O supertufão Ragasa, a tempestade mais forte registada desde o início do ano em todo o mundo, atingiu o território chinês esta quarta-feira, fazendo-se sentir na cidade de Yangjiang, no sul da província de Guangdong (ou Cantão), depois de avançar pelo Mar da China Meridional e de ter causado quase três dezenas de mortes em Taiwan e nas Filipinas e de ter deixado um rasto de destruição.

De acordo com a emissora estatal CCTV — citada pela agência Associated Press —, o supertufão chegou à China continental pelas 17h00 (10h00 em Lisboa), atingindo ventos máximos de 144 km/h perto do centro de Yangjiang. Antes, numa estação meteorológica da cidade vizinha de Jiangmen, foram registadas rajadas de 241 km/h, tendo a violência desta tempestade atingido também as regiões administrativas especiais de Macau e Hong Kong.

Um pouco por toda a região têm sido relatados danos avultados, resultado dos detritos voadores como anúncios afixados em prédios ou da queda de árvores e de postes de iluminação. Josh Morgerman, um famoso “caçador de ciclones”, esteve presente no momento em que o Ragasa chegou à ilha de Hailing, em Yangjiang, captando a violência da tempestade.

Em Hong Kong, as águas do mar chegaram a galgar a margem e a inundar não só várias vias como até mesmo um hotel, como demonstra um vídeo que começou a tornar-se viral esta manhã e que cuja veracidade já foi comprovada pelas principais agências de notícias. A força da ondulação, inclusive, levou também um navio a colidir com a costa, destruindo uma fileira de grades de vidro.

Já em Macau, as ruas transformaram-se em rios com detritos a flutuar, obrigando as equipas de resgate a recorrer a barcos insufláveis para salvar as pessoas que ficaram presas. Apesar do nível de perigosidade manter-se elevado, a diminuição da intensidade do vento e da altura das águas levou algumas pessoas a entrar nas ruas inundadas para pescar.

Sabendo-se da violência desta tempestade e da iminência de atingir o território chinês, grande parte dos serviços públicos foi suspensa, negócios privados foram ordenados a interromper atividade e perto de dois milhões de pessoas foram realojadas em toda a província de Guangdong, o motor económico do sul da China onde se encontra a cidade de Shenzhen. Esta, assim como Guangzhou e Zhuhai, principais pólos urbanos da província, estiveram sob em alerta máximo — e, de acordo com a BBC, na cidade de Zhuhai havia esta manhã patrulhas policiais a percorrer as ruas com megafones pedindo aos residentes para que não saíssem de casa.

No caso de Macau, a região entrou no nível de alerta máximo (sinal 10) pelas 5h30 locais, 22h30 em Lisboa, esta quarta-feira. Todos os casinos de Macau receberam indicações para fechar e para garantir a segurança dos clientes e dos hóspedes. Na terça-feira, a região tinha também decretado o encerramento de escolas e o cancelamento de voos, promovendo um confinamento de grandes dimensões para minimizar os impactos da tempestade.

Já em Hong Kong, as autoridades emitiram o alerta máximo e apelaram a todos os residentes que se mantivessem dentro de casa e longe das janelas e das portas até ao final da tempestade, que às primeiras horas da manhã já tinha feito vários danos na cidade. O aeroporto foi encerrado, bem como as escolas da região — e as indicações de confinamento refletiram-se nos supermercados, onde as prateleiras estavam esta terça-feira praticamente vazias.

O pior, contudo, já parece ter passado, porque a tempestade começou entretanto a perder força. O Observatório Meteorológico de Hong Kong, segundo o South China Morning Post, já baixou o nível de alerta do sinal 10 para o sinal 3, passando de considerar o Ragasa de um supertufão para um tufão severo. Ainda assim, prevendo-se que a tempestade continue avançar para oeste, alguns serviços ferroviários foram suspensos região chinesa de Gunagxi para esta quinta-feira.

Segundo o balanço mais recente, o Ragasa não causou, para já, vítimas mortais na China, registando-se pelo menos 90 pessoas feridas a necessitar de assistência médica em Hong Kong. Em Taiwan, no entanto, o mais recente balanço aumentou para 17 o número de mortos, contabilizando-se ainda 18 feridos e 17 desaparecidos — uma diminuição substancial face às 124 pessoas cujo paradeiro se julgava incógnito esta manhã.

A maioria das mortes deu-se na região de Hualien, na zona oriental de Taiwan, onde o supertufão Ragasa fez um lago transbordar, provocando uma violenta inundação. Imagens de videovigilância partilhadas pela Agence France Press mostram o nível das águas galgar uma ponte de forma descontrolada.

Na ilha, há igualmente relatos de pequenas povoações totalmente inundadas e de pessoas retidas nas suas casas.

Já nas Filipinas, o balanço atualizado aponta para a morte de 10 pessoas no norte do país, sete delas tratando-se de pescadores. O Ragasa entrou nas Filipinas com ventos de 285 quilómetros por hora e obrigou à retirada de mais de oito mil pessoas da ilha de Calayan. Pelo menos 17.500 pessoas ficaram desalojadas devido a inundações e deslizamentos de terra.

Super tufão atinge Filipinas e obriga a evacuações e fecho de escolas

Entretanto, as Filipinas preparam-se para a chegada de uma nova tempestade, desta vez o ciclone tropical Bualoi, que ganhou esta quarta-feira força, registando ventos de até 105 quilómetros por hora, e deverá chegar ao país na sexta-feira.

O Ragasa formou-se sobre o Pacífico Ocidental na semana passada, sendo que a junção de mares quentes e condições atmosféricas favoráveis levou este ciclone tropical a intensificar-se rapidamente, tornando-se um supertufão de categoria 5 na segunda-feira.