Shelly-Ann Fraser-Pryce é muito mais do que uma atleta. É a velocista mais medalhada de sempre, com 24 medalhas entre Jogos Olímpicos e Mundiais, incluindo 13 ouros. Foi a herdeira das esperanças da Jamaica no pós-Usain Bolt, assumindo a garantia de que o país subia sempre ao pódio nas grandes competições. E ainda foi mãe de Zyon, regressando aos treinos apenas 11 semanas depois de uma cesariana de emergência.
Por isso mesmo, por ser muito mais do que uma atleta, Shelly-Ann Fraser-Pryce teve direito a uma despedida à altura. Aos 38 anos, a jamaicana despediu-se este domingo das provas individuais com um sexto lugar na final dos 100 metros nos Mundiais de Atletismo — com as bancadas do Estádio Nacional de Tóquio a corresponderem com uma ovação brutal assim que a atleta foi anunciada, apresentando-se com o característico cabelo colorido mas, desta feita, pintado com as cores da bandeira da Jamaica.
The prolific Shelly-Ann Fraser-Pryce ???????? ran her final World Championships 100M with time of 11.03. We celebrate and thank you for giving the world this gift of such an illustrious career. Wishing you all the best! ????????????
Olympic Games
???? 100M – 2008 Beijing
???? 100M – 2012… pic.twitter.com/DNhgkdZkW9— Team Jamaica (@TeamJA876) September 14, 2025
Fraser-Pryce ainda vai competir na estafeta 4×100, arriscando conquistar a última medalha da carreira, e a verdade é que só marcou presença em Tóquio numa espécie de vingança de Paris. Nos últimos Jogos Olímpicos, sendo que já tinha anunciado que iria terminar a carreira ali mesmo, a jamaicana acabou por falhar a meia-final onde era favorita. Adivinharam-se problemas físicos, mas Fraser-Pryce contou entretanto que não conseguiu aparecer em pista devido a um ataque de pânico. Mais de um ano depois, quis despedir-se a fazer o que sempre fez melhor: correr.
“Estou mesmo muito grata por ter podido correr uma vez mais na final dos 100 metros. Queria despedir-me nos meus termos. Estar aqui esta noite foi um privilégio, uma honra e a minha maior bênção. Cheguei a estes Mundiais com tantos obstáculos, mas consegui chegar à final. E acho que isso já é um enorme feito. Uma das minhas maiores bênçãos é ver estas atletas que consegui inspirar ao longo das últimas gerações. Tem sido uma bênção interagir com elas e espero que exista algo que consigam retirar desta jornada. Confiem no vosso talento e vão lá para fora para dar tudo”, indicou a atleta, que ainda foi bicampeã do mundo nos 100 metros depois de ser mãe, para além de ter alcançado a medalha de prata na distância nos Jogos Olímpicos de Tóquio e registado a melhor marca pessoal e terceira melhor de sempre.
A final dos 100 metros dos Mundiais de Atletismo que estão a decorrer foi então arrecadada pela norte-americana Melissa Jefferson-Wooden, medalha de bronze em Paris, com a jamaicana Tina Clayton e Julien Alfred, de Santa Lúcia, a encerrarem o pódio. Os 10.61 segundos de Jefferson-Wooden foram mesmo a quarta melhor marca de sempre de uma mulher na distância, apenas atrás da recordista Florence Griffith-Joyner (1988, 10.49), de Elaine Thompson-Herah (2021, 10.54) e de Shelly-Ann Fraser-Pryce (2021, 10.60).