Um bebé nasceu no chão da receção das urgências do Hospital Santos Silva, em Gaia, no passado sábado. Segundo o pai do menino, a criança bateu com a cabeça no chão, durante o momento da expulsão — uma informação que o hospital desmente. O episódio é confirmado pela unidade hospitalar.

À RTP, o pai do recém-nascido relata que se dirigiu às urgências com a mulher duas horas antes do momento do nascimento, avisando que era o terceiro filho, que a grávida costumava ter partos rápidos. Porém, foi pedido ao casal que regressasse a casa, apesar de os pais insistirem com a equipa das urgências de que a criança nasceria em breve.

O pai do bebé diz à RTP que pediram para que a mulher recebesse assistência. Quando regressaram às urgências, já com contrações de quatro em quatro minutos, a mulher já estava em trabalho de parto.

“Pedimos uma maca”, explica o pai da criança, que voltou a avisar que o bebé iria nascer. Diz que pediram várias vezes assistência médica, em vão, responderam-lhes que iriam buscar uma cadeira de rodas. O parto acabou por acontecer ainda na receção, com os pais a gritarem que “estava coroando” (momento em que a parte mais larga da cabeça do bebé começa a surgir, sendo visível).

A fase da expulsão ocorreu mesmo e o bebé bateu com a cabeça, contou o pai que diz que segurou imediatamente no filho para ver se chorava, o que aconteceu. O recém-nascido e a mãe foram finalmente colocados numa maca e o bebé levado para a sala de emergência e depois para uma sala de partos, para concluir o parto. Submetida a exames, incluindo dois TAC. A criança está bem, mas os exames deverão ser repetidos.

À RTP, o pai denuncia uma violação de protocolo de assistência e ética médica. Já apresentou queixa ao Hospital Santos Silva, à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e à Ordem dos Médicos.

Num comunicado enviado ao Observador, o hospital confirma que o parto ocorreu na área de receção do serviço de urgência da unidade hospitalar e que a “utente foi admitida pelas 16h30”. “De imediato, realizou-se um CTG (cardiotografia, exame  que monitoriza a frequência cardíaca fetal e as contrações uterinas da mãe) onde se verificou que a utente não se encontrava em fase ativa de trabalho de parto, não sendo previsível, mesmo em situações de grávidas que já tiveram dois partos (multípara), uma alteração do quadro tão súbita”, esclareceu fonte oficial da unidade hospitalar.

“Considerando a curta distância entre a residência e o hospital (menos de 10 min), e de acordo com as recomendações da Especialidade de Obstetrícia, aplicámos o procedimento habitual: indicação de regresso a casa, com retorno à urgência em caso de alterações no quadro clínico”, indica ainda o hospital.

Descreve ainda: “Às 19h59, quando a utente regressa, e durante admissão, procedimento administrativo cuja duração é de três minutos, deu-se o parto, sendo que a grávida foi pronta e instantaneamente assistida pela Equipa de Emergência (a sala de emergência é contígua à área de receção e é constituída por médico e enfermeiros).

O hospital informou ainda que a grávida foi assistida na sala de emergência, sendo que mãe e recém-nascido teriam tido alta. Na terça-feira, fonte oficial da unidade hospitalar corrigiu essa informação, dando conta que a mulher e o bebé se mantêm internados e que o bebé foi submetido a um TAC. É esperado que seja dada alta a ambos na quarta-feira.

Em declarações à Rádio Observador, Ana Margarida Fernandes, diretora clínica dos cuidados hospitalares do Hospital Santos Silva informa que “mal a equipa percebeu o que estava a acontecer” na receção, “mãe e criança foram assistidas”.

Não confirma, no entanto, que o bebé tenha batido com a cabeça no chão. “Foi o próprio pai da criança que desmentiu e disse que tinha conseguido segurar a criança para que ela não não batesse com a cabeça no chão”, assegurou ainda, contrariando a versão do pai.

Artigo atualizado às 19h00 de terça-feira com a correção, por parte do Hospital Santos Silva, que indica que mãe e bebé não tiveram alta no dia do parto como indicado anteriormente