A polémica voltou à Vuelta. Os avisos tinham sido dados na véspera e a 11.ª etapa, que decorreu integralmente no País Basco, com partida e chegada em Bilbau, ficou marcada pelos protestos pró-Palestina que, aquando da primeira passagem pela meta, ganharam força de tal forma que nem as barreiras de segurança aguentaram e a polícia teve de ser mobilizada em força. Perante o sucedido, e ainda que não tenha havido nenhuma consequência física para os corredores, a organização decidiu retirar os últimos três quilómetros da etapa, anulando a atribuição do primeiro lugar da tirada, bem como dos segundos de bonificação. Ainda assim, Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) voltou a ganhar tempo a João Almeida (UAE Team Emirates-XRG) e aproximou-se do minuto de vantagem, apesar de o português até ter subido ao segundo lugar.
Perante o sucedido, as críticas à participação da Israel-Premier Tech fizeram-se sentir e Kiko García, diretor técnico da Volta a Espanha, até lançou a hipótese de a equipa israelita ser expulsa da competição, mas frisou que essa decisão não pode ser tomada pela organização, ao abrigo do regulamento da União Ciclista Internacional (UCI). “Vamos tentar, todos juntos, forçar… que as pessoas entendam que a situação não é fácil e que, juntos, possamos encontrar uma solução. Para mim, só há uma e todos sabemos qual é, que seria a própria Israel perceber que estar aqui não facilita a segurança de todos os outros. A Israel tem recebido um tratamento especial em termos de proteção, na corrida, nos hotéis, ao redor do autocarro e ao redor dos ciclistas. Agora, o que está em risco é a vida dos atletas que estão a fazer o seu trabalho”, assumiu García em declarações à imprensa espanhola.
A resposta da UCI surgiu já durante a noite desta quarta-feira, com a entidade que tutela o ciclismo a “condenar firmemente os atos que provocaram a neutralização” da etapa. “A UCI relembra a importância fundamental da neutralidade política das organizações desportivas reunidas no Movimento Olímpico, bem como o papel unificador e pacificador do desporto. Os grandes eventos desportivos internacionais encarnam um espírito de união e diálogo, para além das diferenças e divisões. Nesse sentido, a UCI reafirma o seu compromisso com a neutralidade política, a independência e a autonomia do desporto, em conformidade com os princípios fundadores do Movimento Olímpico. A UCI deseja também recordar que o desporto, e o ciclismo em particular, tem a vocação de aproximar e superar as barreiras entre os povos e não deve, em caso algum, ser instrumentalizado como ferramenta de sanção. A UCI expressa toda a sua solidariedade e apoio às equipas e ao seu staff, bem como aos ciclistas, que devem poder exercer a sua profissão e a sua paixão em condições ótimas de segurança e serenidade”, escreveu a UCI em comunicado.
A statement regarding the @lavuelta pic.twitter.com/ouDXncGf7h
— Israel – Premier Tech (@IsraelPremTech) September 3, 2025
Quem também se pronunciou após a etapa foi a Israel que, em comunicado partilhado nas redes sociais, assegurou que vai continuar em prova. “A Israel-Premier Tech é uma equipa profissional de ciclismo. Assim, a equipa continua comprometida com a sua participação na Vuelta a España. Qualquer outra decisão ou ação cria um precedente perigoso no ciclismo. Não apenas para a Israel-Premier Tech, mas para todas as equipas. Os organizadores da Vuelta e a polícia estão a fazer tudo o que podem para criar um ambiente seguro. A equipa está-lhes muito grata por isso. No entanto, o comportamento dos manifestantes em Bilbau não foi apenas perigoso, mas também teve um efeito contraproducente, privando os adeptos bascos do final que merecem”, lê-se na nota da formação israelita.
“É o aniversário do meu filho. Ele fez um ano hoje. Queria muito vencer por ele e trabalhámos o dia todo para conseguir isso. Acho uma pena não termos tido essa hipótese. Adorava ter a oportunidade de vencer a etapa por ele, mas é o que é. Passámos a linha de chegada pela primeira vez e já havia alguma agitação, sabíamos qual era a situação e seguimos a rota. Mais uma vez eles tentaram bloquear-nos, acho que na penúltima e na última subida, mas tudo bem, mantivemos a calma. Mantivemos a calma durante toda a etapa. O que eles querem de nós, ciclistas? Não posso fazer nada. A polícia fez um trabalho fantástico”, referiu Vingegaard à TV2 dinamarquesa.
????????️ La protesta de estos manifestantes ha provocado la decisión de dejar vacante la victoria de la 11ª etapa de #LaVuelta25#LaVueltaEnCOPE pic.twitter.com/ZgPBOjSJWY
— COPEdaleando (@Copedaleando) September 3, 2025
Já Thomas Pidcock (Q36.5), que está em grande forma e tinha em Bilbau a oportunidade de vencer pela primeira vez na Vuelta e dar à sua equipa a primeira vitória em Grandes Voltas enquanto Q36.5, revelou a sua frustração depois da etapa. “É difícil descrever a deceção, para ser honesto. Senti que hoje era o meu dia. De qualquer forma, não é fácil. Acho que a organização fez o que pôde para nos manter seguros. Não quero dizer nada político. Vou-me meter numa encrenca. É só isso. Acho que muitas pessoas foram impedidas de falar sobre isso publicamente, mas às vezes é um pouco assustador para o pelotão. Contamos que a nossa segurança esteja em primeiro lugar e queremos continuar a correr. É para isso que estamos aqui. Acho que o ciclismo não tem nada a ver com o que está acontecer lá fora”, disse o britânico.
Foi assim que o pelotão chegou à 12.ª etapa da competição, marcada pela média montanha, com duas contagens de montanha que deveriam ser suficientes para anular as intenções dos sprinters, mais ainda pelo facto de a última, de primeira categoria, se encontrar a apenas 23 quilómetros de Los Corrales de Buelna e de ser convidativa a novos ataques dos homens da geral. Antes do Angliru e da chegada às montanhas das Astúrias, uma fuga com cerca de 50 unidades foi a grande protagonista do dia. Juan Ayuso e Marc Soler foram os representantes da Emirates, com Victor Campenaerts a perfilar-se como o único atleta da Visma. Para além desses elementos, a Movistar tinha cinco ciclistas e podia lutar pela etapa com Pablo Castrillo e Javier Romo. Na escalada para o Puerto de Alisas, um toque de rodas causou uma queda que atirou ao chão Matthew Riccitello (Israel), o décimo da geral.
☀️ Good morning from Laredo! Will it be a day for the break?
⛰ ¡Buenos días desde Laredo! Otra etapa de media montaña en #LaVuelta25. ¿Triunfará una fuga? pic.twitter.com/9EfksBq6S4
— La Vuelta (@lavuelta) September 4, 2025
A fuga desmembrou-se já dentro dos últimos 40 quilómetros, com Michel Hessmann (Movistar), Magnus Sheffield (Ineos Grenadiers), James Shaw (EF Education-EasyPost), Finlay Pickering (Bahrain-Victorious), Brieuc Rolland (Groupama-FDJ) e Victor Guernalec (Arkéa-B&B Hotels) a ficarem sozinhos na dianteira. Na Collada de Brenes, o trabalho de Soler levou a novo agrupamento dos grupos, mas o ataque de Ayuso voltou a dizimá-lo, com apenas Romo a conseguir seguir o compatriota. Na descida, Rolland ainda se aproximou dos espanhóis, mas a vitória voltou a ficar em casa, com o Emirates a bater o Movistar ao sprint, chegando ao bis nesta Vuelta e dando à equipa de Almeida e Ivo Oliveira a quinta vitória. O francês completou o pódio da etapa, que não teve qualquer movimentação dos homens da geral, que chegaram a 6.22 minutos de Juan Ayuso. Deste modo, Jonas Vingegaard vai chegar à etapa do Angliru com 50 segundos de vantagem para João Almeida e 56 para Tom Pidcock.
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Juan Ayuso frustra a Javi Romo al esprint en Los Corrales de Buelna y suma su segunda victoria de etapa en @lavuelta en una nueva fuga.
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— Eurosport.es (@Eurosport_ES) September 4, 2025