O Presidente dos Estados Unidos da América admitiu esta terça-feira que Washington atacou não duas, mas três embarcações venezuelanas no mar das Caraíbas. “Derrubamos navios. Na verdade foram três navios, não dois”, retificou Donald Trump aos jornalistas, na Casa Branca, citado pela ABC.

Incitado a dirigir-se ao seu homólogo venezuelano, o norte-americano disse: “Parem de enviar [membros do] Tren de Aragua. Parem de enviar drogas para os EUA. (…) Pare de enviar o seu povo, os seus prisioneiros para aqui. Eles estavam a mandá-los. Já o fizeram. E houve um mês inteiro em que ninguém entrou. Isso é o que eu gostava, zero”.

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Trump justificou estas ações como parte de uma estratégia de combate firme ao tráfico de droga na rota Venezuela-EUA, que o próprio classificou como uma “arma mortal que envenena os americanos” e representa uma “ameaça direta à segurança nacional”.

As declarações aos jornalistas, antes de partir para uma visita de Estado ao Reino Unido, aconteceram um dia depois de ter informado que as forças armadas norte-americanas tinham atacado um barco, provocando a morte de três pessoas, classificadas como “terroristas” pelos EUA.

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“Mais um mês com zero pessoas a entrar no nosso país. E são assuntos importantes, há pessoas que esperavam que eu fizesse as coisas mal. Ninguém fez na fronteira o que eu fiz”, acrescentou Trump.

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O Presidente disse que a droga levada por cartéis venezuelanos, em especial pelo Tren de Aragua, teve “consequências devastadoras nas comunidades” dos EUA “durante décadas”. Além disso, Trump acusou diretamente Nicolás Maduro, Presidente da Venezuela, de libertar membros do grupo organizado e de enviá-los para a América do Norte. “Não gostamos do que a Venezuela nos está a enviar, seja droga ou membros de gangues”.

A escalada de tensão entre EUA e Venezuela teve o primeiro episódio a 1 de setembro, quando aviões da Marinha norte-americana afundaram um barco no Sul das Caraíbas e mataram 11 tripulantes. Esta segunda-feira foi confirmado um segundo ataque, que fez três vítimas mortais. O terceiro só agora foi revelado, pelo que ainda não se conhecem mais detalhes sobre este incidente.

Segundo Trump estes barcos — que acusa de transportarem cocaína e fentanil da Venezuela para os EUA — de narcotraficantes estão a semear o pânico na região, intimidando os pescadores locais. “Se eu fosse pescador, também não ia querer sair para o mar”, disse o Presidente dos EUA.

A Casa Branca trata esta operação com grande detalhe e uma enorme complexidade logística (com aviões e navios envolvidos). Reconhece também que não está apenas em causa a natureza criminal, mas também política do caso: além de ser Presidente da Venezuela, Maduro está acusado por um tribunal de Nova Iorque de ser chefe de um cartel de droga. Apesar de negar as intenções de mudar o regime no país sul-americano, Trump acusou o líder venezuelano de manipular as últimas eleições.