Foi em abril de 2021 que a ideia da criação da Superliga Europeia surpreendeu tudo e todos e rompeu com o status quo da UEFA e da FIFA. Na altura, eram 12 os grandes clubes europeus que estavam ao lado da A22 Sports Management, a empresa liderada por Bernd Reichart que se encarregou de toda a parte organizativa da competição. Contudo, a Superliga entrou em colapso 48 horas depois de ter sido lançada, com os clubes a abdicarem da sua participação por conta da posição imposta pela UEFA e até os seus adeptos. Nos últimos quatro anos e meio, a ideia continuou de pé, mas teve de se desdobrar pelos tribunais que, paulatinamente, foram-lhe dando razão.
O que é, quem a criou e porque é polémica? Nove respostas sobre a controversa Superliga Europeia
Em dezembro de 2023, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) decidiu que as regras em vigor em 2021, utilizadas pela UEFA e pela FIFA para impedirem a criação da Superliga, iam contra as normas da União Europeia e constituíam um abuso de posição dominante no mercado. Já esta quarta-feira, um tribunal de Madrid negou um recurso da UEFA e da FIFA, por violação das regras da União Europeia, considerando ainda que as duas entidades “abusaram da sua posição dominante”. Nesse sentido, a A22 considerou que esta foi a sua “terceira vitória consecutiva contra o monopólio ilegal”, lamentando que a entidade que rege o futebol europeu tenha “recusado qualquer via de compromissos”. Assim, a empresa afirmou que vai avançar com ações para obter compensações pelos danos sofridos.
Comunicado Oficial.
????https://t.co/FCLmIVHG02 pic.twitter.com/DWyyRKi1iA— Real Madrid C.F. (@realmadrid) October 29, 2025
“O Real Madrid congratula-se pelo Tribunal Provincial de Madrid ter indeferido os recursos interpostos pela UEFA, pela RFEF e pela LaLiga, confirmando que a UEFA, no caso da Superliga, infringiu gravemente as regras de livre concorrência da União Europeia, em linha com o acórdão do TJUE, abusando da sua posição dominante. Este acórdão abre caminho para reclamar os avultados danos e prejuízos sofridos pelo clube. Além disso, o Real Madrid informa que, ao longo de 2025, manteve inúmeras conversações com a UEFA para procurar soluções, sem que se tenha chegado a qualquer compromisso em torno de uma governação mais transparente, sustentabilidade financeira, proteção da saúde dos jogadores e melhorias na experiência dos adeptos, incluindo modelos de transmissão gratuitos e acessíveis a nível global, como foi o caso do Mundial de Clubes. Consequentemente, o clube anuncia que continuará a trabalhar pelo bem do futebol global e dos adeptos, ao mesmo tempo que exigirá à UEFA os avultados danos e prejuízos sofridos”, afirmou o Real Madrid em comunicado.
De acordo com o jornal As, os advogados da A22, bem como do Real Madrid, encontram-se a trabalhar sobre a indemnização que vão apresentar contra a UEFA, que deverá andar em torno dos 4.500 milhões de euros, número que vai ao encontro do prejuízo causado pela entidade que tutela o futebol europeu e o dano de reputação causado. Nesse sentido, a publicação espanhola realça que esta é uma mudança de estratégia de quem pretende implementar a Superliga, que abandonou a postura defensiva. Ao todo, terão decorrido, nos últimos anos, quase 20 reuniões entre a A22 e a UEFA, nas quais participaram Bernd Reichart e Theodore Theodoridis, secretário-geral da UEFA, bem como Anas Laghrari e Fernando Ledesma, representantes de Real Madrid e Barcelona, respetivamente. As negociações não chegaram a bom porto devido ao formato da competição, embora tenham evoluído referente ao modelo televisivo e de gestão.
Tribunal de Madrid dá razão à Superliga contra a FIFA e a UEFA
Perante tudo isto, o Real Madrid e a A22 consideraram que a UEFA nunca teve o propósito de chegar a um acordo, a não ser ganhar tempo para impedir que a Superliga Europeia saísse do papel e fosse colocada em prática. Nesse sentido, a melhor opção para a empresa era reclamar pelos danos causados, que estão em linha com o que aconteceu noutros casos entre a União Europeia e tentativas de monopólio, como aconteceu há poucos meses quando a Comissão Europeia impôs à Google uma multa de 2.424 milhões de euros por favorecer no seu motor de busca o Google Shopping nos seus serviços de comparação de produtos.