Madrid está cada vez mais perto. À entrada para a última semana da Volta a Espanha, João Almeida era o nome que mais ecoava no seio do pelotão que domingo chegará à capital espanhola para concluir a última Grande Volta da temporada. Com o segundo lugar cada vez mais consolidado e uma vitória em etapas, o português da UAE Team Emirates-XRG tem sido o principal adversário de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e promete dar luta ao dinamarquês até ao fim. Para já, Portugal vai sonhando com o regresso ao pódio da Vuelta 51 anos depois de Joaquim Agostinho ter sido segundo. As montanhas e contrarrelógio dos próximos dias serão, certamente, importantes para se perceber até onde pode ir o Bota Lume em território espanhol.
“Estou cansado, como todos, mas estou bem. Estou a sentir-me motivado. Tivemos duas semanas muito boas e agora vamos para a última. [Posso reduzir a desvantagem] no dia em que tiver pernas. É essa a realidade. O contrarrelógio será muito importante. Todas as etapas são muito difíceis, mas sábado e quarta-feira são as mais desafiadoras no final, onde podes fazer a diferença. Vamos dia a dia. Contrarrelógio? Há muitos fatores para lá do seu controlo e, às vezes, pode ser um pouco relativo. Mas ainda estou bem e espero ter um bom dia para dar o meu melhor. Depois veremos como tudo vai acabar. Vitória? Deu-me muito mais confiança. É uma subida muito difícil, onde precisas de pernas e, no final, fiquei surpreendido com a vitória, porque não esperava. Se ele estivesse na sua melhor forma, acho que me teria atacado no Angliru. Também não estou na minha melhor forma do ano, então estamos ambos numa situação um pouco igual”, partilhou Almeida em entrevista ao jornal Marca.
“Pogacar não está aqui e isso torna as coisas um pouco mais fáceis em alguns aspetos [risos]. Quando ele está, tens que testá-lo praticamente todos os dias, à procura de encontrares qualquer ponto fraco. Sem ele, a corrida torna-se diferente. Temos uma equipe muito forte e sinto que estou a melhorar cada vez mais. Tive alguns dias bons até agora, mas também alguns que não foram ideais. Mesmo assim, acredito que continuarei a melhorar à medida que esta Vuelta avança”, começou por dizer Vingegaard à TV2, antes de ser informado que o português ganhou quatro dos sete duelos entre ambos no contrarrelógio: “A sério? É isso mesmo? Bem, isso é interessante. Depende muito do dia. Ele é muito forte no contrarrelógio, é um ciclista muito sólido no geral. Para ser honesto, estou focado em mim mesmo e em fazer o melhor contrarrelógio possível”.
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Ponto assente é que a última semana de competição começou da pior forma para a formação neerlandesa que, antes da 16.ª etapa, perdeu Victor Campenaerts, por motivos de doença. Assim, a Visma ficou sem um dos seus principais gregários e entrou nas últimas seis etapas com menos dois ciclistas que a Emirates, fatores que podiam ser importantes já esta terça-feira, na ligação de 167,9 quilómetros entre Poio e Mos, com 3.400 metros de altimetria e quatro subidas categorizadas, a última das quais a coincidir com a meta instalada em Castro de Herville. Mos entrou para a história da Vuelta há quatro anos, quando, a cerca de 20 quilómetros do final da penúltima etapa, Miguel Ángel López abandonou a corrida e entrou no carro da Movistar, insatisfeito com a postura da sua equipa, depois de ter ficado arredado do pódio durante aquela tirada. O momento ficou conhecido pela célebre frase do colombiano: “Bueno, yo me quedo por aquí. Fue un placer, señores” (“Bem, vou ficar por aqui. Foi um prazer, senhores”, em português”).
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El colombiano, en rebeldía, decidió abandonar la carrera pese a la insistencia de su jefe de filas Patxi Vila
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A fuga do dia acabou por se estabelecer na primeira fase da etapa, com 17 ciclistas a integrarem a dianteira da corrida, com destaque para Marc Soler (Emirates), Egan Bernal (Ineos Grenadiers), Mikel Landa (Soudal Quick-Step) e Jefferson Cepeda (Movistar). A diferença para o pelotão estabilizou acima dos quatro minutos antes da primeira subida categorizada, altura em que Javier Romo (Movistar) abandonou a corrida devido à queda que sofreu no domingo, provocada por um espectador com uma bandeira da Palestina, que se saltou da berma para a estrada, e em que o camisola vermelha servia de gregário em prol dos colegas. A vantagem da fuga cresceu paulatinamente e, com a aproximação de Bernal ao top 10, as equipas da geral viram-se obrigadas a assumir a perseguição.
Já na parte final da etapa, e com a Bahrain-Victorious a defender o décimo lugar de Torstein Traeen, o colombiano foi um dos últimos resistentes na frente, juntamente com Landa, Nico Denz (Red Bull-Bora-hansgrohe), Clément Braz Afonso e Brieuc Rolland (Groupama-FDJ). O Alto de Prado teve o condão de deixar o alemão e o francês para trás e, no pelotão, Vingegaard sofreu um furo, que o obrigou a fazer o resto da etapa com a bicicleta de Ben Tulett. No mesmo sentido, o francês com ascendência portuguesa também furou a 16 quilómetros do fim, deixando a discussão da etapa entre Landa e Bernal. Nessa altura ficou ainda a saber-se que, devido a “um protesto que bloqueou a corrida, o vencedor de etapa e os tempos para a classificação general” teriam de ser apurados “a oito quilómetros da linha de meta”, mesmo no início da última subida.
Pinchazo de Vingegaard. Tulett entrega su bici para solventar el apuro.#LaVuelta25 pic.twitter.com/c4InkKFXyO
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Perante o sucedido, Egan Bernal lançou o sprint final e mostrou ter mais ponta final que Mikel Landa, regressando às vitórias em Grandes Voltas mais de quatro anos depois. Brieuc Rolland chegou no terceiro lugar e, no grupo dos favoritos, não se registou diferenças na luta pelo pódio, ainda que Felix Gall (Decathlon AG2R La Mondiale) e Junior Lecerf (Soudal Quick-Step) tenham perdido 54 segundos e 2.15 minutos, respetivamente. Desta forma, o austríaco caiu para o sexto lugar, com Giulio Pellizzari (Red Bull) a entrar no top 5. Na frente, Vingegaard continua com 48 segundos de vantagem para Almeida e 2.38 face a Thomas Pidcock (Q36.5).
Y EL CÓNDOR VOLVIÓ A VOLAR ????❤️????
Egan Bernal evita el triunfo de Mikel Landa en un descolorido final por una nueva protesta y vuelve a saborear una victoria en una Gran Vuelta más de cuatro años después.
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La situación en la llegada a Mos que ha provocado la neutralización de la etapa a 8 kilómetros de meta. #LaVuelta25 pic.twitter.com/cm9chySnOc
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