O estudante chinês foi expulso da Universidade Estatal de Moscovo e deportado para a China. O Exército chinês considerou que o comportamento do estudante constituiu uma glorificação do militarismo japonês.

A conta Jun Zhengping, ligada ao Exército de Libertação Popular (ELP) chinês na rede social chinesa Weibo, classificou o incidente como “escandaloso” e afirmou que a promoção do militarismo constitui uma ofensa à consciência humana, independentemente do país ou da instituição de ensino onde ocorra.

O processo de repatriamento teve início dia 16 de outubro, segundo The Global Times, tendo agora o estudante chinês voltado ao seu país de origem.

O incidente ocorreu em 14 de outubro, quando o estudante terá comparecido numa aula de História com a bandeira do sol nascente e um boné militar japonês da década de 1930, segundo o jornal oficial chinês The Global Times.

Outros estudantes chineses repreenderam-no pelo comportamento e denunciaram que o jovem respondeu com insultos e agressões, enquanto uma associação de estudantes chineses comunicou o caso à universidade e à embaixada da China na Rússia.

A Universidade Estatal de Moscovo abriu uma investigação interna, tendo realizado uma reunião extraordinária na tarde de segunda-feira, segundo o Global Times, em resposta à petição coletiva apresentada pelos alunos chineses. Durante a reunião, a universidade decidiu expulsar o estudante.

O estudante chinês publicou um pedido de desculpas nas redes sociais mas surgiram online vários screenshots (capturas de ecrã) da sua conta na rede social chinesa WeChat, que revelam posições pró-Japão.

A bandeira do sol nascente, historicamente utilizada pelas Forças Armadas imperiais japonesas e ainda presente nas atuais Forças de Autodefesa do Japão, suscita rejeição na China e noutros países asiáticos devido à sua associação à expansão militar japonesa durante o século XX.

A polémica surge num momento de renovadas tensões entre Pequim e Tóquio, depois de a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter enviado duas oferendas ao santuário Yasukuni, uma oferenda ritual, no sábado, e outra monetária, na segunda-feira.

O santuário homenageia os mortos de guerra japoneses, incluindo 14 dirigentes condenados como criminosos de guerra após a Segunda Guerra Mundial.

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, condenou na segunda-feira o gesto e exigiu ao Japão que enfrente o seu passado militarista e deixe de adotar medidas que, segundo Pequim, procuram justificar as guerras de agressão do país.