Numa entrevista ao Financial Times este domingo, 31 de agosto, Ursula von der Leyen garante que a Europa tem um “plano bastante preciso” para enviar tropas — “dezenas de milhares” que vão compor um exército multinacional — para a Ucrânia como parte das garantias de segurança pós-conflito. E que o plano, que está a ser desenvolvido por militares de diferentes países europeus, conta com o “apoio” de Trump.
Apesar de falar numa “presença” dos Estados Unidos como parte desse “apoio”, não é claro que isso signifique que as forças armadas norte-americanas estarão em território ucraniano. Recorde-se que Donald Trump recusou em agosto, poucos dias após a Cimeira de Washington com os líderes europeus, a presença de tropas americanas e até de forças da NATO como medida de assegurar a segurança da Ucrânia num cenário pós-guerra
Von der Leyen diz que Europa tem “plano preciso” para enviar tropas para a Ucrânia
Está marcada para a próxima 5.ª feira uma cimeira em Paris entre o Presidente francês Emannuel Macron, o chanceler alemão Friedrich Merz, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, a própria von der Leyen e Mark Rutte (secretário-geral da NATO) — um passo decisivo para a concretização do plano europeu.
“Exército multinacional” conta com o “apoio dos norte-americanos”
De acordo com Von der Leyen, as “garantias de segurança são primordiais e absolutamente cruciais. Temos um caminho claro a seguir e um acordo com a Casa Branca… e este trabalho está a correr muito bem”, afirmou von der Leyen, que diz ter o apoio dos EUA.
A presidente da Comissão Europeia afirmou que as capitais europeias estão “a trabalhar em planos para um exército multinacional com o apoio dos norte-americanos”. “O Presidente Trump assegurou-nos que haverá uma presença norte-americana como parte deste apoio. Isto ficou muito claro e foi afirmado repetidamente”, enfatiza a responsável europeia.
As tropas poderão ser formadas por dezenas de milhares de militares europeus, com a assistência dos EUA, incluindo o comando e o controlo de sistemas de monitorização e apoio dos serviços secretos, um acordo que terá sido firmado entre Trump, Zelensky e outros líderes europeus no mês passado.
Na entrevista Ursula von der Leyen disse ainda que na última semana os responsáveis pelas defesas dos países que fazem parte da “coligação de boa vontade” de apoio à Ucrânia encontraram-se e “trabalharam em planos bastante precisos”, que incluíram a discussão de “itens necessários para a criação funcional das tropas”.
“É claro que serão necessárias decisões políticas dos respetivos países, porque deslocar tropas é uma das decisões de soberania mais importantes de uma nação”, assinalou, destacando que “o senso de urgência é muito grande e está a aumentar. Está mesmo a tomar forma”.
O objetivo será fortalecer o exército ucraniano num cenário pós-conflito, o que representaria o núcleo da força de dissuasão. Para tal, além do envio de tropas, Ursula von der Leyen justificou que a comissão europeia exploraria novas fontes de financiamento para fornecer o custeio “sustentável às forças armadas ucranianas como… uma garantia de segurança”. Isso porque depois de um acordo de paz, Kiev precisaria de “um número considerável de soldados com bons salários e equipamentos modernos… é lógico que será a União Europeia que terá de contribuir”.
Cimeira em Paris será decisiva para a concretização do plano europeu
Na próxima quinta-feira, Emmanuel Macron deverá receber em Paris os mesmos líderes que se encontraram com Trump, incluindo o chanceler alemão, Friedrich Merz, o primeiro-ministro Keir Starmer, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte e a própria von der Leyen, revela o Financial Times (FT) no texto da entrevista a Ursula von der Leyen.
O jornal económico inglês confrontou o Palácio do Eliseu, sede da Presidência da República francesa, com a informação mas fonte oficial recusou comentar.
Na mesma entrevista ao FT, Von der Leyen dá a entender que Donald Trump não confia em Vladimir Putin. O Presidente norte-americano “quer a paz e Putin não vai à mesa de negociações… [Trump] Teve uma experiência negativa com Putin. Cada vez mais, Putin não faz o que diz“.
Para marcar a diferença em relação a Putin, a presidente da Comissão Europeia fez questão de recordar que “tivemos no último mês várias reuniões” com os Estado Unidos “em que ficou óbvio que se pode confiar nos europeus“. “Está claro que quando falámos, fazemos”, afirma, numa referência ao aumento do investimento da União Europeia em Defesa.
Foi acordado na última Cimeira da NATO que os aliados europeus irão aumentar o investimento em Defesa dos atuais 2% do PIB de cada um dos países para 3,5% do PIB — meta que é uma exigência de Donald Trump e que deverá ser cumprida até 2035.