As urnas para estas eleições legislativas argentinas encerraram às 21h00 horas em Lisboa (menos três horas em Buenos Aires). Mais de três horas depois, foram divulgados os primeiros resultados. Até ao momento, o Liberdade Avança (partido do Presidente Javier Milei) obtém 40,7% dos votos, ao passo que o movimento de esquerda peronista sob o nome Força Pátria — juntamente com os aliados — não ultrapassam os 31,7%.

Já foram contados mais de 98% dos votos. Em terceiro lugar, ficou a coligação de governadores centristas chamada Províncias Unidas com 7,03%, enquanto a Frente de Esquerda (entre socialistas e comunistas) obteve 4,77%.

Falando no quartel-general do Liberdade Avança, o Presidente argentino celebrou os resultados. Javier Milei agradeceu a “todos os argentinos pelo novo ato eleitoral e pela eleição maravilhosa”. “Agradeço a todos os que apoiam as ideias da liberdade para tornar a Argentina grande”, disse o chefe de Estado. “Foi um dia histórico para a Argentina. O povo argentino deixou para atrás 100 anos de decadência. Hoje começa a construção da Argentina grande”, declarou.

“Tivemos 41% dos votos bonitos. Quero agradecer aos 10 milhões de argentinos que nos acompanharam”, prosseguiu Javier Milei, agradecendo a todos os membros do governo. “Este resultado não é nem mais nem menos do que a confirmação do mandato que assumimos em 2023. Hoje, o país inteiro confirmou a sua vocação de mudar de forma irreversível o destino da pátria”, declarou.

Javier Milei explicou que, durante os dois anos, tentou evitar que a Argentina caísse num “precipício”. “Enfrentávamos as piores condições iniciais da História”, denunciou, apontando culpas aos peronistas. “Era um campo minado. Graças ao conjunto de pessoas hipertalentosas que me rodeiam, saímos disso e hoje a Argentina é reconhecida em todo o mundo pelo que fizemos nos últimos dois anos.”

Para os próximos dois anos, o chefe de Estado argentino disse estar focado “em levar a cabo as reformas que a Argentina necessita para consolidar o crescimento e para a Argentina ser grande novamente”. “É por isso que quero destacar o papel do novo Congresso que será fundamental para a mudança de rumo. A partir de 10 de dezembro, passamos a contar com 101 deputados em vez de 37”, frisou. “No Senado, passámos de seis para 20 senadores.”

“Não tenho dúvidas de que teremos o Congresso mais reformista da História argentina”, proclamou Javier Milei. “Estamos comprometidos em tornar a Argentina o país mais livre do mundo e vamos cumprir o contrato eleitoral com todos os argentinos”, disse. “Além dos inadaptados de sempre que pensam que a economia se arranja com a dança de chuva e com paninhos quentes, há dezenas de deputados e senadores com que podemos fechar acordos básicos. Alegra-nos saber que muitas províncias não foi o kirchenismo, mas o oficialismo provincial pró-capitalista a ficar em segundo e que saber somar 1+1.”

Javier Milei deixou também um convite a todos os governadores com representação parlamentar para discutir os acordos. “Vamos sentar-nos para discutir a base para uma Argentina distinta. Um dado que ficou claro é que dois em cada três argentinos não quer regressar ao passado”, destacou. “Sacámos 14 pontos de diferença ao kirchenismo”, saudou. “Os argentinos não querem voltar ao modelo de fracasso, modelo de inflação, modelo da emissão monetária… Os argentinos disseram basta ao populismo. Populismo nunca mais.”

O ato eleitoral ocorreu praticamente sem incidentes na Argentina. De acordo com dados avançados pela Câmara Nacional Eleitoral, votaram 67,85% dos eleitores. A participação eleitoral foi, como nota a imprensa argentina, uma das mais baixas registadas na Argentina. Nas presidenciais de 2023, por exemplo, votaram 77% dos eleitores.

Nestas eleições legislativas, jogou-se o futuro dos próximos dois anos do mandato do Presidente argentino, Javier Milei. O chefe de Estado desejava reforçar a presença parlamentar da Liberdade Avança, o partido que lidera. Por sua vez, a oposição peronista pretendia manter os bons resultados — e repetir o sucesso que obteve nas eleições municipais de Buenos Aires de setembro de 2025, em que venceu confortavelmente a Liberdade Avança.

Neste ato eleitoral, foram decididos 127 lugares na Câmara dos Deputados e 24 no Senado. Atualmente, os dois órgãos do Congresso são controlados por forças peronistas de esquerda, que têm bloqueado muitas iniciativas de Javier Milei, que deseja acabar com os impasses legislativos. Os Estados Unidos da América (EUA) também apoiaram a presidência ao providenciar à Argentina um empréstimo de 20 mil milhões de dólares (cerca de 17 mil milhões de euros).

A Liberdade Avança concorre em todas as 24 províncias argentinas, em algumas delas em coligação com a Proposta Republicana, o partido de direita liderado pelo antigo Presidente Mauricio Macri. Já os peronistas, concorrem na maior parte das localidades sob o nome Força Pátria. Há ainda uma frente de esquerda (entre comunistas e socialistas) e uma coligação de governadores que não se identificam nem com o peronismo, nem com Javier Milei.

Em declarações aos jornalistas, Cristian Ritondo, presidente da Câmara dos Deputados do partido PRO, já antecipou que os “argentinos reagiram” ao facto de haver os bloqueios pelos peronistas. “Esperamos recuperar uma quantidade importante de votos que faça diferença no total nacional”, afirmou o dirigente político. “Arrasámos”, comenta-se na sede partidária de Javier Milei.

Sob o olhar atento de Trump, Milei enfrenta umas desafiantes legislativas que são o tudo ou nada