No arranque do ano letivo, Fernando Alexandre, ministro da Educação, garante que os professores em falta vão passar a ser colocados com o dobro da velocidade. “Uma das mudanças que vamos fazer já esta semana é que vamos colocar os professores mais do que uma vez por semana. Demorávamos uma semana a fazer cada colocação e vamos passar a fazer o dobro, por isso todos os meses vamos passar a ter o dobro das colocações, o que permitirá uma substituição mais rápida”, garantiu o governante em declarações aos jornalistas numa escola em Santo Tirso.
“Em todas as escolas a que tenho ido há sempre professores que são necessários, mas todos os alunos têm tido aulas”, afirma o ministro, admitindo que há “situações mais estruturais que exigem uma atuação diferente”.
Refere a promulgação, na semana passada, do apoio à deslocação aos professores, e que agora se aplica a todos os docentes colocados a mais de 70 quilómetros e que vai até 500 euros para professores que estão deslocados a mais de 300 quilómetros. Estes últimos “serão colocados nessas escolas onde é mais difícil atrair professores e onde há falhas mais estruturais”. “Estamos a falar de mais de mil horários”, reforça.
“Hoje os diretores têm instrumentos que não tinham antes, nomeadamente com as horas extraordinárias que permitem substituições e garantir que apesar de haver falta de um professor as aulas acontecem na mesma”, assegura ainda o ministro, que diz que, apesar das dificuldades que existem, “os professores fazem um enorme esforço para garantir que os alunos têm aulas”.
“Não vamos, de um ano para o outro, resolver o problema estrutural de falta de professores”
Sobre os 700 professores que se vão reformar este ano, mas que ainda têm turmas atribuídas neste arranque de ano letivo, notícia que foi avançada esta segunda-feira pelo Jornal de Notícias, Fernando Alexandre diz que os diretores das escolas em que os casos estão identificados estão a “planear com mais antecedência e já sabem os professores que vão sair e estão a trabalhar nas soluções”. “Não vão ficar à espera da semana em que o professor se aposenta”, garante.
O ministro admite que a substituição destes professores será mais facilitada a Norte, onde há mais professores disponíveis. Mas admite que será mais difícil “nas escolas da Grande Lisboa, da Península de Setúbal e do Algarve”. E assume: “Não vamos, de um ano para o outro, resolver o problema estrutural de falta de professores.”
Segundo o ministro, a falta de docentes relaciona-se também com os “muitos professores que deixaram a profissão pela maneira como foram tratados ao longo de décadas”. “Mas isso está a mudar e no ano passado conseguimos trazer seis mil professores para dentro do sistema”, ressalva, destacando também os profissionais que estão a ser atraídos para a área pela via da formação científica.