Condenado por abuso sexual de menores, o diácono italiano Alessandro Frateschi foi destituído das suas funções clericais pelo Papa Leão XIV, numa decisão “inapelável”, sendo a sua primeira sanção conhecida nesta matéria. O afastamento do diácono de Latina, na região de Lácio, centro de Itália, foi revelado esta terça-feira por um comunicado da respetiva diocese:

Esta manhã, na prisão de Latina, o diácono permanente Alessandro Frateschi foi informado de sua destituição do clero por decisão direta do papa Leão XIV”, pode ler-se na nota que frisa que a decisão não é passível de recurso.

Com 50 anos, Alessandro Frateschi foi condenado em 2024 a 12 anos de prisão por abusos sexuais, recorda a agência de notícias AFP.  As vítimas eram “cinco jovens menores” e os crimes decorreram  “entre 2018 e 2023, sendo que três eram seus alunos numa escola secundária de Latina”, onde o sacerdote foi professor de Educação Moral e Religiosa Católica durante um ano, adiantou a diocese.  Outro “menor tinha-lhe sido confiado e o quinto rapaz é filho de amigos da família”, continua o comunicado.

A diocese informa ainda que o processo canónico contra o diácono esteve sob a alçada da secção disciplinar do Dicastério para a Doutrina da Fé, o departamento do Vaticano que trata destes casos, que remeteu o caso diretamente para o Papa. E Leão XIV optou por esta que é uma das mais graves sanções dentro do clero, a primeira tornada pública na luta contra a pedofilia.

Frateschi foi então notificado de que não poderá mais fazer homilias, não pode falar em nome da igreja, e não pode lecionar nem exercer qualquer tipo de cargo em seminários ou paróquias. Também “não poderá lecionar disciplinas teológicas em escolas e instituições académicas dependentes da autoridade eclesiástica, nem ensinar disciplinas teológicas ou Religião Católica em escolas não dependentes dessa autoridade”, acrescenta o comunicado da diocese.

“Embora a parte canónica esteja concluída, todo o caso deixa uma ferida em toda a comunidade diocesana”, lamenta ainda a diocese que renova “solidariedade e a mais profunda compaixão” às jovens vítimas e suas famílias.

Texto editado por Dulce Neto