A caminhar pela rua Nova de São Mamede, uma perpendicular da rua da Escola Politécnica, no Príncipe Real, há quem possa perceber a mudança na porta do número 13. Onde antes funcionava um bar de vinhos já fechado há muito tempo, está agora a nova concept store que mistura joalharia e cerâmica. Em comum estão os produtos feitos à mão, inspirados em arte, design e arquitetura.
O convite partiu de Sofia Esquivel, fundadora da esquivel., marca de joias criada em 2021. “Senti que estava a precisar de uma loja física. Queria uma zona que não fosse 100% locais, nem 100% turístico. E quando andava à procura de espaços, queria algo mais pequeno. Mas então encontrei este espaço, e já tinha visto muitos durante os sete meses em que estive à procura. Liguei-lhes. Eles não estavam nada à espera”, recorda Sofia, que conta o que disse a Isac e Diogo ao telefone. “Olha, fui ver esta loja, mas é um bocadinho grande. E estava a pensar, adoro a vossa marca. Acho que tem tudo a ver, temos os mesmos backgrounds, tem tudo a ver a geometria, a arquitetura, as referências.”
▲ Sofia Esquivel, fundadora da joalheria esquivel., Isac Coimbra e Diogo Ferreira, fundadores da GRAUº
André Nave
Isac assume que a ideia apanhou ambos de surpresa. “Foi lançado assim o desafio. Ter um espaço físico era uma coisa que nós, a nível de marca, nunca nos tínhamos visto, ou pelo menos não para já”. Contudo, Isac e Diogo decidiram arriscar, considerando importante o contacto direto com os clientes, num espaço com “a parceria certa”. “A loja permite-nos ao mesmo tempo ter um espaço que funcione como um showroom para peças maiores e para ilustrar para as pessoas, já que fazemos muitos projetos por encomenda.”
Sofia, Diogo e Isac conheceram-se em 2021 numa feira no Centro Cultural de Belém e, desde então, acompanham os trabalhos uns dos outros. Contudo, ainda não tinham feito nenhum projeto juntos até o convite chegar, em abril deste ano. Ao longo do mês de maio os três trabalharam na ideia do que seria a loja conceito. Entretanto, quem vê o resultado não imagina o que se passou nos bastidores. “O espaço estava muito mal. A aparência era assustadora, por ter ficado fechado durante imenso tempo. Praticamente só tinham balcões, equipamentos, e era todo roxo, como a cor do vinho”, conta Diogo. “O interessante é que todos nós temos algum background em arquitetura. A Sofia e eu somos arquitetos de formação, o Diogo, designer de interiores. Então, as três sinergias resultaram muito bem”, explica Isac, sobre o projeto da loja. “Numa das primeiras visitas, logo que viemos cá, tínhamos esta ideia quase de um conceito de ying e yang de duas cores, que representassem as duas marcas a funcionar no mesmo espaço. E foi por isso que depois acabou por ter este impacto do terracota e do creme”, diz Diogo.
[Governo decide que é preciso invadir a embaixada para pôr fim ao sequestro. É chamada uma nova força de elite: o Grupo de Operações Especiais. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. Ouça no site do Observador o quinto episódiodeste podcastplus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]
O espaço minimalista destaca as criações das duas marcas. Do lado da GRAUº, o fundo creme deixa em evidência as peças em cerâmica para pendurar na parede ou decorar, com um painel mostruário que permite várias alturas e posições. “As paredes passam o produto da marca, e o centro do espaço é quase uma partilha de experiências de criatividade. Vão aqui haver vários eventos à volta desta mesa. Seja workshops, seja catering para a inauguração, seja uma mesa de mood board com clientes para conseguirmos personalizar as peças”, diz Diogo, sobre a mesa central desenhada pelos três para a loja. “A ideia é esta mesa ser um espaço de comunhão e criatividade. É o centro, o coração da loja.”
▲ Todos os detalhes e peças do espaço foram projetados por Isac, Diogo e Sofia, que têm backgrounds em arquitetura e design de interiores
André Nave
Já do lado da esquivel., o terracota destaca a prata reciclada das peças com desenhos inspirados em grandes obras da arquitetura moderna. Sofia viveu sete anos em Londres, onde trabalhou num coletivo de artistas e designers que faziam peças sob encomenda, com cenografia e também estudou joalharia. “Já trabalhava muito com coisas esculturais, mas em escalas diferentes. Ou seja, eu saí da arquitetura, que é uma escala grande, depois fui trabalhar para uma escala mais de escultura, instalações interativas, de luz, grandes, outras pequenas, e a joalharia era o meu hobby em Londres.” Agora produz coleções limitadas e sem género, além das peças sob encomenda, principalmente anéis de noivado. Na nova loja, quer receber os clientes para mostrar as peças e discutir as personalizações.
Mas a parceria pode ir além. Uma coleção conjunta “já está na to-do list”, assume Isac, que diz que até o final do ano as duas marcas esperam poder juntar cerâmica e joalharia em novos produtos. “Ainda estamos na fase de esboços iniciais, falar em ideias”. Já Diogo confessa que “abrir um conceito desta loja em outro sítio” pode ser um objetivo a médio prazo. “Acho que cada marca tem os seus objetivos. Juntos, é fazermos mais colaborações entre nós“, diz a fundadora da esquivel., que para já se mostra feliz com o resultado de pouco mais de uma semana em soft opening no Príncipe Real. “As pessoas entram e dizem que se sentem muito inspiradas, porque é um espaço criativo, fora da caixa”.