Um homem natural de Aveiro gravou um vídeo a pedir “500 euros” pela cabeça dos cidadãos brasileiros que vivem em Portugal. “Estejam legais ou ilegais. Já que é para esculhambar o português, então o português também tem de começar a usar as mesmas armas”, disse o pasteleiro. A conta de Tiktok do homem — chefe1lince — foi entretanto apagada, mas não travou as críticas que se seguiram.
A padaria onde trabalhava o homem anunciou nas redes sociais que o mesmo seria despedido. No Instagram, a empresa esclareceu que “a pessoa envolvida nos vídeos já não faz parte da equipa”. “Na padaria Variante, não aceitamos, nem compactuamos com qualquer forma de racismo. Agradecemos a compreensão de todos e seguimos de portas abertas.”
Noutra publicação nas redes sociais, a padaria frisou que a equipa é formada por “pessoas de diferente origens”: “Temos muito orgulho da diversidade que nos caracteriza. Condenamos qualquer atitude racista e reiteramos o nosso compromisso em manter um ambiente de respeito e inclusão”.
As declarações do pasteleiro foram criticadas nas redes sociais e chegaram mesmo à imprensa brasileira. Ao jornal Globo, Sónia Gomes, fundadora da Associação de Apoio a Emigrantes, Imigrantes e Famílias (AAEIF), anunciou que vai apresentar queixa ao Ministério Público. “Zero tolerância”, garantiu.
No mesmo sentido, a presidente da Casa do Brasil de Lisboa, Ana Paula Costa, publicou uma nota no Instagram a condenar as “graves” declarações. “É a expressão mais perversa, violenta e criminosa do discurso anti-imigração, do racismo e da xenofobia em Portugal.”