25 dias depois, a pré-temporada leonina chegou ao fim. A seis dias da Supertaça Cândido de Oliveira, frente ao rival Benfica, o Sporting rumou de malas e bagagens para Oeiras, instalando-se no Estádio Nacional enquanto as obras de renovação prosseguem no Estádio José Alvalade. A 13.ª edição do Troféu Cinco Violinos, que serve também de apresentação da equipa aos sócios e adeptos, voltou a colocar uma equipa espanhola no caminho dos leões: o Villarreal. Apesar do caráter de jogo particular, esta partida tinha, uma vez mais, o condão de servir de última afinação antes do arranque oficial da época e, por todo o simbolismo, o bicampeão queria conquistar o troféu pela décima vez. Afinal, até esta edição, apenas Empoli (2018), Valencia (2019) e Sevilha (2022) tinham erguido o Troféu Cinco Violinos.

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Ao longo das últimas semanas, muito se falou e escreveu sobre a turma de Alvalade. No que ao futebol jogado diz respeito, o principal sinal a reter foi a mudança tática de Rui Borges, que voltou a apostar no seu tradicional 4-2-3-1, apostando na mobilidade ofensiva de Pedro Gonçalves, Francisco Trincão e Geovany Quenda. Por outro lado, fora dos relvados, Viktor Gyökeres foi (e ainda é) o principal tema de destaque. O avançado sueco não se apresentou em Alcochete e está de saída para o Arsenal, com as últimas notícias a revelarem que o avançado já está em Londres e deverá ser oficializado em breve. Nos cofres lisboetas vão entrar 63,5 milhões e eventualmente mais dez em comissões. Para colmatar a ausência do goleador deverá chegar Luis Suárez, que promete ser a quarta contratação, depois de Giorgi Kochorashvili, Alisson Santos e João Virgínia. Em sentido inverso saíram ainda Afonso Moreira, Vladan Kovacevic, Diogo Pinto, Marcus Edwards, Sotiris, Koba Koindredi, Alexandre Brito e Biel Teixeira — estes quatro por empréstimo.

Avançou o plano B e à quarta foi de vez: Sporting vende Gyökeres ao Arsenal por 63,5 milhões mais dez milhões variáveis

Na apresentação aos adeptos, o grande destaque foi Conrad Harder, que ficou com a camisola número 9 que pertencia a Gyökeres. Rui Silva deixou a camisola 24 e mudou para a 1, Quenda passou a ser o 7, Geny Catamo é o novo 10, Nuno Santos (11) subiu ao relvado já sem muletas, Virgínia é o novo número 12, Kochorashvili o 14 (era de Dário Essugo), Diogo Travassos o 19, Alisson o 27, Rodrigo Ribeiro o 28 (de Mateus Fernandes) e Francisco Silva o 99. Foram ainda apresentados Matheus Reis (2), Jeremiah St. Juste (3), Hidemasa Morita (5), Zeno Debast (6), Pote (8), Trincão (17), Maxi Araújo (20), Iván Fresneda (22), Daniel Bragança (23), Gonçalo Inácio (25), Ousmane Diomande (26), Diego Callai (41), Morten Hjulmand (42), Ricardo Esgaio (47), João Simões (52) e Eduardo Quaresma (72). Para além de Gyökeres, Franco Israel falhou a apresentação e David Moreira, Rayan Lucas e Manuel Mendonça não foram apresentados como integrantes do plantel principal.

No que respeita ao onze inicial, Rui Borges voltou a lançar a equipa no seu 4-2-3-1, com a grande novidade a surgir na baliza, com Virgínia a conseguir a titularidade no dia em que foi oficializado. Em sentido inverso, Rui Silva ficou fora da ficha de jogo, assim como Araújo, ambos por problemas físicos. Fresneda atuou no lado direito da defesa, com Reis na esquerda e Diomande e Inácio ao meio. No miolo, Hjulmand e Morita compuseram a dupla, com Pote à sua frente e Geny e Trincão nas alas. O centro do ataque ficou para Harder. No Villarreal, que realizou o terceiro jogo da pré-época, Dani Parejo foi titular no meio-campo, com Yéremy Pino, Gerard Moreno e Nicolas Pépé no ataque.

Cumprido o minuto de silêncio em memória de Diogo Jota e André Silva, o Sporting entrou com mais bola e, logo nos primeiros minutos, conquistou uma grande penalidade, num lance em que Pote apareceu nas costas do lateral-direito e deixou para Harder, que tentou desviar de Willy Kambwala, mas o central cortou com o braço (7′). Na cobrança, o capitão Hjulmand fez a paradinha e enganou Luiz Júnior, inaugurando o marcador (8′). A resposta do submarino amarelo apareceu com um remate de longe de Pino, fácil para Virgínia (12′), ao passo que os bicampeões continuaram a apostar na profundidade e nos passes verticais, construindo a partir de uma linha de três, com Fresneda a juntar-se aos centrais e o guarda-redes português a oferecer soluções na saída. Depois da pausa para hidratação, a tendência do desafio inverteu-se e o Villarreal começou a apostar em passes diretos para o ataque, com João Virgínia a mostrar-se atento a defender a profundidade. Até ao intervalo, Rubén Gómez rendeu Júnior na baliza, no final de um primeiro tempo com muitas faltas e cinco amarelos, e que teve Geny a ficar perto do golo na conclusão de uma jogada individual (45+3′).

Ao intervalo, Marcelino Toral lançou em campo Juan Foyth, Pau Cabanes, Alberto Moleiro e Sergi Cardona, com Borges a apostar apenas em Debast para o lugar de Diomande. Outra das novidades foi a mudança de equipamento, com os jogadores leoninos a trocarem o traje principal pelo quarto, totalmente preto. A primeira oportunidade de perigo pertenceu aos espanhóis, que começaram a carburar pelo corredor direito, mas o cabeceamento de Pino saiu para corte de Debast (47′). No lance seguinte, Etta Eyong ganhou as costas aos centrais, recebeu de Moleiro e, já dentro da área, desferiu um remate forte ao poste esquerdo da baliza portuguesa (49′). Pouco depois, Pino cruzou da esquerda para a direita, Cabanes amorteceu de cabeça e, à meia-volta, Moleiro atirou ligeiramente ao lado (52′). Com Pote em visíveis dificuldades físicas, o técnico leonino fez mais duas alterações, colocando Quenda e St. Juste, por troca com Inácio.

As alterações não tiveram impacto na equipa, que continuou a ver os espanhóis chegar com perigo à sua baliza, com Moleiro a ficar novamente perto de marcar, com um remate de trivela (58′). Na ocasião seguinte, Cabanes rompeu a defesa pela direita e, de ângulo fechado, atirou ao lado (60′). Sem capacidade de ter bola, o Sporting promoveu mais três alterações, com Esgaio, Quaresma e Alisson a renderem Catamo, Matheus e Fresneda. No Villarreal entraram, na mesma altura, Diego Conde, Denis Suárez, Arnaut Danjuma e Adrià Altimira. Com Ricardo Esgaio pela esquerda e Eduardo Quaresma na direita, contando com o apoio de Geovany Quenda, a segunda parte continuou de sentido único, num ritmo quebrado apenas pelas paragens para as alterações. Já depois de Toral ter apostado em Santi Comesaña e Thierno Barry, Borges lançou Simões, Rayan e Rodrigo Ribeiro para os lugares de Harder, Morita e Trincão.

Na parte final do desafio, o Sporting continuou encostado às cordas e a conceder espaço e, com um remate de fora da área, Cabanes atirou para a bancada (82′). O jovem ponta de lança continuou a causar muito trabalho à defesa leonina e, no lance seguinte, apareceu isolado, mas Rayan Lucas recuperou a tempo de se colocar à frente do remate (84′). A fechar, Cabanes colocou a bola na cabeça de Moleiro que, completamente sozinho, atirou ao lado (90+4′), e ainda desferiu um remate forte por cima (90+6′). Com a vitória sentenciada, o Sporting levantou o Troféu Cinco Violinos pela décima vez e fechou com chave de ouro a pré-temporada (1-0).