O antigo campeão mundial de xadrez e um dos mais destacados opositores de Vladimir Putin, Garry Kasparov, lançou um novo aviso à Europa: o presidente russo “está a testar a Europa” e poderá “tentar uma invasão terrestre” num país báltico ainda este ano. Em entrevista ao jornal El Mundo, o ativista, exilado e presidente da organização “Renew Democracy Initiative”, defendeu que “Gaza é a maior distração” e que o verdadeiro desfecho do equilíbrio global “se decidirá na Ucrânia”.

Kasparov acredita que Putin mantém uma visão imperial da Rússia e que a guerra só terminará quando “a bandeira ucraniana voltar a ondular em Sebastopol”. Para o ex-campeão, o Kremlin não luta apenas por território, mas pela restauração simbólica da “Grande Rússia”. “Enquanto Putin estiver no poder, haverá guerra”, afirmou, acrescentando que o presidente russo vê a existência de uma Ucrânia soberana como “uma afronta pessoal e histórica”.

O dissidente argumenta que a Europa “vive já sob uma guerra híbrida” travada por Moscovo e critica o que considera ser a inércia da NATO e da União Europeia. “Putin está a testar a Europa; em algum momento tentará algo mais dramático”, advertiu, referindo que uma provocação limitada — como uma incursão em Estónia ou Letónia — serviria para “provar que o artigo 5.º da NATO não funciona” e expor a fragilidade da aliança atlântica.

Kasparov defendeu uma resposta mais firme do Ocidente, incluindo o envio de tropas ou a criação de uma “Legião Internacional” para apoiar Kiev. “A fraqueza provoca mais agressão. Se não se destruírem os exércitos de Putin em território ucraniano, ele avançará para outro lado”, alertou. Para o antigo campeão, a melhor defesa da Europa é “transformar a Ucrânia num porco-espinho” — um país fortemente armado e apoiado financeiramente pelo Ocidente.

O opositor, que há anos denuncia o autoritarismo do Kremlin, reafirmou que a guerra é o único legado possível de Putin, descrevendo a Rússia atual como “um império condenado” que apenas mudará após uma derrota militar decisiva. “A guerra é a sua única saída. Se não for travado, continuará a expandi-la como um cancro”, concluiu Kasparov.