O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, afirmou que teve reuniões “construtivas” com Volodymyr Zelensky, Vladimir Putin e líderes europeus, nos últimos dois dias, e que as negociações vão continuar a nível técnico entre Washington, Kiev e Moscovo.
“Em São Petersburgo, [eu e Jared Kushner] encontrámo-nos com o Presidente Putin para aproveitar o progresso feito em Oslo com o Presidente Zelensky, discutir uma estrutura de paz e agradecer ao Presidente Putin por libertar o cidadão americano Stephen Hubbard para voltar para casa com a sua família”, escreveu nas redes sociais.
Witkoff reconheceu que, ainda que haja “um trabalho importante a ser feito”, Donald Trump continua “comprometido” com o fim da guerra, e “alcançar uma paz abrangente e duradoura que proporcionará segurança e prosperidade para as próximas gerações”.
In Oslo and St. Petersburg, @JaredKushner and I met with Russian, Ukrainian, and European leaders to advance President Trump’s mission to end the war.
In St. Petersburg, we met with President Putin to build on the progress made in Oslo with President Zelenskyy, discuss a peace…
— Special Envoy Steve Witkoff (@SEPeaceMissions) October 21, 2026
A proposta de um encontro trilateral foi apresentada por Witkoff, no encontro desta quarta-feira no Palácio de Constantino, em São Petersburgo, com Vladimir Putin, e foi aceite pelo líder russo, referiu o Kremlin à Reuters. No encontro, que durou cerca de três horas, também foi aceite a discussão sobre as garantias de segurança da Ucrânia e da Rússia no pós-guerra, tendo Putin agradecido a Trump e a Witkoff pelos esforços para pôr fim à guerra.
“Sei que o Presidente Trump atribui uma importância especial a esta questão, sobretudo devido às preocupações humanitárias, e, durante a nossa última conversa telefónica, salientou que é necessário pôr fim a este conflito, acima de tudo devido às baixas entre as tropas e aos bombardeamentos de ambos os lados”, sublinhou.
No entanto, o Presidente russo afirmou que a paz depende de Kiev e manteve a defesa do controlo russo total de Donetsk, a proibição da adesão da Ucrânia à NATO e a negociação de um acordo de paz abrangente, em vez de um cessar-fogo.
“Estamos dispostos a retomar as negociações tripartidas por volta de 10 de novembro sobre a questão mais importante: a criação de um sistema de segurança para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito”, declarou Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, durante uma conferência de imprensa telefónica.
O assessor adiantou ainda à agência de notícias russa Vesti, citado pela TASS, que a próxima ronda de negociações pode acontecer em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em novembro.
Após o encontro desta quarta-feira, a televisão pública norueguesa NRK noticiou o regresso de Witkoff a Oslo, onde se encontrou com o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, para falar sobre a reunião com o líder russo. O encontro durou pouco mais de uma hora e não contou com Volodymyr Zelensky, que regressou à Ucrânia.
China, Irão e cooperação russo-americana também em cima da mesa
Durante o encontro, Witkoff e Putin também falaram sobre um possível encontro trilateral entre o Presidente russo, Xi Jinping e Donald Trump, que estará a ser preparado pelo lado chinês, no âmbito da cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) de novembro, refere a TASS. “Se a reunião entre Putin, Trump e Xi Jinping se realizar, haverá uma tempestade de comentários e avaliações”, sublinhou Yuri Ushakov.
Além disso, o Presidente russo ofereceu-se para ajudar Donald Trump a alcançar um acordo com o Irão, invocando as relações entre Moscovo e Teerão. “Se pudermos contribuir de alguma forma para resolver essa situação, estaremos disponíveis para o fazer. Conhece muito bem as nossas propostas a este respeito”, afirmou Putin.
No domínio da cooperação, destacam-se também a libertação do cidadão norte-americano Stephen Hubbard, um professor detido na Rússia desde 2022 e acusado de lutar como mercenário ao lado das tropas ucranianas.
No encontro, as duas partes também discutiram a possibilidade de exportação de fertilizantes russos para os Estados Unidos, para “ajudar” os agricultores.
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