O INEM pagou 6600 euros anuais em horas extraordinárias aos seus trabalhadores no ano passado, o equivalente a 77 a 84 dias de trabalho adicional, refere o relatório da auditoria que a Inspeção-Geral de Finanças (IGF) realizou ao funcionamento do instituto, citado pelo jornal Público. O relatório confirma também uma realidade já largamente identificada: a deterioração do desempenho do INEM, consequência da falta de recursos humanos.

“Ensaiando a equivalência entre as horas de trabalho suplementar que em média cada trabalhador efetuou para uma duração do período normal de trabalho de sete horas/dia, resulta que cada trabalhador prestou entre 77 e 84 dias de trabalho a mais”, aponta o relatório da IGF, destacando a diminuição no número total de trabalhadores do instituto nos últimos três anos.

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Em 2021, o INEM tinha 1342 trabalhadores, mais 2,8% do que os 1304 que faziam parte dos quadros em 2024. No entanto, nem todas as classes profissionais perderam trabalhadores. Enquanto o número de médicos e enfermeiros aumentou no período em análise, o número de técnicos de emergência pré-hospitalar diminuiu 9% (de 957 para 871 profissionais).

O relatório da IGF destaca que a direção do INEM decidiu, perante a escassez de trabalhadores, dar “autorização do pagamento de trabalho suplementar efetivamente prestado”. No entanto, os limites para pagamento de horas extra foram ultrapassados, o que poderá vir a gerar responsabilização financeira dos responsáveis do INEM.​ No caso dos médicos e enfermeiros, há situações em que o valor das horas extra pago em 2024 variou entre os 45 e os 97 mil euros.

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Entre 2021 e 2024, o INEM gastou mais de 28 milhões de euros no pagamento de horas extraordinárias.

O relatório da IGF confirma também uma realidade já largamente identificada e noticiada: a deterioração dos indicadores de desempenho, nomeadamente o aumento do número de chamadas perdidas. Se em 2021, o instituto apenas perdeu cerca de 16 mil chamadas, em 2024 esse valor disparou mais de 700%, sendo que foram registas mais de 133 mil chamadas perdidas.