A televisão NHK adiantou que Ishiba quer evitar divisões dentro do partido, enquanto o jornal Asahi Shimbun afirmou que o primeiro-ministro já não conseguia resistir aos crescentes pedidos de demissão.

Numa conferência de imprensa organizada este domingo, Ishiba anunciou ter ordenado à sua força política, o Partido Liberal Democrata, para realizar uma eleição para a sua sucessão, acrescentando que vai continuar a exercer as suas funções até que o seu sucessor seja eleito, noticia a Reuters.

Ishiba, que assumiu o cargo em outubro, resistia às exigências dos seus opositores, maioritariamente de direita e do seu próprio partido, há mais de um mês. Em contraposição, focou-se em negociar um acordo comercial com os Estados Unidos devido às tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, que abalaram a indústria automóvel japonesa.

“Tendo o Japão assinado o acordo comercial e o presidente assinado o decreto, ultrapassámos um obstáculo importante”, disse Ishiba esta manhã, de voz embargada. “Gostaria de passar o testemunho para a próxima geração”, declarou.

A decisão do primeiro-ministro japonês acontece um dia antes de o seu Partido Liberal Democrata decidir se realizaria uma eleição antecipada para a liderança caso fosse aprovada uma moção de censura contra Ishiba.

Em julho, a coligação governamental de Ishiba falhou o objetivo de conseguir a maioria da câmara alta do parlamento, tendo o Partido Liberal Democrata e o parceiro Komeito conseguido apenas 46 dos 50 lugares que tinham como meta, para se juntar aos 75 lugares que já tinham.

Estas eleições eram tidas como um teste para o primeiro-ministro, que governava em minoria depois de ter perdido o controlo da câmara baixa do parlamento, a Câmara dos Representantes, nas eleições gerais antecipadas de outubro de 2024.

O descontentamento público com o aumento do custo de vida, que os aumentos salariais não conseguiram resolver, esteve no centro da campanha, com Ishiba a prometer distribuir 20 mil ienes (cerca de 120 euros) a cada residente.