A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, oposição) garantiu esta sexta-feira haver coesão entre os membros do partido, após a contestação dos últimos meses ao líder, Ossufo Momade, mas ainda não tem data para o congresso, após o último Conselho Nacional.

“É um processo de diálogo constante. A Renamo entende que neste momento encontra-se coesa, todos os pontos de divergência foram muito aprofundados e muito bem discutidos”, disse o porta-voz da Renamo, Marcial Macome, em conferência de imprensa realizada esta sexta-feira, sobre o balanço do Conselho Nacional do partido, que decorreu na quinta-feira na província de Nampula, norte de Moçambique.

Segundo o responsável, após muito tempo de “debate e acesas divergências”, os membros daquele órgão “definiram e aprovaram em unanimidade” que a “união na diversidade” e o respeito pelos valores e ideologias do movimento político devem estar acima do interesse de todos.

“Todos aqueles que tinham o que tinham no seu coração tiveram espaço para manifestar o seu sentimento sobre a situação do partido. Depois de apresentado este sentimento, avançou-se para um momento de reconciliação”, explicou.

Durante a reunião, avançou Macome, o partido deliberou pela “busca constante de diálogo e de consenso entre os membros”.

Sobre a atual onda de contestação ao líder do partido, com ex-guerrilheiros a encerrar sedes e delegações, impulsionada pela perda do estatuto do partido da segunda força política mais votada nas eleições gerais de 9 de outubro de 2024, passando de 60 deputados, nas legislativas de 2019, para 28, o porta-voz explicou que o assunto foi muito debatido internamente e os próprios combatentes decidiram que “ninguém irá, nos próximos dias, deixar de lutar pelos valores da Renamo”.

O presidente do partido, que antes garantiu que não ia concorrer para a liderança do movimento, mas foi reeleito para um mandato de cinco anos em 2024, é também acusado de alegada “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e de “incompetência total” face à crise no partido.

Sobre a realização do próximo congresso do partido, o porta-voz da Renamo explicou que o evento é realizado mediante uma convocação “e neste momento não foi marcada nenhuma convocação para o congresso”.

Em 7 de outubro, um grupo de ex-guerrilheiros da Renamo criticaram a marcação tardia do conselho nacional, afirmando que decorre “depois do leite derramado” e prometeram forçar a saída de Ossufo Momade da liderança do partido.

Os ex-guerrilheiros consideram “uma fantochada” a realização deste encontro, referindo que “não passa de uma manobra dilatória” para manter Momade na presidência daquela formação política.

O grupo, que antes tomou a sede da Renamo na capital moçambicana, afirmou não ter sido convidado para a reunião do partido, prometendo seguir, ainda assim, para Nampula para resolver o problema “de uma vez por todas”.

Ossufo Momade assumiu a presidência da Renamo em janeiro de 2019, após a morte de Afonso Dhlakama (1953 — 2018), e foi reeleito para o cargo em maio de 2024, num processo fortemente contestado internamente.

O líder daquela formação política foi candidato presidencial nas eleições de outubro de 2024, obtendo 6% dos votos, o pior resultado de um candidato apoiado pelo partido, principal força de oposição em Moçambique desde as primeiras eleições em 1994.