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Antes de visitar a sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), a ministra da Administração Interna respondeu irritada aos jornalistas quando revelou, sem o conhecimento da Proteção Civil, que iria visitar a sede da autoridade em Carnaxide, Oeiras, para estar informada sobre o combate aos incêndios. Cerca de uma hora depois, já finalizada a visita, na companhia do primeiro-ministro, Maria Lúcia Amaral desvalorizou a falta de meios aéreos no combate às dezenas de incêndios registados em todo o País.

“A complexidade das operações é tal que não ajuda nada saber quantos meios aéreos temos. Temos 75 meios aéreos, ou um pouco mais. Temos imediatamente disponíveis 72. É preciso compreender que intervir nestas circunstâncias pressupõe saber. (…) É preciso ter muito reconhecimento pelos saber destas pessoas, por aquilo que arriscam”, detalhou, assumindo que “não faltam” meios aéreos.

Ao olhar para os incêndios que mais afligem os portugueses esta terça-feira, a ministra disse que “a intervenção dos meios aéreos” seria irrelevante, uma vez que as dificuldades do combate, segundo a governante, residem “nos problemas da orografia acidentada” e nas “dificuldades de acesso” às frentes de incêndio.

“Não queríamos nada que isto acontecesse no nosso País, como não queríamos que acontecesse no Sul da Europa”, respondeu, quando questionado sobre “o que falhou” no combate às chamas, dificultado pelo facto de não se conseguir dominar o fogo rapidamente. “Nós, neste momento, falamos de 3 ou 4 focos de incêndio graves e mais de 125 ocorrências. (…) É um problema de todos e só vai ser resolvido quando todos contribuírem”, acrescentou, em concordância com o chefe do Governo.

Depois de terem sido recordadas declarações antigas de Montenegro — que, em setembro de 2024, prometeu uma perseguição do Estado aos incendiários — a ministra apontou para as mais de 41 ignições entre a 1h e as 8h. “Isso não pode acontecer, de todo. Alguns são por negligência”. Mas não apontou o dedo apenas aos criminosos: “Não podemos dizer que estas ignições que acontecem durante a noite sejam elas todas criminosas. Não sei. Algumas serão. Crime previne-se e quando não se consegue prevenir, reprime-se. Terão que ser investigados e punidos como quaisquer outros crimes”. Reiterou que não se sabe “se tudo ocorre por mão criminosa” e falou em “prática ancestrais” que complicam o trabalho dos operacionais.

Montenegro promete perseguir criminosos que incendeiam florestas

No início do discurso, acompanhada por Luís Montenegro, a ministra da Administração Interna assumiu que também ela, “como a maior parte das pessoas” não domina o tema do combate aos incêndios, mas vincou que foi por esse motivo que se dirigiu, com o primeiro-ministro, à sede da Proteção Civil: “foi por isso que cá viemos, para obter informações”. “Oportunidade de conversas com responsáveis deu-nos uma imagem, mas pequena imagem, da complexidade de todas as operações”, resumiu Maria Lúcia Amaral.

Antes de Maria Lúcia Amaral falar, Montenegro assumiu que Portugal está a passar “por um período complexo” no que diz respeito aos grandes incêndios que mobilizam centenas de bombeiros esta terça-feira. “Temos todo o nosso dispositivo em prontidão para poder responder de forma mais célere e eficiente possível”. Na sede da Proteção Civil, em Carnaxide, Luís Montenegro reforçou que “este é um combate de todos”. ” Todos devemos seguir as orientações que as autoridades vão emitindo”, concluiu.

[Horas depois do crime, a polícia vai encontrar o assassino de Issam Sartawi, o dirigente palestiniano morto no átrio de um hotel de Albufeira. Mas, também vai descobrir que ele não é quem diz ser. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o segundo episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro aqui]

Quando anunciou visita à sede da Proteção Civil, ministra irritou-se

Maria Lúcia Amaral, ministra da Administração Interna, falou aos jornalistas na manhã desta terça-feira, e decidiu anunciar que vai com o primeiro-ministro à sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Carnaxide. Quando questionada sobre se se iria inteirar da situação dos incêndios em Portugal, a ministra respondeu que já está inteirada, mostrando alguma irritação com as perguntas dos jornalistas.

“Combinámos agora mesmo, atendendo à situação crítica que se vive, sobretudo no Norte do país, que iremos os dois já para a sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil”, afirmou a ministra, dirigindo-se à comunicação social. “Vamos porque ambos queremos informar-nos completamente do que acontece e do que deve ser esperado dado que a situação não parece abrandar”, acrescentou.

“Estamos inteirados da situação, mas decidimos agora mesmo ir lá à sede da Proteção Civil e eu peço aos senhores, por uma questão de cortesia perante os responsáveis da Proteção Civil, que acabaram por saber deste modo que lá vamos, que me dispensem o tempo de ir, para que eles se preparem”, atirou a ministra.

Maria Lúcia Amaral falou à margem da cerimónia de Compromisso de Honra do 20.º Curso de Formação de Agentes da PSP, em Torres Novas, que assinalou a entrada de 400 novos agentes na força policial. Não adiantou, no entanto, se haverá reforço imediato de meios aéreos, uma das principais reivindicações dos autarcas das zonas afetadas.

[Notícia atualizada às 15h33 com as declarações da ministra da Administração Interna após a visita à sede da Proteção Civil]