Foi para a frente, andou para trás, esteve parado. Encontrou um sinal vermelho na primeira proposta, viu um sinal amarelo nas segundas e terceiras ofertas, acelerou finalmente (de vez) perante o sinal verde na quarta comunicação que foi colocada em cima da mesa. Confirmando indicações que saíram das conversas mantidas entre Sporting e Arsenal no domingo, dia 13, em dois momentos distintos, e ultrapassando a situação de impasse a que se chegou depois, o “problema” Viktor Gyökeres conheceu finalmente solução, com os clubes a chegarem a acordo para a transferência do avançado sueco para Londres nesta janela de mercado.
Numa primeira fase, o Arsenal colocou em cima da mesa 55 milhões de euros mais dez milhões de variáveis, numa abordagem que foi de imediato recusada sem margem para negociações. Na segunda investida, o clube inglês aumentou a parada, oferecendo 65 milhões de euros mais 15 milhões de variáveis que foram também negados pela Sporting SAD, aí com abertura suficiente para dizer que por mais cinco milhões fixos tudo podia avançar. Agora, o negócio acabou por avançar por menos que na verdade representa mais.
Quando o Arsenal se preparava para avançar com uma oferta de 70 milhões de euros fixos mais dez milhões de variáveis, valores suficientes para convencerem Frederico Varandas, presidente dos leões, um plano B acabou por surgir com benefício para ambos os clubes. Da parte dos londrinos, o negócio acabou por ser feito por 63,5 milhões de euros fixos mais dez milhões de variáveis, cinco de obtenção fácil ligada a participação em jogos oficiais e outros cinco relacionados com golos e objetivos desportivos. Do lado do conjunto verde e branco, o montante que entra em Alvalade é superior ao que poderia ser encaixado na versão anterior.
Caso tivesse avançado com essa oferta dos 65 milhões de euros fixos mais 15 milhões de variáveis, o Sporting iria ficar apenas com 54,4 milhões do negócio, tendo em conta que teria de pagar 10% de intermediação ao agente do jogador, Hasan Cetinkaya (6,5 milhões), mais os 10% de mais valia a que o Coventry tinha direito pelo acordo feito no verão de 2023 pelo nórdico (4,1 milhões de um total de 41 milhões de mais valia). No atual cenário, os leões recebem um encaixe bem superior. Porquê? Não têm de pagar qualquer comissão ao empresário do avançado, o que “poupa” 6,5 a sete milhões de euros, e baixam de forma ligeira o valor a pagar ao Coventry, que passa para os 3,95 milhões (porque a mais valia desce para 39,5 milhões). Contas feitas, e em vez dessa possibilidade de receberem 54,5 milhões, a SAD leonina arrecada 59,550 milhões.
Esse acabou por ser o passo decisivo para quebrar o impasse existente depois da segunda proposta que foi apresentada pelos gunners. Segundo apurou o Observador, a possibilidade de haver uma oferta de última hora vinda de Inglaterra acabou por pesar junto dos responsáveis do Arsenal para o negócio acelerar, mesmo havendo já um acordo com o jogador válido até junho de 2030, ao mesmo tempo que o empresário “cedeu” na sua parte tendo em conta a intransigência do Sporting e a posição em que estava nesta altura Gyökeres, sob alçada disciplinar do clube e sem perspetivas de integrar o estágio da equipa. Só assim o acordo começou a ser desbloqueado, quando as partes admitiam manter as posições por mais alguns dias.
O que emperrou depois o negócio para sustentar mais alguns capítulos da novela? Os dois pontos que ainda não tinham sido negociados. Por um lado, a possibilidade de pagamento dos 63,5 milhões de euros fixos em tranches, com o Sporting aberto à hipótese caso os londrinos avançassem com a compensação do factoring que seria feito em Alvalade para que o dinheiro entrasse na íntegra nas contas verde e brancas. Por outro, o que estava em causa nos dez milhões de euros variáveis acordados. Foi isso que deixou o negócio pendurado nos últimos dias, aumentando a tensão entre as partes quando o Arsenal apresentou uma oferta onde só três milhões seriam de fácil concretização, proposta prontamente recusada pelos responsáveis leoninos.
Foi isso que deixou tudo congelado por mais uns dias, com o acordo a ser fechado depois dessa quarta oferta que colocava os objetivos variáveis mais próximos do que era pretendido pelo Sporting, que queria receber mais de cinco milhões de euros da vertente variável em metas que fossem cumpridas dentro do exercício de 2025/26. Finalmente, vai haver “fumo branco”. Em termos práticos, os leões recebem 63,5 milhões de euros fixos sem pagamento de qualquer comissão a intermediários mais os dez milhões de variáveis com mais de 50% dos objetivos facilmente concretizáveis através de número de jogos e qualificação para a Liga dos Campeões em 2025/26, sendo que os restantes cinco milhões também entrarão nos cofres de Alvalade mais à frente. A par disso, o bolo “total” envolve mais 6,5 a sete milhões, relativos à liquidação da comissão do agente de Viktor Gyökeres, que poderá descer para que o jogador não tenha de abdicar dos dois milhões de euros que admitia deixar cair para facilitar o negócio no acordo global feito com os gunners até 2030.
???? EXCLUSIVE: Arsenal & Sporting CP on verge of total agreement for Viktor Gyokeres. €63.5 + €10m already struck but add-ons needed work – now finishing touches, conclusion imminent. #SportingCP striker wanted #AFC only; 5yr contract ready @TheAthleticFC https://t.co/eLGZRzMhdJ
— David Ornstein (@David_Ornstein) July 22, 2025
Viktor Gyökeres estava agora em Palma de Maiorca, depois de já ter passado também pela Grécia e pelo seu país, onde ficou no dia em que era suposto apresentar-se em Alvalade para seguir com a restante equipa para estágio em Lagos. Esta segunda-feira, o agente juntou-se ao avançado, que mantém a forma como trabalho específico feito com personal trainers. Mal foi conhecida a notícia de que o acordo entre Sporting e Arsenal estava muito próximo de chegar a bom porto, alguns jogadores dos gunners, como Myles Lewis-Skelly, fizeram a festa no estágio onde se encontram em Singapura, onde a formação de Mikel Arteta defronta esta quarta-feira o AC Milan (12h30) naquele que será o primeiro teste dos ingleses na digressão pela Ásia, com um vídeo partilhado nas redes sociais onde faz o gesto da máscara que é a imagem de marca do sueco.
Myles Lewis-Skelly reacts to Viktor Gyokeres HERE WE GO to Arsenal!???????? pic.twitter.com/OzrF88eFAY
— now.arsenal (@now_arsenaI) July 22, 2025
Mesmo dentro do atual enquadramento, Gyökeres, que foi a contratação mais cara de sempre do Sporting quando chegou a Alvalade por 20 milhões de euros mais quatro variáveis por objetivos que foram alcançados na íntegra, torna-se a maior venda de sempre dos leões e entra no top 5 das maiores transferências do verão, atrás de Florian Wirtz (Liverpool) e Mbeumo e Matheus Cunha (Manchester United), com essa nuance de ser uma transferência que, após objetivos, poderá ficar apenas atrás do alemão e do camaronês – pelo menos enquanto não existem novidades sobre um novo avançado para o Liverpool, seja ele Alexander Isak ou Hugo Ekitike. Em termos líquidos, à parte do contributo desportivo de peso para a conquista de dois Campeonatos e de uma Taça, o sueco rendeu de 30 milhões de lucro entre o custo de transferência e a venda, valor a que se têm de acrescentar depois todos os bónus por objetivos desportivos alcançados até 2027.
Arsenal have themselves a goal-scoring monster in Victor Gyökeres ???????????? pic.twitter.com/7YMpRyU7C3
— OneFootball (@OneFootball) July 22, 2025
Nesta altura, a única parte que falta ainda para fechar o anunciado acordo é a chegada a Alvalade da oferta que vai ao encontro das pretensões do Sporting, o que irá ocorrer nas próximas horas. Em paralelo, os leões continuam a negociar Luis Suárez com os espanhóis do Almería, com o colombiano a ser o mais do que provável sucessor do número 9 depois de ter sido definido como plano A pela estrutura verde e branca para juntar-se a Conrad Harder como opções mais ofensivas do plantel. Ao mesmo tempo que as conversas com a formação da Segunda Liga prosseguem, existem outras pastas a serem trabalhadas como a questão do reforço da ala esquerda do ataque. Tzolis perdeu força depois da renovação de contrato com o Club Brugge até 2029 mas existem outros jogadores referenciados não só em ligas mais periféricas mas também nas Big Five.
[É sábado. No lobby de um hotel de Albufeira um assassino misterioso espera junto ao bar por um convidado especial: representa a Organização para a Libertação da Palestina. Quando o vê entrar, o terrorista dispara quatro tiros e foge. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]