A greve de 24 horas na Dan Cake está a registar uma adesão total na unidade da Póvoa de Santa Iria, que está parada, tendo as trabalhadoras decidido fazer uma nova greve em 7 de novembro, segundo fonte sindical.
Em declarações à agência Lusa, Rui Matias, do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (Sintab), explicou que na base do protesto está o facto de “a empresa, desde que foi comprada pela multinacional Biscuit International, em 2021, não fazer aumentos salariais dignos desse nome”.
“Os trabalhadores ganham exatamente o salário mínimo nacional e este é o grande drama”, enfatizou.
A agência Lusa tentou ouvir a administração da Dan Cake, cujas trabalhadoras já realizaram várias greves este ano, mas tal não foi possível até ao momento.
Segundo o dirigente do Sintab, “é completamente impossível negociar” com a administração da Dan Cake, que “nem sequer quer cumprir o contrato coletivo de trabalho”: “Fizemos vários tipos de propostas, em numerário, em percentagem… não é por falta de propostas do sindicato que a empresa não vai ao encontro das expectativas dos trabalhadores”, sustentou.
De acordo com Rui Matias, a administração “diz que a empresa não tem capacidade financeira para fazer face ao contrato coletivo de trabalho”, pelo que “não negoceia com os sindicatos”.
Para além da unidade da Póvoa de Santa Iria, onde laboram cerca de uma centena de trabalhadoras, a Dan Cake possui uma fábrica em Coimbra, mas o dirigente sindical não soube detalhar o nível de adesão à greve nessa unidade.
Rui Matias refere que as questões salariais na empresa “remontam há 42 anos, quando estava o investidor nacional”, mas “têm-se agravado com o nível de dificuldade em negociar com a administração” desde a entrada da Biscuit International.
Concentradas esta manhã frente à unidade da Póvoa de Santa Iria, as trabalhadoras decidiram realizar uma nova greve de 24 horas em 7 de novembro, com manifestação à porta da empresa, e participar na marcha nacional convocada pela CGTP para 08 de novembro, em Lisboa, contra o pacote laboral.