Durante mais de cinco anos, um homem infernizou a vida da namorada e até da filha de ambos, hoje com dois anos. Ao longo do tempo em que durou a relação, o homem agrediu a vítima repetidamente e nem uma medida de coação de afastamento da mulher, aplicada em setembro, o impediu de aproximar-se da sua casa, obrigando a companheira a abandonar o país com a filha.

Antes de ser obrigado a afastar-se da namorada, chegou a sufocá-la com força e a ameaçá-la: “Posso ir preso, mas mato-te primeiro”, disse-lhe, de acordo com a PSP. “Tais comportamentos reiterados, mesmo após intervenção judicial, demonstram uma atitude persecutória e de total desrespeito pelas decisões da autoridade”, refere a polícia em comunicado. Tendo isso em conta, o homem de 31 anos foi detido pela Divisão Policial de Oeiras, a 13 de outubro, e acabou por ficar em prisão preventiva, depois de ser presente a juiz.

Os factos começaram em janeiro de 2020, tendo o casal começado a viver na mesma casa pouco depois. Além de ser muito agressivo, o agora arguido controlava o convívio da namorada, sobretudo com outros homens, e muitas vezes refletia os ciúmes infundados em “violência física e verbal”.

Os episódios de agressões, relatados pela vítima às autoridades, foram evoluindo e, num dos momentos de maior tensão entre o casal, em 2021, o homem, alcoolizado, agarrou o pescoço da mulher com força e estragou-lhe o telemóvel ao atirá-lo contra o chão. Outro dos casos destacados pela PSP aconteceu na passagem de ano, de 2022 para 2023, quando o agressor apertou o pescoço e os braços da vítima, tendo arrombado a porta da casa depois de a namorada ter saído temporariamente.

Foi no último verão que o comportamento do homem se agravou ainda mais, tendo dirigido ameaças de morte à namorada, reconhecendo que antes de ser preso iria matá-la. O medo já bem presente na vida da vítima aumentou depois de o companheiro ter anunciado a intenção de comprar uma pistola. Poucos dias depois da ameaça — “posso ir preso, mas mato-te primeiro” —, voltou a agredir a mulher: tentou sufocá-la e encostou uma faca de cozinha à sua barriga.

“Apesar de ter sido aplicada ao arguido uma medida de coação de afastamento e proibição de contactos, este continuou a violar tal determinação, efetuando múltiplas chamadas e enviando mensagens à ofendida, bem como tentando contactá-la pessoalmente no seu local de trabalho e na residência, em diferentes datas do mês de setembro do presento ano”, refere a PSP. A mulher viu-se obrigada a mudar de país e levar a filha de ambos consigo.

A polícia acabou por deter o homem — pelo crime de violência doméstica —, mediante o risco de este continuar a atividade criminosa e face à necessidade de proteger a integridade “física e psicológica” da vítima. “Foi determinada a emissão de mandado de detenção fora de flagrante delito, tendo o mesmo sido cumprido no dia 13 de outubro, resultando na detenção do suspeito. O detido foi presente à Autoridade Judiciária competente, em sede de 1.º interrogatório judicial, onde lhe foi aplicada medida de coação de prisão preventiva”, refere o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP.