Uns conseguem fazer o melhor e o pior num só dia, outros acabam sempre por ganhar com mais ou menos dificuldades. Depois do polémico dérbi no Metropolitano da última temporada, quando um penálti de Julián Álvarez foi anulado pelos dois toques na bola e o Real Madrid levou a melhor no desempate dos oitavos da Liga dos Campeões, Atlético e merengues encontravam-se pela primeira vez esta época com duas trajetórias distintas numa fase em que os dois crónicos candidatos à La Liga somavam por vitórias todos os encontros realizados até ao momento e os colchoneros continuavam sem somar dois triunfos consecutivos apesar do recente sucesso com o Rayo Vallecano com um hat-trick de Álvarez a decidir o jogo nos minutos finais.

Nada estava escrito, mas o guião foi o mesmo: Real Madrid elimina Atl. Madrid no Metropolitano nos penáltis e está nos quartos

“Não vivo do passado, vivo do presente. O Real Madrid melhorou o seu jogo coletivo, ataca bem de forma posicional e o treinador trabalhou a defesa, a pressionar mais alto. Por isso é que venceram todas as partidas até agora. Da nossa parte, ainda estamos a tentar ser uma equipa melhor. Fizemos algumas coisas boas, há outras onde temos de melhorar. Esperamos que essa evolução se possa sentir de jogo para jogo. Para já, estamos focados na preparação deste dérbi para terminar uma sequência de quatro encontro apenas em nove dias. O esforço vai depender muito da mente e do sacrifício”, apontara Diego Simeone, que depois de uma temporada aquém das expetativas em 2024/25 decidiu promover uma reformulação do plantel com oito contratações para superar saídas de “históricos” como De Paul, Saúl, Witsel, Azpilicueta ou Correa.

“Cada jogo é sempre difícil de ganhar, por agora levamos apenas seis [na Liga]. Temos o pleno de vitórias mas algumas custaram bastante. Não é pelo escudo que entramos só por entrar em campo, temos de manter esta constância de rendimento sem nunca relaxar. Ambiente? É um ambiente bonito, daqueles que dá gosto jogar. Os dérbis são sempre jogos especiais, nota-se isso na cidade nos dias anteriores. Com tudo isso, vais ganhando uma outra motivação. Não olhei muito para os últimos dérbis porque houve muitos jogadores a mudar mas noto que o Atlético está a evoluir e fez trocas inteligentes, com uma equipa que tem muita energia. Em termos táticos e físicos será muito exigente”, salientara também Xabi Alonso.

Com 100 dias no cargo após a saída de Carlo Ancelotti, entre um Mundial de Clubes que começou bem mas terminou de forma pesada com uma goleada diante do PSG nas meias-finais, o antigo treinador do Bayer Leverkusen teve uma grande entrada no Bernabéu entre triunfos mais “apertados” (Osasuna e Maiorca) e outros mais folgados (Levante). Agora chegava o grande desafio à invencibilidade, num desafio “chumbado”: num dia para esquecer em termos defensivos e numa exibição que deixou muito a desejar no ataque, o Real ainda conseguiu uma reviravolta mas não conseguiu travar a enxurrada ofensiva dos colchoneros, que tiveram em Julián Álvarez a principal unidade com um bis que “vingou” o polémico penálti de 2024/25.

O Atl. Madrid entrou a todo o gás, “engolindo” um Real Madrid que não conseguia sair com bola controlada para o meio-campo contrário e aproveitando a profundidade nas costas da defesa contrária para ameaçar a baliza de Courtois. Entre essas aproximações, uma delas com um corte fantástico de Éder Militão quando Sorloth se poderia isolar, Le Normand deu mesmo vantagem aos visitados após um cruzamento de Giuliano Simeone num lance que nasceu de uma bola parada (14′). Simeone e Sorloth ainda ameaçaram o segundo para defesas de Courtois mas o Real mostrou de novo todo o seu pragmatismo: uma oportunidade num passe fantástico de Arda Güler, um remate cruzado de Kylian Mbappé na área, o golo do empate a um (25′).

Era um golpe duro para o Atl. Madrid, que depois desse arranque com toda a confiança começava a duvidar de si próprio como aconteceu em vários jogos. Pior: uma das marcas de água deste Real de Xabi Alonso é a forma como a equipa “sente” a fragilidade contrária, com Mbappé a ganhar após corte incompleto de Le Normand, Vinícius Jr. a deixar dois adversários pelo chão numa jogada individual e Arda Güler a entrar da melhor forma na área para o remate de primeira de pé esquerdo para o 2-1 (36′). A reviravolta estava feita, a reviravolta parecia manter-se até ao intervalo apesar de mais um susto na baliza de Courtois com Lenglet a conseguir desviar na área depois de um canto mas o lance a ser anulado por mão (43′), a reviravolta sofreu novo revés com Sorloth a ganhar posição na área após cruzamento de Koke para fazer o 2-2 (45+2′).

Voltava tudo à estaca “zero”, num jogo de futebol fantástico que não perdeu a mesma cadência de golos no arranque da segunda parte com Arda Güler a cometer uma grande penalidade após canto e Julián Álvarez a “vingar” aquele castigo máximo da Champions com nova reviravolta no marcador (51′). O dérbi começava a ficar mais aberto, com Courtois a evitar que Sorloth aumentasse a vantagem mas a não ter argumentos para mais um momento de génio do antigo avançado argentino do City, que de livre direto marcou o 4-2 (63′). Mastantuono, Camavinga e Rodrygo ainda foram a jogo mas o Atl. Madrid não mais voltaria a perder a vantagem preciosa conseguida na segunda parte, ganhando o dérbi que quebrou a invencibilidade do Real na Liga e na época e reduzindo a desvantagem pontual para o rival da cidade para apenas seis pontos com Antoine Griezmann a sair do banco para fazer o 5-2 final numa transição com assistência de Baena (90+3′).