobre as garantias de segurança da Ucrânia e da Rússia no pós-guerra, tendo Putin agradecido a Trump e a Witkoff pelos esforços para pôr fim à guerra.

“Sei que o Presidente Trump atribui uma importância especial a esta questão, sobretudo devido às preocupações humanitárias, e, durante a nossa última conversa telefónica, salientou que é necessário pôr fim a este conflito, acima de tudo devido às baixas entre as tropas e aos bombardeamentos de ambos os lados”, sublinhou.

No entanto, o Presidente russo afirmou que a paz depende de Kiev e manteve a defesa do controlo russo total de Donetsk, a proibição da adesão da Ucrânia à NATO e a negociação de um acordo de paz abrangente, em vez de um cessar-fogo.

“Estamos dispostos a retomar as negociações tripartidas por volta de 10 de novembro sobre a questão mais importante: a criação de um sistema de segurança para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito”, declarou Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, durante uma conferência de imprensa telefónica.

O assessor adiantou ainda à agência de notícias russa Vesti, citado pela TASS, que a próxima ronda de negociações pode acontecer em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em novembro.

Após o encontro desta quarta-feira, a televisão pública norueguesa NRK noticiou o regresso de Witkoff a Oslo, onde se encontrou com o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, para falar sobre a reunião com o líder russo. O encontro durou pouco mais de uma hora e não contou com Volodymyr Zelensky, que regressou à Ucrânia.

China, Irão e cooperação russo-americana também em cima da mesa

Durante o encontro, Witkoff e Putin também falaram sobre um possível encontro trilateral entre o Presidente russo, Xi Jinping e Donald Trump, que estará a ser preparado pelo lado chinês, no âmbito da cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) de novembro, refere a TASS. “Se a reunião entre Putin, Trump e Xi Jinping se realizar, haverá uma tempestade de comentários e avaliações”, sublinhou Yuri Ushakov.

Além disso, o Presidente russo ofereceu-se para ajudar Donald Trump a alcançar um acordo com o Irão, invocando as relações entre Moscovo e Teerão. “Se pudermos contribuir de alguma forma para resolver essa situação, estaremos disponíveis para o fazer. Conhece muito bem as nossas propostas a este respeito”, afirmou Putin.

No domínio da cooperação, destacam-se também a libertação do cidadão norte-americano Stephen Hubbard, um professor detido na Rússia desde 2022 e acusado de lutar como mercenário ao lado das tropas ucranianas.

No encontro, as duas partes também discutiram a possibilidade de exportação de fertilizantes russos para os Estados Unidos, para “ajudar” os agricultores.

Depois de encontro com Witkoff, o “humanitário” Putin liberta Stephen Hubbard, o único norte-americano “detido injustamente” pela Rússia

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