O Ministério dos Negócios Estrangeiros grego anunciou que 161 das mais 171 pessoas expulsas de Israel esta segunda-feira aterraram no aeroporto de Atenas, entre as quais a ativista sueca Greta Thunberg.

Em comunicado, o ministério indicou que “um voo especial de repatriamento” aterrou em Atenas, com “os 27 cidadãos gregos que tinham participado na flotilha ‘Global Sumud Flotilla'” e 134 outras pessoas “provenientes de 15 países europeus”.

No aeroporto estava colocada uma enorme bandeira da Palestina na zona das chegadas e gritava-se “Liberdade para a Palestina!” e “Viva! Viva a Flotilha!”, constatou a AFP.

À chegada ao aeroporto, Greta Thunberg foi recebida por uma multidão de apoiantes e falou aos jornalistas. “Permitam-me que seja muito clara: está a acontecer um genocídio diante dos nossos olhos, um genocídio transmitido em direto para todos os nossos telemóveis”, afirmou aos jornalistas, citada pelo The Guardian.

“Ninguém tem o privilégio de dizer que não estamos cientes do que está a acontecer. No futuro, ninguém poderá dizer que não sabíamos”, acrescentou a ativista sueca, que acabava de ser deportada de Israel.

Ao abrigo do direito internacional, aponta Greta Thunberg, os Estados têm a obrigação legal de “prevenir e impedir a ocorrência de um genocídio”. “Isso significa acabar com a cumplicidade, exercer uma pressão efetiva e pôr termo às transferências de armas. Não estamos a ver isso, não estamos a ver sequer o mínimo dos nossos governos”, afirmou.

A ativista, referiu ainda que a flotilha humanitária tinha como objetivo “impedir que a população de Gaza passasse fome” e que pretendia “dar um passo em frente quando os nossos governos não o fizeram”.

Antes, Israel anunciara que tinha expulsado 171 participantes na flotilha para a Grécia e Eslovénia, mostrando fotos de Thunberg.

Entre os expulsos estão nacionais de Grécia, Itália, França, Irlanda, Suécia, Polónia, Alemanha, Bulgária, Lituânia, Áustria, Luxemburgo, Finlândia, Dinamarca, Eslováquia, Suiça, Noruega, Reino Unido, Servi e EUA, acrescentou o Ministério.

A flotilha Global Sumud saiu de Barcelona, no início de setembro, com o objetivo de romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária aos palestinianos.

As cerca de 50 embarcações que a integravam foram detidas pela marinha israelita ao largo do Egito e da Faixa de Gaza, entre 01 e 03 de outubro, de forma ilegal, segundo os organizadores e a Amnistia Internacional.

Desviados para o porto de Ashdod, os barcos transportavam mais de 470 pessoas, que foram detidas.

As expulsões começaram em 2 de outubro. Ainda estão detidos 138 participantes na flotilha, disse o Ministério à AFP.