Três jogos, três derrotas, dois golos marcados e sete golos sofridos. Pior início era praticamente impossível. Longe de honrar os pergaminhos do clube, o Benfica somou em Newcastle mais um desaire europeu na presente temporada, acabando goleado (3-0). Depois de uma entrada mais afirmativa do adversário, os encarnados até equilibraram o jogo e dispuseram de ocasiões de perigo até ao intervalo, onde chegaram em desvantagem, com Anthony Gordon a aproveitar um erro defensivo na construção e de Amar Dedic, que não o acompanhou. Na etapa complementar foi o descalabro e, perante a inércia ofensiva, os magpies faturaram por Harvey Barnes, que saiu do banco para bisar. No final, os números até podiam ser maiores, mas Anatoliy Trubin evitou-o.
Desta forma, o Benfica prolongou o saldo negativo em Inglaterra, onde venceu apenas quatro dos 21 encontros que disputou, levando agora 14 derrotas. O último triunfo dista de 2014, frente ao Tottenham (1-3). Frente aos magpies, as águias consentiram a primeira derrota, ao cabo de três jogos: uma vitória, um empate e uma derrota. Curiosamente, os ingleses nunca perderam frente a formações portuguesa, levando agora cinco vitórias e três empates. Já José Mourinho, somou a sexta derrota frente ao Newcastle, em 13 jogos (três vitórias e quatro empates), ao passo que perdeu pela segunda vez nos duelos com Eddie Howe, que venceu em cinco ocasiões. Esta terça-feira, o Benfica estendeu ainda um registo negativo que não se via desde 2007/08, época em que ficou abaixo dos 23 golos em 17 jogos, o registo atual. Em comparação com a temporada passada, os encarnados têm menos de metade dos golos no mesmo número de jogos (marcaram 47).
“Na primeira parte faltou marcar. A primeira parte foi equilibrada, mas houve mais oportunidades para nós do que para eles. Tivemos quatro oportunidades de golo. É difícil criar tanto e não fazer. Ao intervalo, diria que o resultado não era somente injusto, mas sim extremamente injusto, porque devíamos estar a ganhar, ou mesmo empatados. Na segunda parte, o início é parecido, mas o segundo golo muda completamente a direção do jogo. É um golo que não se pode sofrer. É uma bola parada ofensiva nossa, com posicionamento correto na transição, mas em que se perderam depois posições e se perdeu na velocidade. Depois do segundo golo a equipa caiu psicologicamente e veio ao de cima uma diferença muito grande, algo que nós já sabíamos. Eles tinham quatro alas muito rápidos, dois no campo e dois no banco. Sabia perfeitamente que, nos últimos 30 minutos, eles teriam motores completamente diferentes dos nossos. Se nesse período estivéssemos em vantagem ou pelo menos em igualdade no marcador, poderíamos compactar e esconder um bocadinho essas debilidades e essa diferença de ritmo e velocidade. A perder 2-0, a equipa quis. Depois quebrou física e mentalmente e sofremos. Não sofremos na primeira parte, acabámos por sofrer nos últimos 15, 20 minutos”, começou por dizer Mourinho à sport tv.
Benfica soma 23 golos marcados em 17 jogos, menos de metade dos que marcou na época passada no mesmo número de jogos (47)
⚠ Os 23 golos do Benfica em 17 jogos são o pior registo da equipa desde 2007/08 (21 golos) pic.twitter.com/o7ruU9mw2w
— Playmaker (@playmaker_PT) October 21, 2025
“Tomás? Correu bem, teve um jogo bastante equilibrado. Acabámos por não sofrer nenhum golo de bola parada, mas penso que foi evidente que cada bola parada era meio golo, que era um domínio tremendo de uma equipa com um físico incrível. Se imaginarmos o Dahl a jogar em vez de jogar o Tomás, essa diferença acentuar-se-ia ainda mais. Acho que o Tomás esteve bem. Com bola já sabíamos que não ia progredir no campo, mas a sua qualidade de passe foi boa e equilibrada. Sofremos três golos em transição. O primeiro não diria transição, mas é um ataque rápido em que o Dedic perde para o melhor jogador em campo, que fez um jogo tremendo, o Anthony Gordon, no movimento diagonal. O segundo golo é uma transição. O terceiro golo é outra transição. Naquele período sofremos”, acrescentou o treinador.
“Extremos? É o que é. É o que temos. Na primeira parte jogámos bem. Todos sabemos o nosso perfil de equipa. É um perfil com que, em competições nacionais, em que dominamos praticamente todos os jogos, somos uma equipa com capacidade para estar lá e para lutar por cada ponto, por cada vitória, pelo título. Quando vamos para as competições internacionais, em que os jogos têm um cariz completamente diferente, sofremos um bocadinho, principalmente quando entramos em jogos em que estamos em situação de desvantagem e o jogo abre. Champions? Ontem [segunda-feira] disse que não falava à equipa no fim do jogo e normalmente não o faço. Hoje fi-lo e, muito resumidamente, disse-lhes que temos 15 pontos para lutar na Champions e que não precisamos de 15 pontos para nos qualificarmos. Diria que entre nove e 11 será suficiente. Não precisamos de 15, não precisamos de ganhar os cinco jogos. Para mim, este era o jogo mais difícil. Pelas características do adversário, este era o mais difícil. Agora temos dois jogos em casa, um para o Campeonato e outro para a Taça da Liga e temos de limpar a cara”, concluiu José Mourinho.
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