O número de utentes inscritos nos centros de saúde atingiu, em julho, o valor mais elevado de que há registo: são agora 10 milhões e 635 mil pessoas. Só no último ano, inscreveram-se mais cerca de 220 mil pessoas.

Segundo os dados do Portal da Transparência, consultados pelo Observador, o número de utentes inscritos nos cuidados de saúde primários — que tem vindo a aumentar desde março de 2024 — alcançou, em julho, um recorde absoluto, com mais de 10,6 milhões de inscritos.

Em julho do ano passado, os centros de saúde tinham 10 milhões e 412 mil inscritos, o que significa que, em apenas um ano, há mais 223 mil pessoas a constar do Registo Nacional de Utentes e que, por isso, pediram acesso a uma equipa de saúde familiar (constituída por médico e enfermeiro de família).

Utentes sem médico de família voltam a aumentar e situação vai piorar. Último concurso só preencheu 30% das vagas em Lisboa

Apesar do aumento significativo de inscritos, o número de utentes sem médico de família até baixou entre julho de 2024 e julho de 2025. Nesse período, diminuiu em 140 mil o número de pessoas a aguardar a atribuição de médico — uma evolução positiva explicada apenas pelos dados de julho de 2025, que já refletem a entrada em funções de cerca de 230 médicos de família recém-especialistas.

Desta forma, em julho, estavam sem médico atribuído um milhão e 508 mil pessoas, em comparação com um milhão e 670 mil registados no final de junho. Esta quebra, num intervalo de apenas um mês, acontece todos os anos, quando os médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar contratados pelo SNS iniciam funções e recebem uma lista de utentes. No entanto, este efeito é provisório e vai-se esbatendo nos meses seguintes. Em 2025, o número de médicos colocados (231) foi o mais baixo dos últimos quatro anos, o que indicia que a situação não vai melhorar a médio prazo.

A 1 de abril de 2025, entraram em vigor as novas regras de inscrição nos cuidados de saúde primários, que dão prioridade às famílias com grávidas ou doentes crónicos e crianças até 12 anos. Em relação ao anterior despacho, de 2023, a idade das crianças com prioridade na atribuição de médico de família subiu dos dois para os 12 anos.

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