Sábado foi dia de duelo dos gigantes adormecidos. Stamford Bridge recebeu mais uma grande partida da Premier League, com Chelsea e Liverpool a partirem para esta sétima jornada em situações distintas, mas a viverem um momento pós-derrota, depois de terem demonstrado as suas fragilidades no último fim de semana. A situação dos blues era bem mais conturbada, já que a equipa de Enzo Maresca não vencia, em jogos do Campeonato, há mais de um mês — desde a terceira jornada —, embora tivesse respondido na receção ao Benfica (1-0). Fruto dessa inconsistência interna, o campeão do mundo encontrava-se no oitavo lugar da Liga inglesa. Por outro lado, os reds consentiram a primeira derrota na deslocação a casa do Crystal Palace (2-1), resultado que acabou por abalar a equipa, já que, na deslocação à Turquia para enfrentar o Galatasaray, o Liverpool voltou a perder (1-0). Ainda assim, a turma de Arne Slot continuava na liderança da competição que reconquistou na última época.

Slot e o banho turco de uma realidade fria: Liverpool perde com o Galatasaray e soma segunda derrota seguida

“Momento? É difícil, mas confiamos em todos os que temos aqui. Quando se continua a mudar, torna-se mais difícil, mas é mais difícil contra todos, não apenas contra o Liverpool. Jogámos muito bem os dois jogos contra o Liverpool na época passada. Mas cada jogo é diferente, especialmente de uma época para a outra. Vamos tentar preparar o jogo da melhor forma possível e tentar ganhar. Mesmo que tenham perdido pontos nos últimos dois jogos, mostraram a razão pela qual venceram a Premier League na época passada e estarão na luta até ao fim. Não acho que agora seja melhor jogar contra o Liverpool porque perderam pontos nos últimos dois jogos. É sempre um jogo difícil contra uma grande equipa. Todas as equipas do mundo têm uma fragilidade. Perderam um ou dois jogos, o que demonstra essa fragilidade, mas isso não é só do Liverpool, é de todas as equipas do mundo”, explicou Maresca na antevisão ao jogo.

“Contra o Galatasaray vi uma equipa que jogou até ao último momento, tentando alcançar um bom resultado. Fomos diferentes do jogo com o Crystal Palace. Ganhámos as segundas bolas. Já disse muitas vezes, na época passada, que a diferença é tão pequena. O mesmo acontece esta época. Estamos a tentar encontrar formas de ser melhores e não apenas depender da sorte ou de lances de bola parada, ou algo do género. Alisson não fará parte da equipa amanhã [sábado] e não viajará para o Brasil para os jogos da sua seleção. Ficaria surpreendido se estivesse disponível para o primeiro jogo após a pausa para as seleções. Depois disso, não sabemos. Depende da rapidez com que ele recuperar. Sabemos que contratámos um guarda-redes muito bom [Mamardashvili]. Contra o Southampton vimos que ele se adaptou muito bem, o que não é surpresa, pois é um guarda-redes de qualidade”, antecipou Slot.

Para este clássico, Enzo Maresca sofreu um duro revés na defesa, com quatro centrais a falharem a partida. Assim, o técnico apostou em Josh Acheampong e Benoît Badiashile para comporem a sua quinta dupla de centrais em dez encontros na presente temporada, com Pedro Neto — que foi a cara da capa oficial do programa de jogo — e Alejandro Garnacho a atuarem no ataque, juntamente com João Pedro. Nos reds, Federico Chiesa e Hugo Ekitiké, que estiveram lesionados nos últimos dias, sentaram-se no banco de suplentes, Cody Gakpo e Mo Salah a atuarem no apoio a Alexander Isak e Giorgi Mamardashvili a fazer a estreia na Premier League.

Com as duas equipas alinhadas no seu tradicional 4x2x3x1, o jogo começou equilibrado, mas começou a ficar balanceado quando Moisés Caicedo começou a abrir o livro, inaugurando o marcado com um grande remate, de longe, ao ângulo superior esquerdo da baliza do georgiano (14′). Na resposta, o campeão inglês desequilibrou pela meia-esquerda, com Dominik Szoboszlai a receber dentro da área e a atirar contra Badiashile quando tinha tudo para fazer melhor (19′). Na fase final do primeiro tempo, o jogo voltou a animar, com Garnacho a desferir um remate colocado, de fora da área, que embateu em cheio no poste (39′). Na jogada seguinte, os londrinos pediram penálti num lance de disputa entre o ex-Man. United e Szoboszlai, o árbitro Anthony Taylor deixou jogar e, na última oportunidade, Salah cruzou para um cabeceamento de Isak por cima (43′).

Ao intervalo, Slot lançou Florian Wirtz no lugar de Conor Bradley, alterando a forma de jogar da sua equipa, com o médio húngaro a passar para a defesa. Maresca respondeu com Roméo Lavia, por troca com Badiashile, seguindo-se a entrada de Andrew Robertson para o lado esquerdo da defesa dos reds, com Curtis Jones a render Ibrahima Konaté. Em mais lance pela esquerda, Marc Cucurella ganhou a linha de fundo e cruzou para o segundo poste, Pedro Neto cabeceou para a baliza, mas Robertson intrometeu-se e cortou para canto (59′). Os papéis inverteram-se no lance seguinte, com o português a cruzar, mas Enzo Fernández falhou o desvio (62′). Contra a corrente do jogo, Salah combinou com Szoboslai no corredor esquerdo, o húngaro cruzou sem oposição e, em zona central, Isak amorteceu para Cody Gakpo, que só teve de encostar para empatar o jogo (63′).

Depois do segundo golo, Josh Acheampong lesionou-se e obrigou Enzo Maresca a efetuar mais uma alteração no centro da defesa, com Jorrel Hato a entrar para o seu lugar. Seguiu-se novo lance polémico, com o Liverpool a protestar falta de Reece James sobre Isak, que sofreu um toque no rosto, e mais uma série de alterações para a reta final, que levaram Ekitiké (saiu Isak), Marc Guiu (João Pedro), Estêvão (Neto) e Jamie Bynoe-Gittens (Garnacho) a saírem dos bancos. O Chelsea continuou mais perto de marcar e, em mais um lance de combinações na esquerda, Enzo desferiu um cruzamento perigoso, que só encontrou o corte de Virgil van Dijk (80′). Seguiram-se duas ocasiões no mesmo lance, de Gittens e do jovem brasileiro, mas Mamardashvili segurou o empate (84′). Wataru Endo foi a última opção dos treinadores, entrando para o lugar de Alexis Mac Allister, mas a toada continuou, com Caicedo a desferir mais um remate de longe para defesa difícil do georgiano (89′). Szoboszlai respondeu da mesma moeda, com um remate cruzado e rasteiro para fora (90′).

Já no tempo de compensação, Estêvão desferiu um grande cruzamento para a área, Enzo Fernández ganhou a frente a Szoboszlai e, completamente sozinho, cabeceou ao poste (90+1′). Pouco depois, Curtis Jones apareceu na área contrária depois de uma simulação com o corpo de Ekitiké, mas o remate do médio saiu por cima (90+4′). No penúltimo minuto da partida, os blues voltaram a desequilibrar pela esquerda, Cucurella cruzou rasteiro e, ao segundo poste, Estêvão encostou para o golo da vitória, estreando-se a marcar na Premier League e tornando-se no jogador mais jovem do Chelsea a faturar na Liga (90+6′). O lance levou Enzo Maresca a replicar o gesto de José Mourinho e a mandar um sprint para festejar com a sua equipa. O treinador acabou expulso, por duplo amarelo, e Van Dijk a ponta de lança, mas o Chelsea segurou mesmo a vitória (2-1). Os londrinos subiram ao sexto lugar, com 11 pontos, ao passo que os reds foram ultrapassados pelo Arsenal na liderança e levam agora três derrotas consecuticas, duas no Campeonato, algo que não acontecia há mais de dois anos.