O primeiro-ministro Luís Montenegro interrompeu as férias para, no decurso de uma ação em Faro, anunciar ao país que a situação de alerta prolongada foi prolongada por mais 48 horas, ou seja, até às 23:59 de sexta-feira, 15 de agosto.

“(…) Atenta a previsão meteorológica para os próximos dias, o Governo decidiu hoje prolongar por mais 48 horas a situação de alerta, que devia terminar amanhã (quarta-feira) às 23:59, e que, portanto, se vai prolongar até às 23:59 de sexta-feira, dia 15”, afirmou.

A situação de alerta vigente no país, recorde-se, já tinha sido prolongada até 13 de agosto, quarta-feira, tendo sido instaurada no dia 3.

Uma nota do Ministério da Administração Interna (MAI) divulgada ao final da tarde adianta que “todas as medidas de caráter excecional, outrora implementadas, serão mantidas durante este período”.

Segundo o comunicado, “esta decisão resulta das previsões de condições meteorológicas adversas até ao final de sexta-feira, o que, nas atuais circunstâncias, implica um risco muito elevado de propagação de incêndios rurais”.

“Acresce que a vigência da situação de alerta, e as respetivas proibições, tem efetivamente contribuído para uma redução relativa das ignições”, afirma o Governo, acrescentando que esta decisão “vai permitir manter, por um lado, um dispositivo operacional reforçado e, por outro, o reforço das ações de vigilância e fiscalização por parte da GNR, PSP e das Forças Armadas”.

A mesma ideia ficou patente nas palavras de Luís Montenegro, a falar na inauguração de fogos de habitação para realojamento em Faro. Segundo Luís Montenegro, a decisão deveu-se a uma avaliação do “efeito que a situação de alerta tem provocado em termos da diminuição dos riscos”, justificando-se também devido à “severidade que teremos ainda amanhã e nos dois seguintes”.

“Esperemos que, esgotado este período, possamos aliviar estes condicionalismos e possamos retomar a nossa vida quotidiana”, afirmou ainda.

Montenegro diz compreender indignação de quem vive drama dos fogos

O primeiro-ministro manifestou ainda solidariedade com a população afetada pelos incêndios, especialmente a todos os que “mais diretamente têm sofrido os efeitos das chamas” e o seu” “apoio” para “poderem ultrapassar e superar” as dificuldades que enfrentam.

Montenegro lamentou também os “dramas” vividos por muitos cidadãos que têm sido afetados por episódios de “extrema violência em termos de incêndios florestais”, apesar de o Governo ter “tentado com múltiplas políticas e iniciativas diminuir em termos de impacto” o seu alcance.

A esse respeito, o primeiro-ministro foi questionado pelos jornalistas sobre as críticas do presidente da Câmara de Vila Real, Alexandre Favaios, que afirmou esta segunda-feira estar na hora de ouvir a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e o Governo sobre o incêndio que há 11 dias consome o concelho em “lume brando”, após uma forte reativação verificada na tarde de segunda-feira.

Confrontado com as críticas, em declarações aos jornalistas à margem da cerimónia de inauguração de um conjunto habitacional em Faro, Luís Montenegro acrescentou: “Nós estamos a dar tudo aquilo que temos para dar, estamos a fazer um esforço enorme e vamos continuar a fazer”, referiu.

“Nós compreendemos que aqueles que têm sido confrontados com este drama possam às vezes ter manifestações de indignação, é normal, mas a verdade é que todos nós estamos a dar o máximo, todos nós queremos e vamos continuar a dar o máximo”, continuou, acrescentando que o Governo está concentrado em diminuir riscos e em encontrar melhores respostas.

“Todos nós temos um espírito de unidade e solidariedade neste momento para podermos evitar perdas, para podermos diminuir o impacto negativo de um fenómeno que infelizmente não conseguimos travar, apesar de todo o esforço que temos vindo a fazer”, concluiu.

O chefe do executivo salientou ainda o “imenso reconhecimento” que o Governo tem com o trabalho realizado por bombeiros, agentes da proteção civil, forças de segurança e Forças Armadas no combate aos incêndios, mas também o labor desempenhado por autarcas municipais, das freguesias, voluntários e movimento associativo.

“Tem sido um esforço enorme, coletivo, que tem, de alguma maneira, atenuado os efeitos daquilo que é, muitas vezes, uma luta absolutamente desigual”, reconheceu, agradecendo o empenho a todos os que participam no combate aos incêndios.

*com Lusa