Em condições normais, seria apenas mais uma visita de saudar. Nesta fase, e devido ao contexto eleitoral, foi algo que não demorou a gerar discórdia. “O presidente volta a repetir a desfaçatez. Desta vez, aproveita a presença da equipa de futebol profissional em Londres, para o jogo da Champions frente ao Chelsea. Ao invés de estar junto dos jogadores, dando-lhes a confiança e a tranquilidade que o momento exige, prefere fazer campanha junto dos benfiquistas da Casa de Londres. Campanha, não um simples encontro institucional”, comentara a campanha de Cristóvão Carvalho, a propósito do encontro de Rui Costa com os benfiquistas da Casa de Londres. Como seria de esperar, tudo aconteceu conforme previsto. E o líder do clube da Luz , admitindo de novo que gostaria de ter ganho mais títulos no mandado prestes a encerrar, voltou a apontar para capítulos dos últimos quatro anos para assegurar que o Benfica está agora “mais preparado”.

“Não me escondi e devolvi a credibilidade perdida”: Rui Costa explica recandidatura após mandato que “preparou Benfica para o futuro”

“Sou o primeiro a assumir, sem me esconder, e a lamentar que nestes quatro anos apenas conquistámos quatro títulos. Não arranjo desculpas mas não posso esconder o que foi bem feito neste período. Quando o Benfica estava na lama não apareceu tanta gente… Houve muita coisa bem feita neste mandato. Vínhamos de uma pandemia e com capas de jornais que não davam a imagem que queremos para o Benfica. Orgulho-me de recuperar a credibilidade do nosso clube e isso não pode ser apagado, assim como a forma como passei a ser presidente do Benfica. Poucos teriam a coragem para assumir naquele momento. Quando o clube não está bem não aparecem seis candidatos à presidência”, começou por referir num discurso feito aos associados e simpatizantes do clube que vivem não só em Londres mas noutros pontos de Inglaterra e que contou com a presença de dois antigos internacionais dos encarnados, Carlos Manuel e Stefan Schwarz.

“A Direção acaba o mandato com um dos resultados mais históricos e que não passou na Assembleia Geral. O clube está bem financeiramente, continua a ser o clube português melhor financeiramente. Os números dizem-no. Aumentámos o passivo mas há razões para isso. Depois da Covid-19 não retirámos nada a ninguém mas isso pagou-se em 2021. Foi feita uma reformulação muito grande no futebol do Benfica. Podíamos ter ganho mais títulos mas criámos as bases para isso, não tenho dúvidas. Tudo isto se pagou mas sabemos o que estamos a fazer, acabando o mandato a inverter esta situação. Planeámos chegar aos 500 milhões de receitas anuais e vamos lá chegar. Benfica não teve nunca problema com fair play financeiro nem precisou de perdões bancárias para pagar aos seus colaboradores, jogadores ou fornecedores”, assegurou, numa “farpa” deixada a situações que foram vividas nos últimos anos pelos rivais FC Porto e Sporting.

“Nas modalidades, se não ganharmos uma competição, já não ganhamos o que queríamos ganhar. Nós ganhámos o dobro neste mandato do que no anterior. Chega? Não chega. Queremos sempre mais. Mas não nos podem ter acusar de ganhar pouco quando ganhámos mais do que os outros. Como temos muitas modalidades, liga-se mais às derrotas que às vitórias. É o ADN do Benfica mas neste mandato tivemos 78 troféus contra 39 do mandato anterior e não se pode dizer que ganhámos pouco. Temos de ganhar mais, consolidar o que foi feito neste mandato. Foi feito um investimento muito grande. Fizemos crescer todas as modalidades de forma sustentada, equilibrada, para que as equipas pudessem ganhar. Levámos o futebol feminino para a SAD, modalidade em crescimento, que temos dominado no país”. prosseguiu, neste caso em comparação com o que tinha acontecido no último mandato inteiro de Luís Filipe Vieira, de 2016 a 2020.

Em paralelo, Rui Costa recuperou também o tema do Benfica District, projeto que reforça ser do clube mas “para avançar”. “Em termos de infraestruturas, temos orgulho na Luz por dentro, um investimento que levou ao aumento de custos. O Benfica District é mesmo para avançar. Não é campanha, é uma realidade para o Benfica, vai enobrecer o nosso estádio. Vai ficar um dos estádios mais bonitos da Europa e isso deve orgulhar todos os benfiquistas. Temos cada vez mais pessoas à espera de Red Pass e vai permitir levar o estádio aos 80 mil lugares. Vai dar melhores condições para levar os nossos adeptos ao estádio, dar melhores condições aos atletas das modalidades com novos pavilhões, dar uma melhor experiência aos nossos adeptos. Chegámos também aos 400 mil sócios este ano, a marca será os 500 mil sócios. Estamos a crescer na ordem dos 27 mil por ano. É aí que queremos chegar, como chegar aos 500 milhões de euros de receita”, disse.

Por fim, no final do discurso feito aos muitos presentes, Rui Costa abordou ainda a questão da venda dos direitos televisivos. “Jamais conseguiria deixar o Benfica num estado financeiro que não fosse o ideal para o clube mas nunca irei colocar a parte financeira à frente da desportiva. A parte financeira servirá sempre para o desporto e não o inverso. É preciso aumentar a receita. Não podemos aumentar a receita sem os direitos televisivos e o Benfica será intransigente na defesa dos seus interesses. Já temos uma proposta superior àquela que temos em vigor e que não aceitámos porque acreditamos que valemos mais do que isso. Essa questão dos direitos televisivos está em cima da mesa do futebol português e é bastante perigosa. A garantia que vos dou é que não iremos descansar enquanto não tivermos o que consideramos justo. Há coisas para melhorar sempr, mas comigo só o Benfica importa. É com este benfiquismo, com este amor e paixão, com uma equipa de trabalho que estou convencido que o Benfica vai crescer”, concluiu o líder das águias.

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