A Dacia revelou um protótipo denominado Hipster que nos deixou bastante animados, uma vez que é eléctrico, é pequeno e é barato, visando ser proposto por um valor abaixo de 15.000€, segundo os responsáveis da marca romena do Grupo Renault. No entanto, apesar das reacções positivas da imprensa que já viu o protótipo e que se sentiu cativada pela sua estética ousada e até futurista, o que não a impede de ser funcional, a realidade é que a Dacia ainda não decidiu o que fazer com a popularidade do novo protótipo. A marca admite que, caso o mercado o deseje, o Hipster até pode dar origem a um quadriciclo pesado (necessariamente ainda mais barato), similar aos populares “mata-velhos”, mas com quatro lugares.

Coincidência ou não, o Hipster foi apresentado pouco depois da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter anunciado que a estratégia europeia passa pela produção de pequenos veículos eléctricos (Small Affordable Cars) com quatro lugares e não só muito baratos, como igualmente muito económicos, os quais apelidou de e-cars. Na prática, serão uma espécie de versão europeia e eléctrica dos Kei Car japoneses que surgiram no pós II Guerra Mundial (com 3,4 metros de comprimento e movidos por um motor com 660 cc e 64 cv), mas agora adaptados às necessidades do Velho Continente. Ora, os e-cars imaginados por von der Leyen, de que ainda se sabe muito pouco, parecem encaixar nas directrizes que levaram à concepção do novo protótipo da Dacia…

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O Hipster é um projecto que visou, internamente, provar a viabilidade de conceber um veículo citadino com quatro lugares e um interior versátil que lhe permita transportar pessoas ou carga. Com 3 metros de comprimento e 2,15 m de distância entre eixos, o protótipo possui ainda 1,550 m de largura e 1,535 m de altura (os kei cars têm uma largura de 1,480 m e 2 m de altura), com a marca a defini-lo como “o carro para todos”, com quatro lugares e duas portas. Com um peso de apenas 800 kg, o Hipster oferece um acesso fácil ao banco traseiro, além de uma bagageira que vai dos 70 litros (com o banco posterior na posição normal) aos 500 litros (com o banco traseiro recolhido), o que até permite, de acordo com o construtor, transportar uma máquina de lavar roupa. A Dacia não divulga a potência que antecipa para o motor, nem a capacidade da bateria ou a respectiva autonomia, mas numa das fotos divulgadas é possível ver que o Hipster ainda anuncia 180 km de autonomia com 75% de bateria, o que deixa antever a possibilidade de percorrer 240 km entre recargas.

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O maior trunfo do Hipster é a sua estética dominada por linhas modernas e arrojadas que, de certos ângulos, até fazem lembrar um mini Land Rover Defender. Se por fora agrada, por dentro o mini também não defrauda as expectativas, embora a necessidade de conter custos tenha reduzido tudo no habitáculo ao essencial para os clientes, seguindo a estratégia habitual da Dacia. Exemplo disso são os bancos simples em rede, mas que nos pareceram confortáveis e a proporcionar um bom espaço para os ocupantes. O condutor tem à frente um ecrã com as informações básicas, com o resto a ser assegurado pelo smartphone — com recurso à aplicação da marca —, para o qual o Hipster oferece uma docking station com carregamento no tablier. Um pormenor curioso é o facto deste protótipo da Dacia ter uma pequena parte do tejadilho em vidro, junto ao pára-brisas, para permitir ver para cima, por exemplo semáforos, quando se está na primeira linha da fila.

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Caso o mercado aconselhe a Dacia a não produzir o Hipster como um citadino com um preço a rondar os 15.000€, o construtor pensa fabricá-lo como quadriciclo pesado (categoria L7e, a exigir carta de condução B ou B1). Note-se que esta categoria é distinta dos quadriciclos ligeiros L6e, que podem ser guiados por jovens a partir de 16 anos e carta de condução AM (para motociclos com 50 cc e limitados a 45 km/h). Caso o Hipster quadriciclo avance, o preço será necessariamente inferior aos 15.000€, dado que os L7e não têm de incluir toda a panóplia de sistemas de segurança dos automóveis convencionais, que encarecem consideravelmente o preço final dos veículos.