A primeira ação oficial da campanha do Chega em Lisboa começou com um momento de confusão. Por momentos, alguns apoiantes do partido e outros tantos residentes da freguesia de Santa Clara duvidaram se tinham comparecido para o evento correto. Isto porque o Chega marcou o início da sua arruada na freguesia para o exato local (Largo do Ministro) e a exata hora (15h30) a que começava a festa do 12º aniversário da freguesia.

Antes de chamar o Grupo Coral das Vozes da Ameixoeira ao palco, a presidente da freguesia de Santa Clara quis clarificar o sucedido, diante uma audiência de cerca de 50 fregueses. “Para que conste, este encontro não tem rigorosamente nada de político. É um encontro da instituição junta de freguesia, mais nada. Se alguém entender qualquer coisa diferente, é o seu entendimento próprio — errado com certeza, abusivo com certeza”, disse Maria da Graça Ferreira, a socialista que liderou a autarquia nos três mandatos ocorridos desde a sua fundação.

Bruno Mascarenhas começou por explicar que tinha sido o candidato do partido à freguesia, Manuel Nascimento, a marcar a hora e o ponto de encontro da arruada. Sendo que este é membro da assembleia de freguesia, estava ciente da ocorrência da festa de aniversário da junta, admitiu Mascarenhas. “Isto é um espaço público, é uma festa aberta ao público“, continuou, reconhecendo, porém, que o partido não ia participar no evento da junta. “Não vamos participar, nós vamos fazer depois uma arruada. Mas as pessoas também sabem que estamos aqui e sabem que o Chega está presente para as defender.”

O candidato à câmara de Lisboa também rejeitou que a sua candidatura se quisesse aproveitar do público da festa de aniversário da junta para o primeiro evento oficial de campanha. “Hoje é o primeiro dia oficial, [mas] já estamos em campanha há semanas e, portanto, não, não fizemos essa leitura”, afirmou. Quanto à necessidade que a presidente da junta teve de se desassociar da arruada do Chega, Bruno Mascarenhas afirmou: “Ela é do Partido Socialista e obviamente não está associada ao Chega. É normal que assim seja.”

Depois de Mascarenhas lhe ter atribuído a responsabilidade da marcação do local da arruada, o candidato à freguesia Manuel Nascimento acabaria por dar as suas próprias explicações sobre o sucedido, atribuindo tudo a “uma coincidência muito engraçada”. “Para nós a campanha é uma festa. Nós queremos arrancar a campanha em festa e em grande e o Chega é uma força política diferente que se dá bem com todas as outras forças políticas.”

Questionado se estava em causa um aproveitamento político do Chega, respondeu: “Longe disso, não é aproveitar.” O Largo do Ministro, local da festa de aniversário e ponto de partida da arruada, é onde se localizam as instalações da junta de freguesia de Santa Clara. Essa centralidade também terá contribuído para a escolha do ponto de partida da ação de campanha do Chega, explicou o candidato do partido. “Nós estamos entre bairros sociais, nomeadamente habitados por pessoas que poderão não estar de acordo com aquelas que são as políticas do Chega e neste momento este é o local mais seguro para nós iniciarmos à arruada”, disse Manuela Nascimento.

Antes ainda da arruada com cerca de 30 apoiantes do Chega arrancar, o candidato quis quantificar o aumento da insegurança que diz ter sentido na freguesia. “Em reunião com o comando da PSP, conseguimos aferir que na freguesia das Avenidas Novas, por exemplo, existem duas queixas por semana de violência doméstica. Aqui, na nossa Santa Clara, deparamos-nos com oito queixas diárias de violência doméstica.” Manuel Nascimento acrescentou ainda que “a criminalidade aumentou substancialmente, para além do tráfico de droga e o tráfico de armas também, que se faz sempre nos bairros sociais”, desta vez, sem mencionar em que dados se baseava.

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