A seguir a ganhar muito, ganhar ainda mais. Depois da melhor temporada da história do clube, com vitórias na Ligue 1, na Taça, na Supertaça e na Liga dos Campeões (a primeira de sempre), o PSG “falhou” apenas no Mundial de Clubes – onde não teve pernas para um Chelsea a todo o gás no plano físico – mas nem por isso perdeu o apetite para conquistar mais competições. Nova época, velha tradição: vitória na final da Supertaça Europeia frente ao Tottenham no desempate por grandes penalidades, quatro triunfos consecutivos no início da Ligue 1 que fazem adivinhar outra época de “passeio” a nível interno. Agora, era tempo de Champions.

Enquanto não chegam os outros sonhos, o legado deles continua a ser fazer história (a crónica da Supertaça Europeia)

“Estamos mais confiantes do que no ano passado neste momento da Liga dos Campeões. O ano passado foi um momento complicado pela falta de eficácia mas é um processo normal para uma equipa que queria melhorar. Para mim, é mais difícil ganhar o primeiro do que o segundo ou o terceiro. O primeiro título é sempre difícil porque os jogadores não acreditam que são capazes de conquistá-lo mas agora mostrámos o caminho. Agora, todo o PSG e os jovens querem vencer, e sabem que podem conseguir. A minha mentalidade é procurar sempre melhorar, mostrar aos jogadores que não há espaço para acomodação ou complacência em relação ao futuro. Devemos pensar constantemente em progredir”, comentara Luis Enrique, técnico dos parisienses, na antecâmara da estreia na Liga milionária diante da Atalanta.

Três golos fabulosos, dois pontapés de bicicleta, um jogo para a história: a noite mágica do primeiro hat-trick de João Neves

“O nosso objetivo é voltar a fazer história e conquistar uma segunda Liga dos Campeões consecutiva. Temos de ser ambiciosos. Neste primeiro jogo vamos encontrar uma Atalanta complicada. Mudaram de treinador, então é difícil para prever como vão jogar mas, como em temporadas anteriores, falamos de uma equipa dura, com jogadores de qualidade. Gian Piero Gasperini deixou a sua marca na equipa, será uma partida muito exigente para nós”, acrescentou a propósito da estreia no Parque dos Príncipes, naquele que seria também o primeiro passo para evitar os sobressaltos da última temporada, quando só conseguiu a qualificação na última jornada e teve ainda de passar pelo playoff para atingir os oitavos de final. Agora, a história parece mesmo que será outra e a exibição dos campeões europeus contra a formação de Bérgamo mostrou que o PSG volta a ser um dos principais candidatos ao triunfo… apesar de ser o maior alvo de todos.

O início do encontro foi um autêntico abafo de arregalar o olho a Luis Enrique, de novo a ver o arranque na tribuna como se fosse um treinador de râguebi para ter melhor noção de tudo o que estava a acontecer. Neste caso, nem era necessário: o PSG ligou o rolo compressor, inaugurou o marcador logo a abrir por Marquinhos após assistência de Fabian Ruíz numa jogada que começou numa recuperação do defesa central perto da área contrária (3′), viu Marco Carnesecchi tirar o golo de seguida a Nuno Mendes (5′), Barcola (8′) e Hakimi (10′) isolados e deixou os italianos atordoados sem perceber ao certo o que fazer até pela falta de referências que a entrada de Mayulu em vez de Dembélé provocava em toda a organização defensiva contrária.

A Atalanta, que apesar da troca técnica com entrada de Juric manteve grande parte dos talentos que fizeram a base do conjunto que consolidou o conjunto de Bérgamo entre os melhores da Serie A, ainda teve algumas aproximações sem remate à área contrária mas os parisienses estavam apostados em decidir o encontro cedo. Barcola ainda teve um golo anulado, numa jogada onde ganhou a profundidade nas costas dos centrais mas em fora de jogo, mas Khvicha Kvaratskhelia conseguiu mesmo aumentar a vantagem numa grande jogada individual da direita para o meio antes do remate sem hipóteses (40′) antes de um penálti de VAR por pisão sobre Marquinhos na área que acabaria por ser falhado por Barcola por defesa de Carnesecchi (44′).

Luis Enrique desceu aos balneários e depois ao banco para a segunda parte mas a equipa voltou a mostrar que sabia bem o que fazer, onde fazer e como fazer em campo. Aliás, a única “vantagem” para o espanhol foi mesmo a oportunidade de ver mais de perto outra obra de arte de Nuno Mendes, que voltou a fintar como se fosse um jogador de futsal na área dos transalpinos antes do remate cruzado entre poste e guarda-redes para o 3-0 (51′). Se dúvidas ainda existissem, o resultado estava feito e a única má notícia acabou por ser a saída por lesão de João Neves, que foi substituído por Gonçalo Ramos antes dos 60′ de uma partida onde os parisienses foram falhando oportunidades e Carnesecchi evitou uma goleada bem mais pesada apesar do 4-0 marcado por Gonçalo Ramos no primeiro minuto de descontos após um passe errado na área.