A China realiza na quarta-feira, em Pequim, uma grande parada militar para assinalar os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, com destaque para mísseis, caças e armamento exibido pela primeira vez ao público.
O Presidente chinês, Xi Jinping, que lidera o Partido Comunista e a Comissão Militar Central, vai passar revista às tropas e proferir um discurso na emblemática Praça Tiananmen.
Cerca de duas dezenas de líderes estrangeiros estarão presentes, incluindo os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e do Irão, Masoud Pezeshkian. Aliás, o chefe de Estado norte-coreano já chegou à China, no seu famoso comboio blindado.
Segundo fontes militares chinesas, grande parte do armamento a ser exibido — incluindo armas estratégicas terrestres, marítimas e aéreas, equipamento de guerra de precisão avançado e veículos aéreos não tripulados (“drones”) — será mostrado ao público pela primeira vez. Estão previstas formações aéreas com aviões de combate e helicópteros.
O evento será altamente coreografado e decorrerá sob forte controlo de segurança. O público está impedido de assistir presencialmente ao desfile, com barreiras montadas a uma quadra do percurso e edifícios comerciais encerrados até ao fim da cerimónia. A maior parte da população deverá acompanhar a transmissão por televisão ou ‘online’.
Esta é a primeira grande parada militar organizada pela China desde 2019, quando se assinalaram os 70 anos da fundação da República Popular. O desfile visa transmitir confiança à população quanto à capacidade de defesa do país, num contexto de crescentes tensões regionais e preocupações internacionais face ao reforço militar de Pequim.
Robert Fico, o único líder da União Europeia com presença confirmada
Apesar da presença de alguns líderes do Sudeste Asiático, vários chefes de Estado de países ocidentais e vizinhos da China — incluindo os Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Índia — não estarão presentes. O Presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, cancelou a deslocação devido a protestos internos.
Entre os presentes na cerimónia estará o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico — o único líder da União Europeia com presença confirmada –, que afirmou antes da partida que pretende “prestar homenagem a todos os que se sacrificaram na guerra contra o fascismo” e saudar o povo chinês.
O Presidente sérvio, Aleksandar Vucic, chegou já esta terça-feira ao país que tem visitado com frequência e que descreve como “o amigo mais precioso” da Sérvia.
Belgrado foi um dos primeiros governos europeus a aderir à iniciativa chinesa Faixa e Rota e, em 2024, os dois países elevaram as relações ao estatuto de “comunidade de futuro partilhado”, após a assinatura de uma declaração conjunta entre Vucic e o homólogo chinês, Xi Jinping, durante a visita deste último à Sérvia.
Os presidentes do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, e do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev, bem como o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, viajaram para Pequim desde Tianjin (norte), onde participaram recentemente na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai.
O desfile começa às 9h00 locais (2h00 em Lisboa) de quarta-feira e deverá durar cerca de uma hora e dez minutos, com a participação de 45 formações militares e um sobrevoo de aeronaves.
Nas últimas semanas, Pequim tem estado sujeita a restrições no trânsito, alterações no funcionamento dos transportes públicos e reforço da presença policial, enquanto as autoridades finalizam os preparativos para o evento.
A Segunda Guerra Mundial decorreu paralelamente à invasão japonesa da China (1931–1945) e à guerra civil entre nacionalistas e comunistas (1927–1949), que declararam uma trégua temporária para combater conjuntamente as forças japonesas.