A portuguesa Nutrium arrecadou 10 milhões de euros numa ronda série A. De acordo com a empresa que desenvolveu um programa de nutrição corporativa, esta ronda foi liderada pela capital de risco Vesalius Biocapital, com a participação da Indico Capital Partners, Lince Capital e ainda da Beta Capital. Estas três últimas entidades já eram acionistas da Nutrium.

Criada há dez anos, em Braga, a empresa começou por desenvolver um software para nutricionistas, que agregava bases de dados de alimentos, calculadoras nutricionais e organização de agenda. Há cerca de três anos, evoluiu para um programa chamado Nutrium Care, entrando no mercado dos benefícios corporativos. Ou seja, permite que os funcionários de empresas parceiras tenham acesso a consultas de nutrição e a um acompanhamento digital mais ativo. Atualmente, a rede de nutricionistas da Nutrium é composta por mais de 350 mil profissionais em mais de 90 países.

Através do programa de benefícios corporativos em vários mercados, o Nutrium Care é usado por mais de três milhões de pessoas. A lista de clientes-parceiros da Nutrium conta com empresas como a Jerónimo Martins, a Adidas ou a Randstad. Além do mercado português, onde deu os primeiros passos, a Nutrium tem no Brasil e nos EUA alguns dos seus mercados mais relevantes. No Brasil, por exemplo, tem uma parceria com a Wellhub, o antigo GymPass, um sistema de benefícios corporativos com um universo de dez milhões de utilizadores.

“A nutrição tornou-se uma prioridade estratégica para as empresas que enfrentam os desafios da obesidade e da rápida adoção dos tratamentos com GLP-1”, afirma em comunicado André Santos, CEO e cofundador da Nutrium. Os GLP-1 são fármacos usados para a gestão da diabetes tipo 2 e obesidade, como o conhecido Ozempic ou o Mounjaro. “Este investimento vai permitir-nos expandir o nosso alcance, reforçar a rede de especialistas e gerar ainda mais impacto junto dos nossos clientes e das suas equipas, a nível global.”

Ao Observador, Pedro Pereira, gestor de CRM e lifecycle da Nutrium, explica que os EUA e o Brasil “são claramente o foco em termos de mercado” para esta expansão. “Precisamos essencialmente de reforçar as equipas, nomeadamente as de vendas e engenharia.” Atualmente, a Nutrium tem 40 trabalhadores, divididos por vários mercados.

Em Portugal, as contratações deverão passar pela área de engenharia, detalha Pedro Pereira. “Vamos continuamente reforçar a nossa equipa de engenharia, até porque temos uma visão perante a inteligência artificial que nos vai ajudar a melhorar a experiência, quer do nutricionista quer do paciente.”

Para a empresa, a popularidade de fármacos GLP-1 representa “uma oportunidade” para crescer. Estes fármacos, inicialmente usados para o tratamento da diabetes mas com versões adaptadas para a perda de peso, estão presentes em vários países, com destaque para os EUA.

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Para alguns são vistos como uma “solução milagrosa” para perder peso, mas a Nutrium argumenta que usar estes fármacos sem uma mudança comportamental “não é sustentável a longo prazo”. “Queremos garantir que os funcionários têm uma alternativa mais saudável à medicação”, diz Pedro Pereira. “A perda de peso rápida é feita através da perda de peso e de massa muscular”, contextualiza. “É preciso garantir que o acompanhamento [nutricional] é correto, garantir que, quando deixam o fármaco, não ganham rapidamente o peso.” Em alguns casos, os pacientes “não ganharam as alterações comportamentais que levam os efeitos a serem duradouros”, afirma Pedro Pereira. Garantir o acompanhamento nutricional é para a empresa “de facto uma oportunidade”.

“Na Vesalius, estamos cada vez mais atentos aos desafios associados à obesidade e à importância de cuidados nutricionais eficazes, uma resposta muitas vezes subvalorizada no contexto das doenças crónicas”, diz em comunicado Qasim Al-Zawawi, diretor financeiro da capital de risco luxemburguesa Vesalius. “Acreditamos que a Nutrium tem o potencial para se tornar a solução de referência para empresas e pessoas que procuram melhorar a sua saúde de forma sustentável.” A Vesalius investe em empresas em fases mais avançadas do desenvolvimento de fármacos, dispositivos médicos, diagnóstico e em soluções de saúde eletrónica, como o programa desenvolvido pela empresa portuguesa.

Já Stephan Morais, da portuguesa Indico Capital Partners, destaca a “visão clara” da Nutrium sobre “o papel fundamental que a nutrição teria na saúde e no bem-estar”. “Tivemos a oportunidade de apoiar essa ambição e ajudar a equipa a encontrar o caminho para cumprir a promessa do bem-estar, um elemento essencial da longevidade, que é um mercado enorme e em rápida expansão.”

“A abordagem da Nutrium, baseada em evidência clínica e focada em enfrentar os problemas de saúde crónica e a obesidade através da nutrição personalizada, continua a transformar a forma como as empresas investem no bem-estar dos colaboradores”, afirma Tomás Lavin Peixe, partner da Lince Capital. “Estamos entusiasmados por apoiar novamente as ambições globais da Nutrium e por ajudar a equipa a alcançar melhores resultados em saúde e a reduzir custos, tanto para empregadores como para colaboradores em todo o mundo.”

Em junho de 2023, a Nutrium recebeu um investimento de dois milhões de euros, também numa ronda de série A. Em 2020, a empresa conquistou um investimento de 4,25 milhões.

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