Capturada por Steven Meisel e realizada por Damien Krisl, a campanha de lançamento de La Beauté é protagonizada pela embaixadora da maison francesa, a atriz e modelo coreana Hoyeon, juntamente com as modelos Ida Heiner, Chu Wong e Awar Odhiang. Mas esta quarta-feira, dia em que a nova gama de cosmética já chegou ao mercado chinês (no dia 29 de agosto terá o seu lançamento mundial) o que marcou a agenda na estreia do segmento de beleza premium para a Vuitton foi a fasquia dos preços agora conhecida — e muitos se interrogam desde logo: a quem se dirigem e como irão a indústria e o mercado reagir a este nível de preços.

A coleção oferece uma gama de 55 tons de batons LV Rouge (que facilmente ascendem aos 140 euros), dez expressões de lip balms LV Baume (por 137 euros) e oito sombras de olhos LV Ombres (etiquetadas a 230 euros).

Com a direção criativa da make up artist Pat McGrath, os produtos, avança a marca, “são formulados com ingredientes de elevada qualidade e apresentados em embalagens sustentáveis e recarregáveis desenhadas por Konstantin Grcic”, e tanto incluem óleo de camélia como uma cera upcycled proveniente de Grasse, o coração francês da perfumaria. Claro que o packaging acompanha o target e não esquece o célebre monograma, incorporando os motivos Damier e apontando aos populares unboxings nas redes.

A incursão na beleza, avançada em março, não é um campeonato propriamente novo para a Louis Vuitton. Basta pensar como a mais que centenária marroquinaria da maison francesa se acomodou a acessórios como frascos de perfume, espelhos, pincéis e outros aliados de beleza. Desde a sua fundação a marca apostou em baús, estojos e outras peças concebidos para o transporte de artigos delicados do dia a dia, um segmento em evidência nos anos 20 do século passado, expoente da modernidade. No arquivo da marca contam-se criações como Le Milano, um kit feito à medida para a soprano Marthe Chenal, e um nécessaire criado para o compositor polaco Jan Paderewski. Chegados a 2025, também haverá uma variedade de pequenos artigos de couro, incluindo bolsas para levar o seu batom e protetores para as paletas coloridas.

Das matérias-primas à exclusividade, são vários os elementos que têm contribuído para motivar a escalada de valores na galáxia da cosmética, a começar pelo segmento da perfumaria, como em tempos o Observador enquadrou. E não é menos verdade que outros pesos pesados do ultra luxo do conglomerado LVMH, como a Dior ou a Guerlain, já lideraram outros lançamentos valiosos, fosse uma edição especial de um batom por quase 500 euros ou uma fragrância limitada que excedeu os 26 mil euros. Para não falar que os próprios perfumes da Vuitton facilmente chegam aos 300 euros (ou mesmo o dobro, se pensarmos na ultra premium Les Extraits). Mas também é certo, nota o setor, que os pequenos items de cosmética costumam ser a porta de entrada dos consumidores mais modestos nas grandes e inacessíveis casas de luxo (algo que se complica com este posicionamento) — os valores agora avançados conseguem ultrapassar a mais luxuosa das seleções até aqui conhecida. Basta pensar num batom acetinado da francesa Hermès (que ronda os 70 euros) ou na japonesa Clé de Peau (em linha com os anteriores). É esperar para ver a receção no TikTok — e os números das vendas.

[Governo decide que é preciso invadir a embaixada para pôr fim ao sequestro. É chamada uma nova força de elite: o Grupo de Operações Especiais. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. Ouça no site do Observador o quinto episódiodeste podcastplus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]