Vários candidatos à presidência da Câmara Municipal de Cascais subscreveram um compromisso autárquico para suspender as obras na Quinta dos Ingleses e negociar a preservação da máxima área verde possível daquele espaço, foi esta sexta-feira anunciado.
O anúncio foi feito, em comunicado, pela associação SOS Quinta dos Ingleses que refere que o compromisso foi subscrito pelos candidatos Alexandre Abreu (coligação BE/Livre/PAN), António Pinto Pereira (independente, com apoio da Nova Direita e Nós Cidadãos), Carlos Rabaçal (CDU, coligação PCP/PEV), João Maria Jonet (independente) e João Rodrigues dos Santos (Chega).
“A SOS Quinta dos Ingleses lamenta que PS e IL não o tenham feito, apesar de se dizerem favoráveis à preservação da Quinta dos Ingleses”, critica a associação.
Em causa está o Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos-Sul (PPERUCS), que prevê a reestruturação urbanística de uma área de 54 hectares, onde se situa o colégio inglês St. Julian’s, com a criação de um parque urbano que terá oito hectares, a “preservação e valorização do conjunto edificado da Quinta dos Ingleses” e um empreendimento de “usos habitacional, de comércio, de serviços, hoteleiro e outros”.
O projeto, cujos promotores são a empresa Alves Ribeiro e o St. Julian’s School Association, tem sido contestado por associações ambientalistas e sociais do concelho de Cascais, nomeadamente pelos movimentos SOS Quinta dos Ingleses e Alvorada da Floresta.
Contudo, o compromisso estabelecido pelos diferentes candidatos à presidência da Câmara de Cascais nas eleições autárquicas de domingo prevê a suspensão das obras e o início de um processo negocial com os promotores, “tendo em vista a preservação da máxima área verde possível da Quinta dos Ingleses e a proteção do ambiente e do património histórico e cultural”.
Entre as medidas previstas está também a possibilidade de uma compensação aos promotores pela redução dos direitos de urbanização, através de fundos públicos, fundos europeus, permutas de terrenos ou, em último caso, expropriação.
Os subscritores comprometem-se ainda a votar favoravelmente nas deliberações camarárias e da assembleia municipal necessárias à execução do plano.
“Esta associação ambiental sublinha a importância do ato que representa a assinatura deste documento, que demonstra a importância da Quinta dos Ingleses para toda a população de Cascais, o apoio histórico entre esquerda, centro e direita para uma solução alternativa que permita salvar este pulmão e ecossistema únicos e a possibilidade política de se reverter o processo de destruição em curso, garantindo que as gerações futuras não serão vítimas das erradas políticas do atual executivo camarário”, lê-se na nota.
Em declarações anteriores à Lusa, o vice-presidente da Câmara de Cascais, Nuno Piteira Lopes (PSD), é que é agora o cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP, sublinhou que o Plano de Pormenor da Quinta dos Ingleses vai “permitir a recuperação e construção do maior parque urbano da freguesia de Carcavelos”.
“São 12 hectares que vão ser preservados e requalificados. Os cascalenses passarão a contar com mais 12 hectares de espaço verde. Aquilo que se prevê é que, até junho, quer os parques de estacionamento, quer o parque verde urbano estejam concluídos e abertos à população”, perspetivou o autarca.
O executivo de Cascais é composto por sete eleitos da coligação Viva Cascais (PSD/CDS-PP), incluindo o presidente Carlos Carreiras, que atingiu o limite de mandatos, três da coligação Todos por Cascais (PS/PAN/Livre) e um do Chega.
Concorrem à autarquia cascalense nas eleições de domingo Nuno Piteira Lopes (PSD/CDS-PP), João Ruivo (PS), Alexandre Abreu (BE/Livre/PAN), João Rodrigues dos Santos (Chega), Manuel Simões de Almeida (IL), Carlos Rabaçal (PCP/PEV), Fábio Pereira (ADN), João Maria Jonet (Independente) e António Pinto Pereira (independente, com apoio da Nova Direita e Nós, Cidadãos!).