Três jogos, três vitórias, 10 golos marcados e nenhum sofrido. A caminhada de Luís Freire ao serviço da Seleção Nacional de sub-21 não podia ter começado de forma mais positiva. Portugal entrou em campo esta terça-feira na liderança do Grupo B da qualificação para o Campeonato da Europa de 2027 da categoria, a par da República Checa, depois de ter goleado o Azerbaijão (5-0) e a Bulgária (3-0) nos jogos realizados em território nacional, e de ter somado uma convincente vitória em casa da Escócia (2-0). Agora o foco era Gibraltar, uma modesta formação que só tinha um golo marcado e nenhum ponto conquistado. Ainda assim, o relvado sintético do Europa Point Stadium prometia intrometer-se na discussão, embora o selecionador tivesse fintado a questão na véspera.

Mora, uma carta que continua a sair do baralho de Messi: Seleção Sub-21 vence Bulgária com mais um golo do avançado portista

“Não vamos jogar contra o sintético, mas contra Gibraltar, que teve uma prestação positiva com a Rep. Checa e só perdeu o jogo no fim. Temos de entrar logo com o pé no acelerador, na perspetiva de um jogo ofensivo e agressivo. Queremos marcar golos e criar oportunidades. É uma equipa que poderá vir em bloco baixo e isso pode causar mais problemas do que o próprio sintético. Temos de ser dinâmicos na procura de desequilibrar esse bloco baixo, criar oportunidades e ter a atitude que temos tido. Se estamos a fazer as coisas bem, não há motivo para parar de fazê-las bem. Há que reforçar os bons comportamentos e estar com a postura certa, com a alegria de jogar. Para quem quer ganhar, qualquer campo é bom para isso. Temos alterado sempre alguma coisa. Provavelmente amanhã [terça-feira] também. Vamos fazer algumas alterações, no intuito de a equipa ser muito competitiva e agressiva. Ter uma identidade bem vincada. É importante quem trabalha bem ter as suas oportunidades. Todos têm de fazer parte disto e mostrar que estão prontos para vencer por Portugal”, explicou Freire.

Em relação ao jogo com os búlgaros, Luís Freire mudou praticamente todo onze inicial, mantendo apenas Rodrigo Mora, que desta vez voltou a fazer dupla no ataque com Gustavo Varela, e Roger Fernandes, que fez o lado direito, com Carlos Forbs no lado oposto. O meio-campo ficou a cargo de Mateus Fernandes e Mathias de Amorim, com Diogo Travassos, Gabriel Brás, João Muniz e Francisco Chissumba no setor recuado. A baliza, desta vez, ficou para André Gomes.

Numa partida sem grande história, as contas começaram a ficar resolvidas desde cedo, com De Amorim a desferir um grande cruzamento para Travassos que, com um primoroso toque de calcanhar, inaugurou o marcador (8′). Logo a seguir, os papéis inverteram-se e o lateral acabou por assistir Varela com um cruzamento primoroso, com o avançado do Gil Vicente a dilatar a vantagem de cabeça (11′). Ainda na primeira meia-hora da partida, Mathias de Amorim serviu Forbs na direita, o avançado cruzou para a área e, de cabeça, Mora fez o 0-3 (28′). Até ao intervalo, Gustavo Varela quase chegou ao bis, de calcanhar, mas Harry Victor travou o seu remate (45′).

Para a segunda parte, Freire colocou Fábio Baldé no lugar de Roger e, depois de uma arrancada de Carlos Forbs da direita para o meio, o extremo do Hamburgo deu conclusão ao cruzamento com um remate de primeira para o golo (51′). Praticamente logo a seguir, Baldé desferiu um cruzamento para a área, um defesa cortou e, à entrada da área, Mateus Fernandes rematou de primeira, sem deixar cair, para o 0-5 (56′). A tendência continuou e, na sequência de um canto e de mais um mau corte, Gabriel Brás cabeceou para o sexto golo (57′). A Seleção de sub-21 continuou muito ofensiva e, depois de um canto, Mateus desferiu mais um fortíssimo remate de fora da área, que só foi travado pela trave (60′). Já com Gustavo Sá (saiu Mora), João Simões (De Amorim) e Geovany Quenda (Forbs) em campo, Portugal desenhou uma jogada de grande envolvimento coletivo, que terminou com Quenda a cruzar para Chissumba que, de cabeça, amorteceu para o remate certeiro de Gustavo Varela (67′).

Depois dos dois golos, o jovem avançado cedeu o seu lugar a Youssef Chermiti, naquela que foi a última substituição de Luís Freire. Na primeira vez que tocou na bola, o novo ponta de lança dilatou as contas, concluindo de cabeça um cruzamento de Baldé (70′). Pouco depois, Chermiti fez o papel de assistente e, com um excelente trabalho de contenção, serviu Diogo Travassos para o bis do lateral (84′). Depois de uma falta de Julian Britto sobre Fábio Baldé, Sá fez, de penálti, o décimo golo português (90′), com Quenda a fazer o 0-11 final com um remate forte da quina da grande área (90+2′). Desta forma, Portugal igualou a maior goleada da sua história, que tinha sido alcançada em 2021, frente ao Liechtenstein, em Vizela. Para além disso, os sub-21 saltaram para a liderança isolado do Grupo B, depois de a Rep. Checa ter perdido na Bulgária (2-1).