A morte de um idoso de 84 anos em Mogadouro, no distrito de Bragança, pode ter ocorrido devido ao atraso no atendimento por parte do Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar em novembro de 2024. A conclusão é da Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS), que concluiu que “o atraso no atendimento telefónico por parte do CODU poderá ter tido uma influência significativa no desfecho final da vítima”.

O idoso ter-se-á engasgado, tendo morrido devido aos danos cerebrais causados pela falta de oxigénio. “Ocorreu uma situação de engasgamento, constituindo-se como um fator contributivo relevante para o desenvolvimento de encefalopatia hipóxica, seguida de óbito”, indica a nota da IGAS sobre o caso, enviada ao Observador.

IGAS confirma uma morte por atraso no socorro durante greve do INEM

De acordo com o JN, o idoso, que estava institucionalizado, foi almoçar com a família, altura em que ocorreu o episódio de engasgamento. Os familiares não conseguiram contactar o INEM, apesar de o terem tentado fazer durante 40 a 50 minutos, tendo decidido levar o homem até à urgência do Centro de Saúde de Mogadouro. O homem acabou por entrar em paragem cardiorrespiratória e morrer.

Esta é já a terceira morte que a IGAS relaciona com o atraso no socorro, depois dos casos da morte de um homem de 86 anos em Bragança, a 31 de outubro de 2024, e de um outro homem de 53 anos em Pombal, a 4 de novembro de 2024. No caso de Pombal, o relatório da IGAS indica que a morte “poderia ter sido evitada caso tivesse havido um socorro, num tempo mínimo e razoável”. Já no caso de Bragança, a IGAS concluiu que o homem teria probabilidade de sobrevivência, embora esta estivesse “sempre condicionada à realização de manobras de suporte básico de vida, quando iniciadas no imediato” — o que não aconteceu devido à demora no atendimento.

IGAS. Utente que morreu em Bragança podia ter sobrevivido se socorro fosse imediato

No entanto, na semana passada, a ministra da Saúde disse no Parlamento que os relatório da IGAS sobre as mortes ocorridas durante a greve do INEM “não dizem que estas infelizes ocorrências tiveram especificamente a ver com a falta de socorro”.

A IGAS apurou que, na sequência do caso de Mogadouro, foi instaurado um inquérito disciplinar ao médico regulador do CODU do Porto, para onde a chamada foi encaminhada. “Apurou-se, também, a existência de indício disciplinar na atuação de um médico regulador do CODU do Porto, por não ter agido de forma diligente e zelosa aquando do acionamento dos meios diferenciados de emergência médica, nomeadamente a Viatura Médica de Emergência e Reanimação, para a realização do transporte secundário entre o Serviço de Urgência Básica de Mogadouro e a Unidade Hospitalar de Bragança”.

As conclusões relativas ao caso do idoso de Mogadouro são as últimas a ser conhecidas, tendo a IGAS concluído já os 12 inquéritos que tinha em curso relacionados com as mortes no INEM. Ao todo, em três foi encontrada relação entre o atraso no atendimento e socorro e as mortes.