A Vodafone lançou um investimento grande, não quantificado, para aumentar a autonomia da sua rede num evento, como o que aconteceu em abril, de apagão energético.
Luís Lopes, presidente da Vodafone Portugal, num encontro com a imprensa para assinalar os 33 anos da empresa no país, disse que se no fixo a rede manteve-se sempre a funcionar, no móvel foi caindo.
E até, admitiu, caiu “mais rápido do que eu desejaria e em alguns sítios demasiadamente rápido”. Por isso, “não esperei por relatórios e autorizámos um investimento de muitos milhões no reforço da resiliência energética da Vodafone”. Sem concretizar o valor ficou-se na indicação de que foram “vários milhões de euros”. Para aumentar a autonomia nos sites, tendo em alguns colocado geradores.
A Vodafone tem 5500 locais e por isso a solução não é uniforme e “não é possível resiliência energética de tantas horas [em locais] com poucos clientes”, assume.
No dia 28 de abril, em duas horas, 40-45% de sites tinham caído, no caso da Vodafone.
A resposta a este desempenho, acrescentou, é investir porque “queremos ser a rede com a maior resiliência. Sabemos que temos a melhor rede, por isso, num cenário destes, não podemos ser a rede com uma performance abaixo”.
Ciberataque foi de ator externo e Vodafone não era o único alvo
O ciberataque que a Vodafone sofreu em fevereiro de 2022, ainda Luís Lopes não estava na empresa, mas assume como um momento difícil para a companhia em Portugal. Encontrando-se a investigação, ainda, em segredo de justiça, o presidente da empresa não adianta muitos pormenores ao que se passou. No entanto, garante ter sido um ator externo — sem ligações a estados — e a Vodafone não seria o único alvo.
Custo milhões de euros à empresa. Luís Lopes garante ainda que mostrou algumas “fraquezas internas que foram corrigidas”.
Uma coisa o presidente da Vodafone admite: “é muito importante [nestes casos] a reputação e a relação com os clientes”.
Vodafone Portugal “é um ativo muito apetecível”
Luís Lopes volta a garantir que o cenário de fusões, mesmo em Portugal, é inevitável. Não há espaço para quatro operadores. Mesmo a nível europeu, a consolidação vai ter de acontecer.
Em Portugal também, mas lembra que a Vodafone tentou comprar a Nowo e foi impedida pela Autoridade da Concorrência.
Questionado sobre se a Vodafone Portugal se tem alvos ou se é um alvo na consolidação responde que a Vodafone Portugal “é um ativo muito apetecível mas tendo essa posição forte também a coloca como potencial consolidador”.
Não vê que essa consolidação esteja iminente. “No curto prazo não é provável nem num sentido nem noutro. No longo até acho inevitável”.
Luís Lopes diz que o mercado português está a perder receitas. Estima que possa perder até 5% face ao ano anterior. E isso coloca desafios, até para o poder político e regulador. Em muitos países a Vodafone já saiu, quando sentiu “que as percetivas de médio e longo prazo eram negativas”. A diferença em relação a Portugal é que “por enquanto o novo entrante não tem tido impacto tão grande”, e apesar da queda de receitas do mercado global garante que a Vodafone não vai concorrer pelo preço.
Para já pede que não se obstaculize a renovação das licenças de terceira geração móvel que expiram em 2028. Queixa-se de ainda não haver vislumbre sobre a decisão que vai ser tomada sobre essas licenças. Até admite que a renovação possa vir ligada a condições, mas a decisão já devia ter sido tomada, indica.