Há cada vez mais pensões acima dos cinco mil euros na Função Pública, mostram os números mais recentes da Caixa Geral de Aposentações citados pelo Jornal de Notícias. Só entre janeiro e setembro deste ano, houve mais 393 funcionários públicos a passarem para a reforma nesse escalão, mais 30 do que em igual período de 2024.
O caso mais emblemático é o de Alberto Pimenta, antigo diretor dos CTT para o comércio digital, que se aposentou em janeiro com uma pensão bruta mensal de 9.570,94 euros — a mais alta das 13.522 registadas nos primeiros nove meses do ano. Pimenta, que esteve ligado durante três décadas à empresa pública, é a exceção numa lista dominada por juízes e médicos hospitalares.
Logo a seguir surge o médico Álvaro Monteiro, ex-vice-presidente da Câmara de Espinho, reformado em abril com 8.822,35 euros. Em terceiro lugar está o juiz conselheiro Lopes da Mota, que saiu do Supremo Tribunal de Justiça em março com 8.056,34 euros de pensão, ao fim de quase 50 anos de carreira na magistratura. Também foi secretário de Estado da Justiça entre 1996 e 1999, no primeiro governo de António Guterres.
Na base da tabela, porém, há um grande contraste: uma professora aposentou-se com apenas 20,67 euros mensais, reflexo de poucos anos de descontos. Casos semelhantes repetem-se, apesar de o valor médio das pensões ter subido para 1.966 euros — mais 4% do que no mesmo período do ano passado.
Entre os novos reformados surgem também nomes da política, todos ligados ao PS. As ex-deputadas Rosário Gambôa, Margarida Marques e Maria Antónia de Almeida Santos entraram este ano para a lista, com pensões que variam entre os 3.276 e os 4.594 euros.