“Queridos benfiquistas, queridos consócios. Sinto-me muito feliz por estar neste encontro de benfiquistas apaixonados, prontos para a ação pelos mais legítimos dos motivos. Nós só queremos o melhor para o nosso clube. Hoje, 25 anos depois, noutras circunstâncias, cabe-me a honra de apontar de forma convicta para a candidatura de João Noronha Lopes, o homem certo para assumir o seu lugar na história do fabuloso Sport Lisboa e Benfica”, dizia Manuel Vilarinho, antigo presidente dos encarnados, num vídeo de apresentação que antecedeu “o segundo passo importante na caminhada” do candidato a nova corrida eleitoral. Depois do dia da apresentação das listas aos órgãos sociais do clube, era altura de Noronha Lopes apresentar o programa eleitoral que levará a votos no próximo dia 25, com várias intervenções com diagnósticos e soluções.

“Sinto o desejo de mudança, feita o mais rápido possível”: Noronha Lopes apresenta listas aos órgãos sociais do Benfica

Em paralelo, e num dos pontos fortes da noite, o empresário abordou também as dez medidas que pretende concretizar nos primeiros 100 dias de mandato, onde se destacam a reorganização de toda a estrutura para o futebol, feminino e formação, a nomeação do Provedor do Sócio e convocação do Congresso das Casas do Benfica, o início de uma auditoria externa à gestão do clube e da SAD, a criação do Portal da Transparência, a disponibilização público do plano estratégico para a próxima década dos encarnados, a análise da expansão da Luz para 83 mil espectadores com todo o impacto que terá na zona envolvente, a reformulação da bilhética ou a liderança do processo de centralização dos direitos televisivos.

“Existe hoje um distanciamento da massa associativa, uma comunicação mal dirigida e onde os sócios são tratados como clientes. Existe falta de cultura de vitória. Como é possível ganhar um Campeonato em quatro e quatro troféus em 16 possíveis? Os investimentos foram avultados e mais dirigidos, com mais de 400 milhões de euros em quatro anos. Há um défice de liderança, de competência, de transparência, de inovação. É fundamental haver uma mudança de liderança, uma mudança de cultura, uma mudança na organização para proteger aquele que é o futuro do Benfica”, começou por defender João Noronha Lopes.

“Tudo o que está aqui é resultado de um ano de trabalho, com uma equipa multidisciplinar que ia olhando para vertentes como o associativismo, o futebol, as modalidades, as finanças, a marca, a comunicação, a estratégia e a inovação. Foram grupos de trabalho que foram reunindo em cada área de forma semanal desde janeiro de 2025 para fazerem este plano que assenta em quatro grandes pilares: um Benfica fiel a si mesmo que coloque os sócios no centro do clube, um Benfica que tenha um modelo vencedor no futebol, na formação e nas modalidades, um Benfica com gestão com ética, transparência e modernização, um Benfica que seja competente na expansão”, acrescentou, antes de passar aos vices de cada uma das áreas.

“As Casas têm de ser uma Catedral de associativismo, não apenas nas eleições”

Na parte relativa ao Associativismo do programa, a candidatura defende a necessidade de haver “a abertura do Benfica aos seus verdadeiros donos, os sócios”. “Não podemos continuar a afastar quem mais quer o bem do Benfica. Como muitas outras mudanças necessárias no clube, esta também não pode esperar mais. Sempre com os sócios no centro de tudo. Sempre pelo Benfica Acima de Tudo”, defende.

Entre as propostas apresentadas estão a Casa do Sócio na Luz, um espaço de encontro permanente para sócios em Lisboa, à imagem das Casas espalhadas pelo país e um local de convívio, partilha e vivência entre benfiquistas; o primeiro Provedor do Sócio, independente da Direção e que funcione como um elo de ligação entre sócios e o clube e como ajuda em temas como quotas, bilhetes, Casas, estatutos e serviços; um Portal da Transparência, que possa dar informação financeira, remunerações dos Órgãos Sociais, comissões de intermediação de transferências e execução do Programa Eleitoral; ou uma nova plataforma digital que centralize toda a informação relevante para sócios e possa fazer ligação ao Provedor do Sócio.

Ao mesmo tempo, a candidatura liderada por Noronha Lopes defende a ideia de Presidência Aberta, com a realização de duas reuniões anuais com todos os órgãos sociais em Casas do Benfica por forma a ter uma presidência mais próxima, pretende mudar a relação com as Casas do clube, não só a nível de modernização e condições de venda de merchandising mas também o regresso Congresso das Casas e maior proximidade com as modalidades, abrir mais a BTV aos sócios e instituir dias de celebração, com o Feriado Benfiquista a 25 de janeiro em homenagem a Eusébio e a celebração do benfiquismo no final de cada temporada.

“As visitas que foram sendo feitas as várias Casas mostrou bem como é importante haver a figura de um Provedor do Sócio. As Casas do Benfica têm de ser uma Catedral de associativismo. Não pode ser apenas para ir lá quando são os aniversários ou quando existem eleições. Depois, claro, o dia 25 de janeiro, que deveria ser feriado nacional por ser o Dia de Eusébio…”, começou por referir Raquel Vaz Pinto, que será vice para o Associativismo. “Precisamos de ter um espaço para os sócios do Benfica no Estádio da Luz. De seguida, o Progama Mais Vantagens. Tem de haver uma aproximação entre o maior clube nacional e os seus sócios e queremos chegar aos 500 mil associados até 2029”, destacou Raquel Vaz Pinto, vice para a área.

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Jogar à Benfica, ter mais João Neves e criar uma nova figura de Chief Scouting Officer

De seguida, a bola foi passada para Nuno Gomes, antigo avançado e capitão dos encarnados que será o vice para o futebol. Em termos genéricos, e em ideias que já tinham sido deixadas noutras presenças públicas, tudo se centra num “modelo vencedor”. “Precisamos de mais competência, mais coesão e melhor liderança na estrutura do futebol profissional, de formar para vencer e não para vender. Precisamos de abordar de uma forma mais inteligente o mercado”, destaca o Programa Eleitoral. Seguia-se a explicação do “como”.

“O futebol não está a passar uma boa fase. Hoje falta um projeto com estrutura, um caminho. Sem vitórias é a nossa identidade que se perde. Se não jogarmos à Benfica, não vamos ganhar à Benfica e aquilo que nós mais queremos é ganhar à Benfica”, atirou Nuno Gomes. “O Vítor Paneira para mim representa muito daquilo que é o jogar à Benfica. O jogar à Benfica é recuperar a cultura de exigência que valoriza a história do clube mas também a ligação com os nossos adeptos. Senti muitas vezes que eram os nossos adeptos que nos ajudavam a ganhar. A organização do futebol vai estar bem definida. Temos um eixo a trabalhar há alguns meses e nós vamos sempre garantir esse eixo entre equipa A, equipa B e formação. Queremos também fazer aquilo que é um investimento sem precedentes na retenção e desenvolvimento dos nossos jovens. Queremos mais João Neves, montar uma estratégia para ficar mais tempo com estes jogadores”, explicou o ex-capitão.

“Vamos sempre olhar primeiro para dentro e só depois para fora, numa prioridade total para a formação. Queremos também definir uma estratégia mais inteligente em termos de empréstimos. Vamos aumentar a rede de escolas em termos nacionais e investir nos projetos lá fora, também para alargar a nossa rede de contactos. Vamos ainda criar uma nova figura do Chief Scouting Officer, num scouting mais moderno que possa ser mais racional e que consiga antecipar as coisas tendo também como suporte dados, inteligência artificial e tecnologia. Vamos também ter uma maior igualdade de direitos e deveres no futebol feminino, criando também um departamento de scouting que é muito importante”, acrescentou Nuno Gomes.

“Não falta investimento nas modalidades, falta liderança e competência”

Nuno Gomes recebeu uma bola de futebol, Nuno Gomes passou uma bola de basquetebol. Felipe Gomes, vice para as modalidades e também ele antiga referência nas modalidades do Benfica, ficou encarregue de fazer a apresentação sobre os principais objetivos da candidatura neste tema. “Todo o potencial desportivo, social e cultural não é devidamente cumprido e cumprir esse desígnio requer um novo modelo  com uma organização profissional, ambição europeia, ter condições para formar campeões e focar na sustentabilidade financeira”, salienta de forma mais resumida a parte do Programa Eleitoral que é dedicada às modalidades.

Assim, a lista de Noronha Lopes aponta para uma reorganização de todo o organograma, passando a ter um vice-presidente dedicado ao ecletismo que assuma as partes desportiva e orçamental, com uma estrutura que conte com um coordenador geral dentro de uma gestão financeira moderna e que apresente transparência em termos orçamentais, apostando noutros três pilares: fazer regressar o “Inferno da Luz” nos pavilhões, valorização das modalidades femininas e reforçar a ligação com as Casas do Benfica.

“Lembro-me de ir com o meu pai, campeão de voleibol do Benfica e passarmos uma tarde ao Benfica. A ver várias modalidades. É com esta paixão e amor ao Benfica que apresento algumas medidas. Temos ambição europeia, formação de campeões e com mais sustentabilidade financeira. Queremos um coordenador geral desportivo. Teremos coordenador geral operacional. É nas modalidades que está o dinheiro dos sócios. Não falta investimento nas modalidades, falta liderança e competência e com isso podem contar. As Casas vão ter papel fundamental na nossa estratégia. Temos centenas de jogos durante o ano. Vamos desenhar plano de jogos em casa, em zonas do país onde temos Casas e queremos transportar o inferno da Luz para Castelo Branco, para a Guarda, de norte a sul do país. Os nossos jogadores irão com gosto a essas Casas do Benfica, que irão receber de braços abertos estas iniciativas”, apontou Felipe Gomes.

“Auditoria externa englobará toda a atividade, não é só para ‘x’ contratos”

Seguiu-se a parte financeira, com José Theotónio, que é agora candidato a vice com o pelouro das finanças depois de ter sido candidato ao Conselho Fiscal em 2020. “Para nós é inquestionável, ter uma boa governança, transparência e ética. A liderança que o clube tem não é só apregoar, tem que ser praticada e levada a sério. Este é caminho que o Benfica irá seguir. As direções que são os donos do clube. Procederemos a uma auditoria externa à gestão do clube. Esta auditoria externa, independente, que englobará toda a atividade do Benfica, não é só para ‘x’ número de contratos. Depois de fazer a auditoria, será comunicada aos sócios, poderemos aprender com os erros e ter uma gestão mais transparente e ética. Uma das medidas emblemáticas será o congelamento do aumento dos Red Pass nos próximos quatro anos. Não podem ser os sócios do clube a pagar os erros das direções. Temos de proteger quem já tanto paga”, referiu.

“O que depende de nós são os custos, os proveitos dependem muitas vezes do mercado. Os custos dependem de nós e é aí que teremos de intervir. Se conseguirmos equilibrar os custos que aparecem todos os anos, com os proveitos que temos todos os anos, conseguimos ajudar muito não depender da transação de jogadores, mas reter talento e fazê-los ídolos do clube. Não queremos que saiam assim que têm uma época boa. Sobre a centralização dos direitos televisivos, o Benfica vai ser gravemente prejudicado numa das suas maiores fontes de receita. É necessária uma defesa intransigente junto de todas as entidades. Não podemos esquecer que o Benfica é que garante a sustentabilidade do futebol português. É o Benfica que enche e dá audiências. Não podemos ser prejudicados em todo este processo”, acrescentou, antes de passar a palavra a Luís Pedro Duarte, “porque se é preciso conter os custos, também são necessárias mais receitas”.

A importância do congelamento de preços do Red Pass entre os aumento das receitas

Outro dos pontos que merece um capítulo só para si no programa eleitoral em a ver com a Bilhética. “É tempo de ter um modelo claro, transparente e assente em critérios conhecidos por todos os sócios. No Benfica, a bilhética tem de ser um exemplo de justiça, simplicidade, transparência e eficiência. Hoje, mais de 20.000 sócios estão em lista de espera sem qualquer perspetiva de acesso ao Estádio. O Red Pass é muitas vezes mal utilizado ou até revendido de forma abusiva. E a consequência está à vista de todos: uma clara perda de confiança dos sócios no processo de bilhética”, advoga a candidatura de Noronha Lopes.

Tendo esse aspeto em vista, a lista do empresário apresenta três grandes ideias: reformar a bilhética com um modelo digital, justo e transparente, pronto para a época 2026/27; criar o Benfica Loyalty Score inspirado nas melhores práticas europeias que recompensa quem mais vive o clube, pela presença, antiguidade e envolvimento; clarificar o Red Pass com regras evidentes, premiando a assiduidade e penalizando a sua não utilização. “Com o novo modelo, a lógica é simples: quem mais dá ao Benfica, mais acesso terá ao Benfica. Cada lugar no Estádio deixa de ser visto como um privilégio automático e passa a ser assumido como um verdadeiro compromisso com o clube. Pela primeira vez, todos os sócios poderão consultar, em tempo real, a sua posição e pontuação, com base em critérios públicos, auditáveis e previsíveis. Um sistema claro, sem truques, que valoriza a ligação de cada benfiquista ao Clube. O nosso objetivo é ambicioso: fazer do Benfica uma referência mundial em bilhética, colocando os Sócios no centro e devolvendo-lhes a confiança que nunca devia ter sido perdida”, defende a candidatura de Noronha Lopes.

Em paralelo, e explicando que “aumentar o Red Pass não é garantia de um aumento de receitas”, a lista do empresário deixa um outro compromisso em relação aos bilhetes de época: congelar o preço do Red Pass entre 2025 e 2029. “Este é um modelo já seguido pelos grandes clubes europeus, como o Bayern, e que garante previsibilidade, estabilidade e respeito pelos sócios. Ao mesmo tempo, vamos procurar novas formas de gerar receita, nomeadamente através da valorização dos bilhetes corporate, sem penalizar os sócios comuns. O Red Pass será reforçado no seu papel original: um elo entre gerações, que une pais, filhos e netos à volta do Benfica, mantendo viva a tradição de encher a Luz jogo após jogo”, salienta.