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O sismo de 6.0 na escala de Richter que atingiu o Afeganistão acordou a população quando faltavam poucos minutos para a meia-noite. Foi um estrondo enorme que fez Hameed Jan saltar da cama, numa casa pequena em Piran, na região de Kunar. As rachas na parede fizeram-no temer o pior.

“Saltei da cama e corri até onde meus filhos e meus pais estavam a dormir,” conta Jan ao The Guardian. Conseguiu resgatar dois filhos, levou-os para fora de casa para que ficassem em segurança, e voltou a entrar para salvar mais gente. “As paredes desabaram sobre mim”, recorda, mas ficou consciente e tentou libertar-se dos escombros durante horas a fio. Foram necessárias cinco horas para que o encontrassem e retirassem do local. A mulher, dois filhos e dois irmãos morreram. A vila onde vivia, pobre e em terreno montanhoso, ficou debaixo de pó.

As casas, maioritariamente feitas de bairro, cederam ao abalo e o facto de o sismo ter sido de noite, quando grande parte da população dormia, prejudicou a capacidade de fuga. “Parecia que a montanha inteira estava a desabar sobre nós”, continua Jan, concluindo que a vila foi “completamente devastada” e que as “áreas residenciais foram apagadas do mapa”.

As histórias multiplicam-se e apenas os rostos mudam. Também Sadiqullah conta à Associated Press, através do hospital, que acordou com um enorme barulho, correu para salvar os filhos e resgatou três deles. Ficou igualmente soterrado e não conseguiu sair até ser retirado. Morreram a esposa e dois outros filhos, tem o pai no hospital.

Também ao jornal Guardian, Sanaullah explica que estava fora da vila quando tudo aconteceu. Ao regressar encontrou uma casa reduzida a entulho e soube que o irmão e os cinco filhos tinham morrido. “Todas as pessoas que conheço perderam pelo menos três a cinco membros da família”, explica, de tal forma que um membro da igreja local dá conta de que “o número de mortes é tão alto que os cemitérios estão esgotados e os moradores estão a cavar as covas antecipadamente”.

“As pessoas pobres desta região perderam tudo,” relata Muhammad Aziz, trabalhador no distrito de Nur Gul, em Kunar. “Há morte em cada lar, e sob os escombros de cada teto, há corpos. As casas de barro desapareceram e a destruição está por toda parte. As pessoas estão desesperadas por ajuda.”

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